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jun 18

Viagem ao Rio Grande do Sul, de Auguste Saint Hilaire – Parte III

22 Junho a 19 de agosto 1820

Neste dia é levado ao Palácio para ser apresentado ao governador da província, Conde de Figueira, conferido os documentos e cartas de recomendação foi então recebido com muita simpatia, onde lhe foi oferecido acomodações, escravos, comida e cavalos.

O Conde planeja uma viagem até o Uruguai, retornando pela região missioneira. Saint-Hilaire gosta de andar livre, mas não quer fazer desfeita e o acompanha. Hora a cavalo, hora na carruagem do Conde, seus serviçais seguem juntos aos escravos da comitiva.


Relata que as tropeadas de muares que cortavam os estados já estão muito reduzidas, também que os cavalos são tão abundantes que não são bem tratados, a facilidade de consegui-los impede que se afeiçoem a eles, assim como outras criações não possuem cuidado algum, apenas são mantidos em áreas que possam ser manejados para o abate. Com isso usam poucos escravos, que aqui são melhor tratados do que em outros estados, seus donos trabalham lado a lado nas listas do dia em muitos lugares. Porto Alegre de 20 mil negros, 6400 já eram livres.


Quem lida com o comércio e criação tendo o mínimo de destreza logo próspera, apesar da falta de cuidado, o gado se reproduz muito, mesmo com a venda ano após ano o rebanho aumenta. Mesmo assim propriedades do interior raramente possuem boa estrutura ou bons móveis em suas casas. A alimentação é estritamente de carne e pão, sendo pouco consumido legumes nas refeições. Mas há plantações de feijão, trigo, centeio e aipim.


Seguem por Viamão, Capivari e Mostardas, onde se hospedam na propriedade São Simão (anos mais tarde nasce no local Menotti Garibaldi). Por onde passam são recebidos até mesmo com fogos de artifício e banquetes. Sempre descrevendo a Lagoa dos Patos e peculiaridades da flora, fauna e geologia, igual como conhecemos hoje, uma região de muitos ventos, muito campo e poucas árvores.


Passam para Rio Grande, onde a alta sociedade os recebem com saraus quase que diários, mas monótonos. As mulheres já são muito diferentes de Porto Alegre, quase todas analfabetas, mais reservadas e pouco interagem, quem dirá tocar instrumentos, mas ainda assim infinitamente superiores a outras das capitanias centrais. Os homens aqui do sul são mais frios com a vida do que outros estados, sem piedade com animais e até conversas sobre desastres com muitas mortes são tratados com trivialidade.


Parceria com Jeandro Garcia
Leo Ribeiro de Souza

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