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out 04

Viagem ao Rio Grande do Sul – Auguste de Saint-Hilaire parte XIX

Via Jeandro Garcia:

Fevereiro de 1821 – Auguste de Saint-Hilaire

Envenenamento por mel – Visões de uma possível morte

No caminho encontram uma colmeia de abelhas selvagens, come deste mel ele dois empregados. Logo começam a sofrerem dor de estômago, sonolência e náuseas. Deitado se sentiu transportado aos espaços celestiais, ouvia uma voz que dizia: “Ele não se perderá, há um anjo que o protege”.

Nesse instante sua irmã veio lhe tomar pela mão, vestida de branco, cinto em torno da cintura e seu rosto irradiava uma expressão rara de paz, serenidade, tomando-o pela mão, sem olhar ou proferir palavra e o conduziu perante ao tribunal de Deus. Lembrou-se a parábola do Bom Pastor e o sonho acabou.

Levantou muito cansado, mal podendo andar retornou a carroça, com o rosto banhado em lágrimas devido ao sonho. Seu empregado José Mariano retorna, dizendo que estava pelos campos como que embriagado.

Foi quando começou para Saint Hilaire a mais intensa agonia, seus olhos escureceram, caiu no último grau de fraqueza, sem muito sofrimento mas experimentando as agonias da morte. Conversando com seu outro empregado diz “Há bem dois anos fechamos os olhos ao meu amigo, e hoje você irá presenciar o meu último suspiro” que lhe responde “Estou bem mal também, iremos morrer juntos neste deserto”.

Vendo-se cada vez pior disse “Meus amigos, sinto que vou morrer neste deserto, longe da minha família é de meu país, rondam-me as sombras da morte, vou me juntar a estes anjos que me chamam para segui-los. Não sou mau, nunca fiz mau a ninguém, minhas faltas são diante de Deus que me perdoará, assim espero, ou talvez me punirá.” Segue, “Minha mãe e meu sobrinho não necessitarão de mim. Mas este pobre Firmino que atirei nestes desertos, que será dele quando eu não mais existir? Matias, recomenda-o para o Conde Figueira, que ele jamais se torne escravo de ninguém.”

Viu as lágrimas correrem dos olhos de Matias e falou “Eu lhe perdôo do mal que me fez. Lauriete, saiba que minhas coleções pertencem ao Museu de História Natural, meus manuscritos entregues a minha família”.

Pedia seguidamente água morna para induzir o vômito. Enquanto isso Mariano em surto, gritava que os campos estavam em chamas, rasgando suas roupas e tentando proteger as malas. Laroute em agonia sai para buscar ajuda a cavalo, logo cai, monta de novo e mais tarde é encontrado adormecido no campo.

Seu empregado logo chegou com um novo vaqueano, e isso reanimou a todos. Mariano se aproxima e lhe pede água, então responde “Veja meu amigo, como estou doente, mas o riacho está a pouca distância daqui” — “Dê-me o braço, meu patrão, faz tempo que estou com o senhor e fui sempre um empregado fiel.” Saint Hilaire tomou a sua mão e disse algumas palavras para tranquilzá-lo.

Após vomitar várias vezes, sente-se muito melhor, voltando a enxergar com clareza e coordenando melhor as ideias. Mas ainda está preocupado com seus empregados. Embora que mesmo após o dia de agonia, os mesmos não cessaram o barulho para seu descanso a noite.

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