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jun 28

SUBTEMAS SOBRE O TROPEIRISMO

Fonte: Blog do Rogério Bastos
 
Tema dos Festejos Farroupilhas 2018
Tropeirismo – Contribuição para a formação da identidade sul-rio-grandense
Introdução e justificativa
O Tropeirismo foi um ciclo econômico, social e cultural, e um dos principais responsáveis pela formação da identidade do povo gaúcho, desde os primórdios de sua ocupação europeia pelos jesuítas na região missioneira (1626) e posteriormente por paulistas, lagunistas e portugueses que se estabeleceram inicialmente nos Campos de Viamão, formando as primeiras estâncias oficiais (1732), mediante doação de sesmarias. Estas estâncias tinham principalmente duas finalidades:
1- Garantir pose territorial para Portugal
2- Dar suporte e invernadeiros as tropas que vinha do Sul.
Este movimento de ir e vir de pessoas de diversas regiões sul-americanas, cada um com seus costumes, valores, crenças, saberes, etc., agregaram ao homem residente no Rio Grande do Sul uma bagagem cultural que influenciaria num perfil típico do Gaúcho atual.
A importância deste tema para os Festejos Farroupilhas 2018 no Rio Grande do Sul, é recolocar a figura humana do tropeiro, que por muito tempo ficou oculto em nossa história tradicionalista, em seu devido lugar de destaque. O tropeiro, inicialmente alóctone (vem de outro lugar) aos poucos vai se aquerenciando por aqui, adquirindo terras e assim originando novas estâncias, contribuindo para ocupação territorial definitiva do RS. Alguns formaram famílias, casando-se com gaúchas e muitos de seus filhos seguiram as atividades de seus progenitores, garantindo assim, viva as lidas tropeiras de seus antecedentes. Por outro lado, serve de alerta para todos tradicionalistas, que a Tradição Gaúcha não se limita apenas ao Decênio Farroupilha, existem muitos outros elementos importantes que participaram da formação da identidade do povo sul-rio-grandense.

Atividades preparatórias junto as RTs
As atividades solicitadas para nós, serão desenvolvidas a nível de Região Tradicionalista. Existem duas maneiras:
1- Palestra (Tropa, Tropeiros e Tropeirismo – Contribuição para a formação da Identidade sul-rio-grandense) de aproximadamente 2h em que será exposto o Tropeirismo de forma geral, contemplando aspectos relacionado a conceituações fundamentais, formação das tropas, caminhos, registros, indumentária, pousos, alimentação, tipos de tropas, noções práticas das traias, etc.


Poderá ser realizada a noite, conforme as necessidades de cada RT.

2- Em forma de seminário que ocupará o dia todo, com uma programação mais ampliada, tal como foi realizado na 4ª RT, em Alegrete.
08h – Recepção e credenciamento
09h – Palestra sobre Tropeirismo Geral
10h30 – Intervalo
10h45 – RT na Rota Tropeira – Depoimentos de tropeiros, descendentes e/ou pessoas que direta ou indiretamente tenham ligação com atividade tropeira
12h – Almoço
13h30 – Práticas Tropeiras
14h45 – Birivas e as Danças Tropeiras
15h45 – Intervalo
16h Discussão, distribuição e planejamento do tema
17h30 – Avaliação do dia de trabalho (Seminário)
18h – Encerramento

Para realizar o item das 10h45 é necessário a participação efetiva da RT, para trazer as pessoas que darão seus depoimentos. Pode ser substituído por trabalho apresentado pela RT sobre tropeirismo local.
Atividades propostas para RTs e Entidades Tradicionalistas
 
As RTs ou Entidades poderão dividir o tema em vários itens e ainda em subitens para melhor desenvolver as atividades, tais como:
 
1- Tropeirismo Missioneiro – O tropeirismo em sua primeira fase, introdução do gado e formação das Estâncias Missioneiras, que deram origem a Vacaria do Mar (primeiro ciclo das Missões) e Vacaria dos Pinhais (segundo ciclo das Missões).
2- Ciclo do Muar – As mulas como mercadoria principal, soltas ou arriadas. Origem do gado muar com relação a exploração das minas de prata de Potosi. Foi o período de maior desenvolvimento econômico, subsidiária inicialmente do Ciclo do Ouro e posteriormente dos demais Ciclos: Algodão, Café, Cacau, Erva-mate, etc. Oficialmente todas as tropas tinham destino a grande Feira de Sorocaba e depois de seu fechamento, em Itapetininga.
3- Os 5 Grandes Caminhos – Caminho da Praia (do Mar); Caminho de Souza Farias (dos Conventos); Caminho do Viamão (do “Certão”, Real ou Viamão-Sorocaba); Caminho das Missões (Veredas das Missões) e Caminho da Palmas. Por estas rotas os tropeiros percorreram todos os Estados da Região Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste e Nordeste, além de países vizinhos como o Uruguai e Argentina. Os pousos onde permaneciam alguns dias se tornaram povoados, evoluindo mais tarde para grandes cidades. No meio destes caminhos se estabeleciam também posto de cobrança de impostos (Registros, pedágios).
4- Usos e Costumes do Tropeiro – Todos a elementos materiais e imateriais do dia a dia do tropeiro. Isso pode ser observado na culinário, na indumentária, nas encilhas, nas traias, nas crenças, nas danças, na medicina campeira, no linguajar, no imaginário tropeiro (lendas, mitos, etc.), etc.
5- Tipos de Tropas – Tropas bovinas, muares, asininos, equinos, ovinos, suínos, gansos, perus, tropas de carretas. Cada uma com suas características própria de condução. Neste item, cada Região pode enfatizar a que era ou é ainda, a mais comum no local.
6- Ofícios Associados – Além de exercer seu próprio ofício de tropeiro, muitas vezes assumia outras atividades, como entregador de correspondências, objetos e muitas vezes era a única comunicação entre localidades. Mas outros ofícios se estabeleceram ao longo de sua caminhada, como por exemplo: seleiros, tecelões, ferreiros, ferrador, funileiros, guasqueiros, jacazeiros (cesteiros), bruaqueiros, frentistas, cangalheiro, taipeiros (de pedra), rancheiros, e outros regionais.

7- A Comitiva – A formação de uma comitiva normalmente apresenta estes elementos humanos: Tropeiro (inicialmente, nem sempre presente), condutor ou capataz, e os peões que também apresenta funções diferenciadas como ponteiro, madrinheiro, fiadores (costaneiros, flanqueiros), culatreiros, arribador, contador, cozinheiro e arrieiro. O número de peões, vai depender do tipo de tropa e do número de animais a serem tropeados.
8- Tropeirismo Regional – Após o grande ciclo econômico nacional do muar, o tropeirismo continuou sua atividade, agora mais regionalizado, envolvendo várias outras atividades de transporte com muares, como por exemplo: tropas de carregamento de lenha, pedras, areia, enxovais e diversos produtos agropecuários como pinhão, queijo, charque, açúcar, sal, aguardente, vinho, café etc. Além disso, ocorria e ocorre até hoje, movimentação de gado em pequenas e médias distâncias, principalmente de bovino e ovinos.
Outras atividades também podem serem realizadas pelas RTs, dependendo de sua demanda histórica. Além disso, cada um dos oito (8) itens apresentam várias títulos que podem ser individualizadas também, ou seja, as possibilidades de trabalho são bem extensivos.
Nota: Trabalho abnegado de Valter Fraga Nunes e Marco Aurelio Angeli (Zoreia). Vi o trabalho deles durante o evento Encontro de tropeirismo em Santo Antonio da Patrulha, dia 23, e o respeito que professores, como a Vera Lucia Maciel Barroso, tem por eles. São admiráveis. Coisas que normalmente ficam engavetadas, com eles é para ‘ontem’. As entidades precisam. Estão procurando. Obrigado tropeiros…

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