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Prefeitura declara luto oficial pelo falecimento de Paixão Cortes

27/08/2018 18:26:19

O prefeito Nelson Marchezan Júnior declarou luto oficial por três dias, a partir desta segunda-feira, 27, em sinal de pesar pelo falecimento do folclorista e Cidadão de Porto Alegre, João Carlos D’Ávila Paixão Cortes. Internado no Hospital Ernesto Dorneles, desde 18 de julho, faleceu nesta tarde aos 91 anos de idade. O tradicionalista Paixão Cortes foi modelo para a estátua do Laçador e, junto com Barbosa Lessa, criador do primeiro Centro de Tradições Gaúchas, o CTG 35, e também Patrono da 56ª Feira do Livro. O Diário Oficial de Porto Alegre publicou edição extra com o decreto 20.046/18.

“Paixão deixou um legado para todos nós. Através de seu trabalho pioneiro de resgate da cultura, hoje as tradições gaúchas estão presentes em diversos países”, declarou o prefeito Nelson Marchezan Júnior.

Nascido em Santana do Livramento, em 12 de julho de 1927, em 1939, aos 12 anos, mudou-se com a família para Uruguaiana. Em meados da década de 1940, já estava instalado na Capital, estudou no IPA. Formou-se em Agronomia na UFRGS, em Porto Alegre, e foi funcionário da Secretaria de Estado da Agricultura.

Ao longo das décadas de 1940 e 50, ao lado de Lessa e do Grupo dos Oito (turma de amigos do Julinho empenhados na pesquisa da tradição gaúcha), Paixão foi o mentor de uma série de solenidades que visavam a chamar a atenção para os símbolos socioculturais do gauchismo: a Chama Crioula (criada em 1947, como uma extensão da Chama da Semana da Pátria), o Desfile dos Cavalarianos, a Ronda Crioula (que, nos anos 1960, deu origem à Semana Farroupilha), e o primeiro Centro de Tradições Gaúchas, criado em 1948 com o nome de 35, por Côrtes, Lessa, Glauco Saraiva e Hélio José Moro.

Em 1954, quando da criação da escultura do Laçador, símbolo do gaúcho, o autor Antônio Caringi recorreu a Paixão Côrtes para ser o modelo para a estátua que se encontra próximo ao Aeroporto Internacional Salgado Filho. A fundação do CTG 35 acabou por inaugurar uma série de centros de cultura semelhantes, que hoje estão espalhados por todo o mundo.

Entre 1949 e 1952 Paixão Côrtes, juntamente com Barbosa Lessa, catalogou mais de duas dezenas de danças praticadas no Rio Grande do Sul, para fundar, no ano seguinte, o grupo de dança Os Tropeiros da Tradição. As pesquisas também deram origem, em 1956, ao Manual de Danças Gaúchas e ao LP Danças Gaúchas, em que a cantora Inezita Barroso gravou sua voz no que é considerado o primeiro registro em fonograma do resultado das pesquisas dos folcloristas.

Com suas pesquisas, Paixão ajudou a documentar os costumes e a arte do homem do campo, mas também reuniu documentos sobre o desenvolvimento da música urbana em Porto Alegre. Seu resgate histórico sobre a gravadora Casa Elétrica, por exemplo, foi fundamental para pesquisadores de todo o país entenderem como se deu a história do disco no país e na América do Sul.

Em 2017 o folclorista anunciou sua despedida da vida pública, para cuidar da saúde. Conforme carta divulgada pela família, Paixão seguiria organizando e enriquecendo seu extenso acervo documental de pesquisas. Parte dessa organização consistia em editar um livro de 700 páginas sobre danças tradicionais.

Paixão deixa a esposa Marina e os filhos Maria Zulema, Ana Regina e Carlos. O corpo será velado no Palácio Piratini e o enterro está marcado para esta terça-feira, 28.

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Texto de: Paulo Ricardo Fontoura
Edição de: Fabiana Kloeckner
Autorizada a reprodução dos textos, desde que a fonte seja citada.

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