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jul 03

Parthenon Literário Parte XIX Legado

É um consenso entre os historiadores que a fundação do Parthenon constituiu um divisor de águas no campo lítero-cultural do estado, e que sua atividade se revestiu de uma importância ímpar em seu tempo, mas também parece ser um consenso que essa importância reside principalmente na fundação da literatura de caráter regionalista e em seu papel genérico de dinamizadores culturais, uma vez que os frutos da sua produção especificamente literária, em termos estéticos e artísticos, ainda que de acordo com tendências da época, desde meados do século XX em geral têm sido considerados pobres, com poucas exceções. O Parthenon também esteve na vanguarda do movimento abolicionista estadual, exerceu relevante atividade política e educativa, e foi um pioneiro no processo de equiparação dos gêneros ao admitir e prestigiar as mulheres, embora de maneira limitada. A bibliografia crítica sobre ele é substanciosa, mas segundo Luciana Boeira ainda não contemplou em profundidade todos os seus aspectos relevantes, estando concentrada no estudo do seu papel no campo literário e do seu impacto histórico.
Para Athos Damasceno, a sociedade promoveu “o desentorpecimento de todo o aparelho institucional, em benefício do progresso do Rio Grande. E aí se surpreendem os primeiros sinais dessa nova fase de nossa História”; “e não apenas irá atuar vincadamente em nosso meio, intervindo em todas as esferas da vida rio-grandense, como será o ponto de partida, a origem de novas sociedades literárias que, no decorrer dos últimos trinta anos da centúria hão de construir-se, transmitindo umas às outras as responsabilidades do processamento de nossa cultura, seu sentido e seus objetivos”. Para Luciana Boeira foi “o caso mais bem sucedido de associativismo cultural do Rio Grande do Sul no século XIX”; segundo Camila Vellinho, “nenhuma sociedade congênere tivera, até então, em qualquer centro cultural do país, a importância nem a duração do Partenon. Antes da Academia Brasileira de Letras, fundada muito depois, o Partenon Literário foi, sem dúvida, a associação que revelou maior vitalidade no quadro geral da literatura brasileira”; para Flávio Loureiro Chaves seu aparecimento foi “um marco decisivo da história da literatura do Rio Grande do Sul”, a mesma opinião de Regina Zilberman: “O início efetivo da literatura no Rio Grande do Sul coincide com a atuação desses escritores que tomaram parte nesta agremiação. […] É com os membros do Partenon Literário que o esforço em prol do fortalecimento da literatura local, através da concretização de um circuito de produção e consumo de obras, é mais bem sucedido”. Na síntese de Maria Eunice Moreira,
“A proposição de mecanismos eficazes para a concretização de suas metas, a descoberta e a divulgação de autores e obras, a formação de um público leitor não só na capital, mas no interior, associados à sua longa duração, conferiram à sociedade um papel mítico na história da literatura riograndense. Reunidos pelos ideais republicanos e aglutinados por princípios políticos comuns, quais sejam, a república e a abolição da escravatura, a geração do Partenon Literário, como ficou conhecido esse grupo de intelectuais, provocou uma verdadeira revolução numa Província geralmente mais sacudida pela guerra do que pelas letras. […] O Partenon Literário assume uma função especial, pois seus agremiados são homens engajados com os ideais políticos da classe dirigente do Rio Grande e, ao mesmo tempo, é ainda esse grupo quem produz e divulga o material literário capaz de representar e conformar os anseios da comunidade onde está inserido. Organizando a vida literária no extremo do Brasil, os partenonistas colaboraram para sustentar a própria elite republicana no poder: artistas na criação, políticos na ideologia, mas, sobretudo, construtores da sociedade rio-grandense, o Partenon Literário conjugou finalidades literárias e políticas, do que resulta sua importância para a compreensão de um período histórico e para o estudo do nascimento da literatura do Rio Grande. Ler as narrativas escritas por esses primeiros escritores é, portanto, ler as páginas iniciais da formação do Estado e da gênese do seu processo literário”.

COLABORAÇÃO CESAR TOMAZZINI LISCANO

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