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jul 18

O Tradicionalismo Gaúcho, Covid19 e as Ações Solidárias

PELO DIA NACIONAL DA CARIDADE – 19/07

Os tradicionalistas ou os “militantes do movimento” como define Jarbas Lima em sua tese O sentido e o Alcance Social do Tradicionalismo, aliciaram-se de forma ativa e corporificada na campanha comunitária de ajuda aos que foram atingidos de uma maneira ou de outra pela pandemia do novo Corona Vírus. Empenham-se de tal maneira que se transformou numa verdadeira corrente de solidariedade. Estas ações se realizam em diversas modalidades, quer seja em arrecadação e distribuição de gêneros alimentícios ou materiais diversos incluindo os de higiene, construção, e outros.
Quem vê estas ações dos “soldados do Movimento Tradicionalista Gaúcho” nos dias atuais de pandemia, talvez imagine que são motivados pela mídia ou pela corrente de ações de ajuda que surgiram de vários segmentos da sociedade em todo o país tomadas de comoção pela atual crise que assola os principais setores vitais da economia brasileira, sem falar no que vem acontecendo no restante do planeta. Antes porém, há de se levar em conta o espírito solidário do povo gaúcho, e de se ressaltar o perfil de hospitalidade pelo qual é reconhecido em qualquer parte do mundo.

TRADICIONALISTAS E SIMPATIZANTES
O que nos faz tradicionalistas não é o uso diuturno da pilcha. O tradicionalista tem o amor às tradições como um sentimento que o identifica e que é traduzido em atitudes condignas aos preceitos desta causa. Assim sendo, não é só o uso da indumentária que nos torna um soldado deste movimento cultural chamado tradicionalismo gaúcho, mas também porque somos partícipes atuantes dos eventos da tradição gaúcha. E se seguimos a ideologia do Movimento Tradicionalista Gaúcho e suas normas, é porque que acreditamos e somos seus defensores, independente da investidura de qualquer cargo. Já os que os possuem encontram-se comprometidos moralmente por força de juramento que prestam ao os assumirem.
Os simpatizantes, os quais integram uma parcela significativa da sociedade, não têm este compromisso com as normas do Movimento Tradicionalista Gaúcho, contudo são solidários.

OS PRINCÍPIOS FILOSÓFICOS DO TRADICIONALISMO
Precisamos entender antes de qualquer coisa, que o tradicionalista soma a esse perfil do gaúcho, a convicção da causa que abraça. Isto porque ser tradicionalista é ter o compromisso de seguir os princípios ditados pelos documentos basilares que estabelecem a ideologia do tradicionalismo gaúcho, sendo eles: Carta de Princípios, a tese de Jarbas Lima (citado à cima), aprovada nos congressos de: Dom Pedrito em 1995, São Gabriel em 1996 e Santo Augusto em 1997. Além da tese “O Sentido e o Valor do Tradicionalismo”, de Barbosa Lessa, aprovada no primeiro Congresso Tradicionalista em 1954 em Santa Maria. Reforçando esta concepção ideológica, Paixão Côrtes, o idealizador de um sentimento tradicionalista que virou “Movimento”, já havia ressaltado que tradicionalismo é um estado de espírito. Conclui-se que, quando tomados de um estado de espírito, Paixão Côrtes refere-se a uma tomada de consciência tradicionalista que nos leva a algumas práticas do que Jarbas lima descreve em sua tese como valores do tradicionalismo gaúcho, sendo eles: Espírito Associativo (cooperação), Nativismo (amor ao solo natal), Palavra dada (palavra de honra), Defesa da Honra (Amor próprio), Coragem (desassombro), Cavalheirismo (nobreza e consideração), Conduta ética (caráter), Amor à Liberdade (questão de básica), Sentimento de Igualdade (sem castas), Politização (participação ativa no social), Senso de Modernidade (liberalismo).

AS AÇÕES SOLIDÁRIAS E A CARTA DE PRINCÍPIOS
As ações de solidariedade as quais os tradicionalistas se engajam há muito tempo em todas as frentes de ação social, e muitas das vezes por iniciativas próprias estão embasadas não só no seu espírito de tradicionalista, mas também na Carta de Princípios.
A primeira e principal diretriz filosófica do Tradicionalismo, é o documento máximo a nortear e a orientar as atividades do Movimento Tradicionalista Gaúcho, através das Regiões Tradicionalistas e suas entidades filiadas.
De autoria de Glaucus Saraiva e aprovada no 8º Congresso Tradicionalista, na cidade de Taquara, em 1961. Constituindo-se na clausula pétrea do Estatuto Social, onde compõe na integralidade o seu Artigo segundo, parágrafo único do referido documento.

O ESTUDO DA CARTA DE PRINCÍPIOS
Por ocasião do 36º Congresso Tradicionalista Gaúcho, de 10 a 13 de janeiro de 1991, no CTG “Júlio de Castilhos”, na cidade de Júlio de Castilhos/ 9ª RT, Dinara Paixão e Adriana de Rosa Yop apresentaram e aprovaram a proposta de realizar, por ocasião dos 30 anos do legado ideológico, um encontro estadual para estudo e reavaliação da Carta de Princípios do MTG. O referido encontro aconteceu em Santa Maria, nos dias 12, 13 e 14 de Julho de 1991. Sob a Coordenação de Dinara Paixão, os trabalhos foram divididos em cinco grupos: CÍVICOS; CULTURAIS; ÉTICOS, ESTRUTURAIS e FILOSÓFICOS.

ASPECTOS ESTRUTURAIS
Dentro deste aspecto a Carta de Princípios inicia fazendo um chamamento ao “exército” de seguidores do tradicionalismo. Preconiza em sua primeira cláusula:
Art. 1º – Auxiliar o Estado na solução dos seus problemas fundamentais e na conquista do bem coletivo.
Só por este artigo já é possível ter uma idéia da preocupação e a visão que teve Glaucus Saraiva, e pelo qual posiciona a nós tradicionalistas e integrantes ativos do meio social em que vivemos e a entidade tradicionalista como “instrumento” a serviço da comunidade. Pensamento este que também permeou as idéias visionárias de Barbosa Lessa na tese do Alcance Social.

Art. 11- Acatar e respeitar as leis e os poderes públicos legalmente constituídos, enquanto se mantiverem dentro dos princípios do regime democrático vigente.

Art. 17- Prestigiar e estimular quaisquer iniciativas que, sincera e honestamente, queiram perseguir objetivos correlatos com os do tradicionalismo.

Art. 21- Estimular e amparar as células que fazem parte de seu organismo social.

Art. 22- Procurar penetrar e atuar nas instituições públicas e privadas, principalmente nos colégios e o seio do povo, buscando conquistar para o MTG a boa vontade e a participação dos representantes de todas classes e profissões.

Art. 29- Buscar, finalmente, a conquista de um estágio de força social, que lhe dê ressonância nos Poderes Públicos e nas Classes Riograndenses, para atuar real, poderosa e eficientemente, no levantamento dos padrões morais de vida do nosso Estado, rumando fortalecido para o campo e o homem rural, suas raízes primordiais, cumprindo assim, sua alta destinação histórica em nossa Pátria.
Portanto há 59 anos nós seguimos estes artigos, ……. mesmo a pandemia sendo uma tragédia da atualidade, as atividades de auxílio social sempre foram voluntariamente efetuadas pelos tradicionalistas. Apenas fica a impossibilidade da confraternização. A tradicional roda de mate

O CULTO À TRADIÇÃO GAÚCHA E A PANDEMIA
A atual crise que enfrentamos em decorrência da pandemia do Corona vírus afeta diretamente nossas atividades no tradicionalismo. Sendo um dos primeiros seguimentos de atividade cultural, a parar, e pela previsão, o ultimo a retomar a normalidade. Tornando-se também um dos mais atingidos.
O Movimento Tradicionalista Gaúcho, que congrega todos os Centros de Tradições Gaúchas – CTG´s e entidades afins, adiou todo o seu calendário de eventos culturais, artísticos, esportivos, e campeiros. Mesmo assim tomou de imediato iniciativas de auxílio às comunidades com arrecadação e distribuição de alimentos. Em alguns casos preparando alimentação, disponibilizando para isso os galpões. Atualmente além deste auxílio, continua fazer cultura através de transmissões ao vivo de palestras e debates importantes. Teve que se reinventar para não parar. Aprendemos a lidar com nova tecnologia e uma nova forma de palestrar. A vantagem, é que um maior público é atingido. Este é o verdadeiro espírito de luta em defesa da cultura gaúcha.

Compilação de pesquisa: Cesar Tomazzini
Fontes: Teses e carta de Princípios do MTG

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