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fev 16

O RÁDIO: “muitas vozes, um mundo novo”

 – Dilmar Paixão –

(professor, escritor e poeta)

Esta coluna digital, tipo Chasque Pampeano, tem destinatário, como nome, texto e endereço. Digo mais: a mensagem tem texto e contexto. Por que não: pretexto?  Data: 13 de fevereiro de 2021.

A UNESCO, acrônimo em inglês da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura  (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization), agência especializada da ONU fundada em 1945 no intuito da paz e segurança mediante a educação, ciências naturais-sócio-humanas e comunicações e informação, tem um correio eletrônico que usa um lema atualizado: “Construir a paz nas mentes dos homens e das mulheres”. No ano seguinte da fundação da UNESCO, 1946, 13 de fevereiro, foi criada a Rádio das Nações Unidas. A propósito, o Correio da UNESCO considera o cenário de “Muitas vozes, um mundo”.

Uma proposta inicial da Espanha sugeriu em 2011, que 13 de fevereiro fosse proclamado “O Dia Mundial do Rádio”. A Conferência Geral da UNESCO propôs e a Assembleia Geral da ONU aprovou por unanimidade. Portanto,  13 de fevereiro é o Dia Mundial do Rádio.

Este texto tem endereço: Rádio Imembuí S.A. São, agora, 79 anos completos. A pioneira das emissoras de radiodifusão do coração do Rio Grande, Santa Maria.

Desde piá – e lá se vão seis décadas e dois anos – eu sou ouvinte do veículo de informação e música chamado rádio. E rádio à válvula, à bateria e à pilha, antes da eletricidade. Aqueles “trombolhos” de museu, tínhamos lá em casa. Meu pai, meu avô, meus parentes, de um modo geral, as pessoas eram ouvintes. Há uma canção, composta em família com o Kenelmo e o Chico, que a Oristela Alves, talentosa intérprete que trocou Uruguaiana para contribuir com a cultura e a arte de Santa Maria, nossa ouvinte certamente no Espaço Aberto, imortalizou na Califórnia: “Comunicado”!

Pela Rádio Cruz Alta, após o meio dia, iniciava o programa “Alô, Ouvintes”! E lá se despejavam os recados: “Atenção interior…”! Uma verdadeira utilidade pública, o correio eletrônico nada eletrônico e nem digital. Mas, da nossa época. Cerejinha, Schimitão, Plínio Araújo, José Luis – para citar alguns desses nomes da utilidade pública, do contato direto e fidelização do ouvinte. Futebol se ouvia pelo rádio. O narrador, narrava mesmo: indicava todos os detalhes da jogada e a gente não imaginava, ou seja, a gente “via” o jogo, lance a lance. Dia desses, ouvi o Inter SM e a vibração do Vicente Paulo Bisogno, aqui, na Imembuí. Nem seria preciso ver a imagem no facebook da federação gaúcha de futebol. Recordo-me de grandes narradores. Muitos e em épocas diferentes. Outra lembrança, com muito orgulho: Luis Alberto Vargas. Enfim, hoje, eu assisto, vizinho de cabine, a qualidade do Zé Aldo Pinheiro, a história viva do Haroldo de Souza, a gauchidade do Pedro Ernesto Denardim. Eu vi de perto, a narração do Armindo Antônio Ranzolin.

Há quem diga: “Naqueles tempos, naqueles tempos, sim…” – eta Aparício Silva Rillo na voz do Marco Aurélio Campos. Naqueles tempos.

Vozes recentes surgem a cada transmissão. Inovam. Renovam. Criam-se e se recriam ao lado de grandes teses dos comentaristas. Aliás, repórteres, setoristas, fundo do campo e goleiras (hoje se chama “gramado”, vestiários (agora: “zona mista”); antes plantão na polícia, repórter no futebol, comentarista no esporte, quem sabe comentando tudo, político, prefeito, senador, deputado… Rádio.

Pois bem, sem muito saudosismo, permitam-me que eu, marcada essa reminiscência, conte-lhes do ano de 1980, pós NPOR de Artilharia, no Regimento Mallet. O Padre Paulo Aripe, criador da Missa Crioula, foi trazido por Dom Ivo para assumir a Direção da Rádio Medianeira, AM 1.130. Não existiam emissoras FM. Entre as iniciativas dele, estava a ideia de criar e organizar uma equipe de nativismo, para que pudesse cobrir a Califórnia. Padre Paulo Aripe buscou-me em Cachoeira do Sul: “vamos apoiar que vai nascer a Tertúlia Nativista de Santa Maria”. Você vai comigo, vamos montar uma equipe e transmitir a Califórnia, ao vivo, de Uruguaiana.

Cidade de Lona e lá estávamos nós. Carlos Nunes, o Carlinhos daqui, um grande plantão; Sérgio Ricardo Porciúncula da Cruz, Antonio Lima, o Carlos, o Rogério, Antônio Jorge, e, na técnica, uma longa lista de colegas. Da Califórnia, a Tertúlia, a Coxilha, a Seara, o Musicanto e outros festivais; com Nenito, Norton César, a Dinara, a Rádio da Universidade AM 800 e – quase – a Rádio Gaúcha. Parceria buena do Caco Vargas, Celso Franzen, Protásio, João Batista, Paulo Ari Moreira, Hugo Fontana. Padre Paulo transferido, 1990, Rádio Imembuí, direção Vicente Paulo Bisogno, pós Quintino Oliveira e uma nova equipe de nativismo estava formada: os Brondanis, Ângelo e Hermes, o Caneda, o Antonio Lima, reportagens da Dinara e o enriquecimento, nos comentários, da qualidade musical do Daniel Morales e da crítica literária ilustrada do Orlando Fonseca. Daniel e Orlando, outros dois nobres docentes colegas aqui da Universidade Federal de Santa Maria.

Eu sou do tempo do rádio sem televisão. As nossas transmissões tinham esse cuidado, de mostrar o mais explícito possível cada acontecimento. Eu ouvia e ouço Rádio.

Antes da Rádio Nativa, 1994, criamos com os colegas do rádio regionalista, o Primeiro Encontro de Comunicadores da Cultura Gaúcha, no dia 22 de abril, dia do radialista. Rádio Imembuí. Muitos apoios: Salete Barbosa, Caco Vargas, Adolar Martins, o Elói de Ávila, pela Rádio Noroeste de Santa Rosa e valiosos colegas de várias emissoras do país, preocupadas com a cultura, a arte e o saber dos povos. Na atualidade mais gente: José Alberto Andrade, no Galpão Crioulo; Aldo Assis Ribeiro, Rádio Erechim; Dilerman Zanchet, Rádio Planalto, Passo Fundo; Valdir Oliveira, Sérgio Guedes, gente da casa…

Texto e contexto desenhado, eu assinalo o pretexto: o dia do Rádio. Permitam-me, respeitosamente, que eu indique um destinatário: nos 79 anos da fundação da Rádio Imembuí, é o ano do seu centésimo nono aniversário. Parabéns Cláudio Zappe! A família Paixão abraça-o e ao mano Alcides Zappe igualmente. Destino a vocês, o abraço efusivo, o reconhecimento, a saudação feliz em vê-los juntos, liderando a equipe da Rádio Imembuí e da Rádio Nativa, aliás, a grande rede da informação a serviço das pessoas e comunidades. A editoria do www.chasquepampeano.com.br, no aceno do comunicador Paulo Roberto Guimarães, representando tantos colegas do nativismo, do tradicionalismo e do gauchismo midiático e digital assinam conosco esses cumprimentos à liderança Cláudio e Alcides Zappe, no Dia do Rádio.

Direção, profissionais e ouvintes, colegas da radiodifusão de todas as emissoras formais, empresariais, comunitárias e rádio-webs sintam-se todos homenageados. Um carinho muito especial de apoio e valorização aos que se dedicam à comunicação e à informação da nossa cultura, usos e costumes do povo: #TamoJuntos !

           

De outra feita, uma nova empreitada, porque a Tropeada Continua !      

Santa Maria, 13 de fevereiro de 2021.

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