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ago 27

O Galpão de Estância

 

Antes de falar em galpão de estância, precisamos nos ater para a definição de estância. Estância é a propriedade rural cuja denominação tem origem nas propriedades rurais da Argentina e do Uruguai, e que chegaram até a então província de São Pedro pelos Jesuítas. Assim sendo estância é área rural, cujo proprietário conhecido como patrão, reside e está sempre que pode com os empregados, ou a peonada como são conhecidos os peões que trabalham nas tarefas do dia a dia. Trabalhos estes que vão desde a ordenha de manhã cedo, depois cavalgam pelos campos na lida que chamam de campereada, laçam, domam, e trabalham com o rebanho para cura ou marcação, etc.
Na estância o galpão se constitui no local de reunião da peonada ao final do dia para descanso e até serve como dormitório dependendo do tamanho. Possui o local do fogo de chão, que é dotado de uma chaminé ou uma lareira, onde se pode fazer o fogo alimentado por toras de madeira e que formam um braseiro e através deste é aquecido água para o chimarrão ou ainda fazer um café de cambona ou chaleira. A peonada se acomoda ao redor do fogo para chimarrear, e nestas rodas de chimarrão ou de mate como é conhecida esta bebida na região da fronteira, são relatados os feitos do dia com a lida na estância. Por isso que se diz que galpão de estância é o local de reunião da peonada com o patrão para tratar do que foi feito no dia e planejar o trabalho do dia seguinte. Outro fato notório é que em outros tempos de antigamente mulher não entrava em galpão, ou pelo menos não permanecia dentro dele, pois ali só tinha homens e assuntos de trabalho que era feito por eles. Muito embora sabe-se que em tempos de guerra, a mulher assumiu a administração das estâncias, mas no geral eram homens que o faziam.
Como eram os galpões? Geralmente uma edificação rústica de piso de chão batido e paredes de madeira e em alguns casos de pau a pique barreado. Coberta de capim tipo Santa Fé, mas que podiam ser encontrados telhados de telha de barro. Poucas janelas e uma porta larga para que se pudesse entrar com objetos grandes como sendo carroças, arreios, arados pequenos, utensílios de trabalho em lavoura, etc. Outra característica dos galpões era a existência de giraus para acomodação de ferramentas de trabalho ou fardos de alfafa, rolos de fumo em corda, vasilhames de remédios para o gado, etc. Em uma de suas paredes reservava-se como sendo um local exclusivo para pendurar as cordas de encilha, ou seja, as rédeas e próximas a estas cavaletes com os arreios de montaria.
O ambiente se caracteriza por pouca iluminação já que são usados lampiões ou lamparinas para essa função o que acaba por enfumaçar as paredes e até o teto. Por esta razão o galpão também exala um cheiro caraterístico de fumaça. Próximo ao local do fogo de chão se podem ver pregos nas paredes para pendurar canecos ou cambonas (recipientes rústicos de lata e cabo de arame), pequenas panelas, colheres de madeira, etc. Ainda faz parte deste local um armário para acomodar potes com erva-mate, café, açúcar, etc. ou copos para um café simples e rápido. Vale lembrar que galpão raramente possui cozinha. As refeições são preparadas e consumidas na casa do capataz (encarregado dos peões), que fica separada da casa do patrão e separada do galpão.
Pra concluir, a peonada se acomoda para um descanso sobre os pelegos de montaria, pelos cantos do galpão, por isso muitas vezes encontramos ainda no galpão cantos com camas improvisadas chamadas de catres de lona para descanso em dias de chuva principalmente, já que em dias assim o trabalho no campo fica impossibilitado de se realizar. Dia de chuva também é dia em que os peões aproveitam para fazer cordas e trançar rédeas e pôr em dia seus apetrechos de montaria. Por esse motivo encontramos também nos galpões muitas rédeas penduradas e laços estirados.

Por Cesar Tomazzini.

Fonte: leituras diversas.

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