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fev 27

“O erro é querer comer toda pizza sozinho”, diz Tomás, do Yangos

Depois de vários videos de músicos gaúchos pedindo a gauchada que dedique um minuto de seu tempo para pedir, ou escutar uma música gaúcha, outras postagens chamaram atenção. O Movimento Tradicionalista Gaúcho abriu as portas para reunir a classe musical, assim como fez a Assembleia Legislativa (mas esta, por um outro viés) mas em ambas reuniões vimos poucos músicos. os que foram, com certeza abraçados à causa.
Mas o que muitos concordam foi com a frase de Tomás Savaris quando se referiu aos que estão bem, que fique como está: “o erro do gaúcho é querer “comer toda a pizza sozinho”. Fernando Espíndola, do grupo Alma Gauderia, durante a reunião no MTG alertou sobre isso. A presença de Joca Martins na reunião mostrou que há engajamento também daqueles que são destaque na música.
Vejamos o debate que se formou no facebook sobre a questão:

Tomás Savaris – Grupo Yangos

Bom,.,. nos últimos dois anos tive a alegria de passar com a música por alguns Estados do Brasil (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Pernambuco) e alguns outros países (Uruguai, Argentina, Colômbia e EUA). O que eu percebi nesses locais? Que há um investimento no mercado por parte dos músicos!

Essa questão de firmar parcerias com outros músicos não se trata de formação de novos músicos somente,.,. nem devemos ver como desvalorização do músico quando nos “obrigamos” a abrir mão de alguma parte de nosso cachê. A formação de público parte daí! Acreditem ou não!

Atualmente a música do Sul não está sendo “consumida” como era em outras épocas (épocas que eu era somente público), mas há uma maneira de reverter isso: INVESTIMENTO NO MERCADO! E sim, senhores! O investimento dessa nova formação de público deverá ser feito pelo músico (NÃO,., não fico feliz com isso, porém é a realidade, doa a quem doer!).

Realmente essa fórmula não é inédita,.,., ano passado, eu conversei com um camarada no Latin Grammy (vencedor de melhor produção),.,. aí eu percebi que o erro do gaúcho é querer “comer toda a pizza sozinho”…. Em grande parte da América, os gêneros ouvidos pela grande massa trabalham com uma força tarefa e divisão parecida com a citada nesse post.

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Interessante e louvável a iniciativa do MTG e músicos regionalistas em defesa da “nossa música”. Para contribuir, faço uma sugestão aos músicos: Quanto forem contratados para um espetáculo, levem junto um musico menos conhecido e que seja do local da apresentação, ou próximo, e pague a ele 20 ou 30 % do seu cachê. Se todos fizerem isso, haverá um magnifico movimento multiplicador que produzirá uma onda de efetiva valorização da música e dos músicos regionais. A efetiva valorização começa em casa” (O post que se refere Tomás é de Manoelito Savaris).
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O artista grande faz parceria (contrata) um artista local para abrir o show (não valor fechado, mas % da noite), que por sua vez, faz todo o “barulho” para colocar gente… para as pessoas da cidade é legal saber que “os seus” estão envolvidos com artistas maiores e, assim se motivam a sair de casa para assistir… Com isso, o artista local ganha força e consegue promover mais eventos em sua cidade (chamando também artistas da cidade menor que eles, pois a CORRENTE não pode quebrar! Se quebrar, não funciona!).

Com isso, meus amigos, a cena daquela cidade ganha força,.,. permitindo que, ao invés do músico tocar lá um vez por ano, retorne muitas vezes! Isso é fortalecer o mercado e criar público! Para quem não crê nisso,., siga tentando outras formas… ou siga esperando valorização de um público reduzido…” – Tomás Savaris – YANGOS


Leandro Berlesi – “Nosso grande problema não está em formar novos músicos, e sim em criar e qualificar novos e antigos espaços p nossos artistas mostrarem sua arte. Precisamos aumentar nosso público.

O cachê mais caro, do nosso maior artista, não cobre a despesa de camarim de um artista mediano do centro do país.

E certamente, os mais de 1000 CTGs ativos no RS, seriam espaço mais do que suficiente para fomentar nosso mercado musical. E as entidades não se importariam de pagar 100 mil p uma atração musical, desde que o mesmo desse o retorno esperado.


Mas hoje, os galpões que ainda contratam artistas consagrados ou apostam em novos talentos, são verdadeiros heróis da nossa arte. Precisamos trazer o povo de volta aos nossos bailes e shows. É uma luta árdua“.

Em outro post: “De antemão… convido a todos p a Quinta de Galpão do CTG GILDO DE FREITAS. Nossa nova REVOLUÇÃO é pelo crescimento da nossa arte.
Vamos vencer essa?”

 


Jeandro Garcia

Também tenho a mesma visão do Leandro Berlesi, temos muitos músicos e de qualidade… Mas os CTGs em busca da competição viraram as costas para a comunidade e hoje não conseguem realizar eventos que justamente estes músicos poderiam estar presentes. A ideia realmente é boa, mas antes precisamos criar mais público e mais eventos para daí sim alguém ser contratado e ter a oportunidade de convidar outro alguém“.


Manoelito Savaris – “Pois a ideia não é inédita. Esse sistema já funciona em várias partes do mundo. O musico local, convidado pelo artista “famoso” contratado, cumprirá um papel importante de divulgação e criará uma simpatia automática em relação ao artista que demonstra despreendimento e preocupação em ajudar os menores. A questão dos baixos cachês e a precariedade dos CTGs é outro debate. Me arvoro no direito de resgatar o que disse em 2001 (quando muita gente boa achava que a tal tchê music seria a redenção): “ou nos unimos para impedir essa ação egoísta e equivocada ou daqui a 15 anos vamos lamentar profundamente” – disse ele em 2001″.

 

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