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nov 22

Músico promove ensino gratuito de gaita ponto a jovens do Sul

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As gaitas são fabricadas com madeira de eucalipto certificada, exclusivamente para uso dos alunos. Foto: Divulgação

O acordeão diatônico, conhecido popularmente como gaita de oito baixos ou gaita ponto, é um dos principais instrumentos musicais usados nas músicas de tradição gaúcha. O músico e compositor porto-alegrense Renato Borghetti, temeroso que a memória musical de raiz dos sulistas se perdesse com a falta de instrumentos e de pessoas capacitadas para tocá-lo, idealizou o projeto Fábrica de Gaiteiros. O ano era 2010.

“Num determinado momento da história, ficamos sem nenhuma fábrica de gaita no Brasil. Quando comecei a tocar tinha umas quatro. Depois foram fechando. Me preocupou muito. Daí o projeto de recuperar a fabricação”, explica Borghetti, que tem mais de 30 anos de carreira como músico.

Há cerca de oito anos, conseguiu uma pequena equipe para iniciar a produção desses instrumentos. Inicialmente, confeccionavam em uma escola pública no município de Guaíba e, quase três anos depois, inauguraram uma sede própria na cidade de Barra do Ribeiro, no Rio Grande do Sul. A fabricação é para uso exclusivo dos alunos e não tem fins comerciais.

“Nunca imaginei virar indústria. A ideia do projeto é recuperar a fabricação e todos os instrumentos que a gente fabrica são direcionados para as aulas, que são gratuitas. Os alunos não precisam comprar o instrumento, que não é barato, e ainda podem levar para casa para estudar”, destaca o músico.

De acordo com Borghetti, durante os quase oito anos de Fábrica de Gaiteiros, quase 500 jovens de sete a 15 anos já passaram ou ainda estão no projeto. Atualmente, as aulas são ministradas em nove unidades no Rio Grande do Sul, distribuídas nas cidades de Barra do Ribeiro, Bagé, Butiá, Guaíba, Lagoa Vermelha, São Gabriel, Tapes e em duas escolas em Porto Alegre, além de outras duas no estado de Santa Catarina, nas cidades de Lages e Blumenau.

Apoio

Renato Borghetti produziu um documentário sobre a Fábrica de Gaiteiros, que pode ser conferido na internet: Parte 1 e Parte 2. Foto: Divulgação

Para garantir o sustento de todas as unidades e a remuneração dos 11 professores, Borghetti vem buscando uma série de apoio e patrocínios com entidades públicas e privadas. Nos últimos dois anos, quando avaliou que o projeto estava bastante maduro, passou a procurar fazer uso da Lei Rouanet e, assim, dar aos seus patrocinadores o benefício da renúncia fiscal. Para bancar as atividades de todo o ano de 2017, conseguiu captar R$ 310 mil.

“Antes do início do projeto eu bati em várias portas. Quando tive esta ideia em 2008, 2009, era tentar os recursos e na maioria das vezes receber não. Quando começou foi sem nenhuma lei. Fui aprendendo com ele, porque não tinha outro que a gente pudesse se espelhar. A Rouanet é fundamental para depois que o projeto está maduro, sério. É fundamental para colocar em prática mais ideias que a gente tem”, avalia Borghettinho, como também é chamado.

Renato Borghetti ressalta que a meta das unidades de ensino são deixar para a nova geração a oportunidade de aprender a tocar um instrumento e se aproximar de sua herança cultural, não necessariamente formar músicos. No entanto, comemora ao saber que ex-alunos como Roger Corrêa tocam profissionalmente e que, no momento, realiza turnê na Espanha.

“Virar profissional da música depende deles. Mas, em geral, os principais resultados que a gente nota é a melhora o desempenho escolar deles, em matemática, na socialização. É o que todos os pais dizem”, finaliza orgulhoso.

Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura

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