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jul 28

Maj. João Cezimbra Jacques parte II

Patrono do Tradicionalismo Gaúcho
13/11/1848 – 28/07/1922
O MILITAR JOÃO CEZIMBRA JACQUES
Sua vida militar pode ser assim resumida:
Em 1867, contando apenas 18 anos de idade e à revelia de seus avós, por quem estava sendo criado, alistou-se no 2º Regimento de Cavalaria, que passou a integrar o 3º Corpo do Exército Brasileiro que operou no Paraguai.
Finda a guerra, retornou à Pátria como 2º Cadete do 4º Regimento de Cavalaria, tendo sido condecorado com medalhas conferidas pelos governos do Brasil, Argentina e Uruguai.
Logo após seu regresso, verifica praça no dia 1º outubro de 1870, ingressando, como filho de militar, diretamente na Escola Militar. Gaúcho até a medula dos ossos, preferiu a Arma de Cavalaria, concluindo o respectivo curso no ano de 1874. Foi elevado a Alferes em 1875, a Tenente em 1884 e a Capitão em 1891.
Em 1895 comandava o 3º Esquadrão do 3º Regimento de Cavalaria.
Foi instrutor da Escola Preparatória de Rio Pardo e do Curso D’Armas da Escola Militar do Rio Grande do Sul em Porto Alegre.
A compulsória atingiu o Major Cezimbra Jacques em 1901 e, segundo pesquisas do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul, foi transferido para a reserva do Exército nacional no posto de Coronel.
Mestre, desenvolveu atividades, desde o tempo do Império, na Escola Preparatória de Rio Pardo, grande celeiro de Oficiais Superiores do nosso Exército, e na Escola Militar de Porto Alegre, também famosa pelo número de Oficiais ilustres que passaram pelos seus bancos. De um dinamismo incomum, era muito acatado, quer no meio civil, quer no militar. sendo muito estimado por alunos e considerado por seus pares.
Foi instrutor militar do Instituto de Ensino da Escola de Engenharia, hoje Colégio Estadual Júlio de Castilhos.
A OBRA DE JOÃO CEZIMBRA JACQUES
Seu pioneirismo nos é revelado por diversas iniciativas: como escritor versou sobre assuntos até então pouco explorados ou inéditos em nossas letras; por sua inspiração e trabalho de proselitismo foi criado o Grêmio Gaúcho, núcleo primeiro no culto sistematizado das tradições sul-riograndenses; fez parte dos primeiros adeptos do positivismo em nosso Estado; foi um dos primeiros gaúchos a escrever sobre o problema social; falava o francês, o guarani e o caigangue, e gozava de prodigiosa memória.
Sua participação na vida pública, social e intelectual do seu Estado foi profícua e plena de serviços prestados.
Dotado de profundo espírito cívico-patriótico, suas atenções encontravam-se permanentemente voltadas para as origens e fatos de sua terra e usos e costumes do homem nela integrado.
Escritor, conferencista, indigenista, professor e instrutor, possuía o poder da persuasão. Com facilidade atraía amizades e sua palavra, simples mas incisiva, conquistava adeptos para os seus ideais.
Cidadão integrado na política de seu país, foi um dos fundadores do Partido Republicano no RS (1880).
Já na reserva do Exército, teve ativa participação nas liças partidárias. Freqüentemente proferia palestras e conferências versando sobre assuntos políticos; escreveu dois pequenos ensaios: “O Parlamentarismo e o Presidencialismo” e “O Presidencialismo Puro”, ambos em 1918.
Integrou o elenco de intelectuais gaúchos que fundou a Academia de Letras do RS, onde ocupou a cadeira de Crítica e História. É o patrono da cadeira nº 19 da atual Academia Riograndense de Letras.
Discípulo convicto de Augusto Comte, revela seus ideais positivistas em vários ensaios sobre política e assuntos locais, todos embasados no Sistema Político Positivo. Seguindo seu destino de antecipar fatos e idéias, Cezimbra Jacques publicou, também em 1918, um pequeno ensaio sob o título “A Proteção ao Operariado na República”, tema pouco explorado e quase tabu à época.
Indigenista, falava muito bem o Guarani e possuía bons conhecimentos do Caigangue, o que lhe permitia dialogar com representantes dessas tribos. Era uma espécie de cônsul dos aborígenes semi-civilizados então existentes no RS. Recebia-os em sua residência na Várzea ( atual Avenida João Pessoa, em Porto Alegre), onde por vezes eram alojados. Encaminhava-os aos poderes competentes, apadrinhando suas reivindicações.
Além de considerações a respeito da vida, usos e costumes dos indígenas sul-riograndenses, registrados em seu “Ensaio Sobre os Costumes do Rio Grande do Sul” (1883) e em “Assuntos do Rio Grande do Sul” (1911), escreveu uma pequena monografia intitulada “Frases e Vocábulos de Aba Neenga Guarani e Notas Sobre os Silvícolas”.
Estas duas obras tratam de história, geografia, usos e costumes das gentes da raia meridional patrícia, de alto interesse para antropólogos, folcloristas e estudiosos em geral.. Variada é a matéria apresentada: música, poesia, danças populares, crendices e superstições, aspectos lúdicos, culinária, indumentária, pelagens bovina e eqüina, lendas em sua pureza primitiva, colhidas diretamente da boca do povo, e outros aspectos da vida do homem do campo que faz da faina pastoril o motivo e a razão de ser da sua existência.
Registra ainda um pequeno vocabulário; dá-nos uma sintética notícia da nossa antologia literária e inclui valioso estudo etnográfico referente aos indígenas instalados no RS.
Um estudo sério da formação do homem no pampa sul-brasileiro não pode prescindir de consultar a obra de Cezimbra Jacques.
É mais um mestre, um pesquisador e divulgador que um escritor. Sua aspiração era ser útil, e o foi.
Apaixonado por seu pago, orgulhoso da história, admirador da geografia e profundo conhecedor dos costumes sul-riograndenses, por ele recolhidos, analisados e, principalmente, vividos, passou a publicar os resultados das suas remebranças, observações e pesquisas em periódicos. Posteriormente, atendendo a solicitações de amigos e admiradores dos seus trabalhos de coleta e divulgação, enfeixou-os nos dois referidos volumes.
O GAÚCHO JOÃO CEZIMBRA JACQUES
Entusiasta e excelente tocador de viola, era grande conhecedor das danças antigas, cujas características – coreografia, música e letra – recolheu nas suas andanças pelos pagos.
Foi um grande ginete e exímio domador. Anacleto Torres, relata que João Cezimbra Jacques costumava passar temporadas nas estâncias de parentes e amigos, participando, com invulgar entusiasmo, de todas as práticas campeiras, nas quais se revelava um verdadeiro mestre, informando-nos ainda que “usava estribos de cônica aspa de touro brasino e botas de meio pé, feitas de garrão de bagual tordilho-negro”.
Conseguiu ver colimado seu anelo de criar no Rio Grande do Sul entidades de cunho nativista onde, segundo suas próprias palavras, se pudesse “cultivar os usos salutares do passado, já nos outros ramos de atividades de um povo, já nos jogos e diversões, de modo a poder-se reproduzir esses quadros da vida dos nossos Maiores nas comemorações dos grandes acontecimentos do passado…”.
Auxiliado por um grupo de dedicados patriotas, civis e militares, e entre estes, colegas e alunos da então Escola Militar, fundou o Grêmio Gaúcho na cidade de Porto Alegre, no dia 22 de abril de 1898. No seu próprio dizer, foi ele o “primeiro iniciador de sociedades dessa ordem no Rio Grande do Sul” com a fundação do Grêmio Gaúcho.
Por este motivo foi agraciado com o honroso título de Patrono do Tradicionalismo Gaúcho, resolução tomada em Congresso Tradicionalista Gaúcho efetivado na cidade de Rosário do Sul.
Ao homenageá-lo nesta data solene, ano do sesquicentenário de seu nascimento e centésimo primeiro da fundação do Grêmio Gaúcho, o fazemos com especial deferência.
Ao insigne mestre deste Velho Casarão da Várzea, Coronel João Cezimbra Jacques, o Colégio Militar de Porto Alegre e o Exército Brasileiro curvam-se num preito de honra, respeito e admiração.

Ao mesmo tempo, o CTG Potreiro da Várzea, captando e exprimindo o sentimento dos gaúchos de todas as querências, ergue os olhos para o firmamento e, com a voz embargada pela emoção, grita em alto e bom tom: “Obrigado, tchê Cezimbra!”.
Texto preparado pelo Cel Leonardo Araujo, baseado na obra biográfica realizada pelo Cel PM Hélio Moro Mariante e em estudos do Cel Cláudio Moreira Bento.

Pesquisa: Cesar Tomazzini.

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