«

»

ago 20

Folclore, Dia Internacional – 22/08 Parte III

FOLCLORE GAÚCHO

A INDUMENTÁRIA: O MODO DE VESTIR DO POVO GAÚCHO. E AS ATIVIDADES CAMPEIRAS

ALGUNS ASPECTOS DO TRAJE MASCULINO

Mais tarde com a estabilização das estâncias como propriedades rurais espalhadas por todo o território gaúcho, as lidas campeiras que passaram a ser a atividade principal do homem rural atuando como empregado fixo dessas localidades, sem deixar de lado os apetrechos como ferramentas para execução destas tarefas.
Em decorrência desta diversificação de atividade, os utensílios de trabalho foram incorporados à indumentária campeira, como por exemplo: a faca; o tirador, uma espécie de avental de couro que protege da refrega do laço contra a perna do laçador; a própria bota que evoluiu da antiga bota garrão de potro para a atual que tem reforço de couro curtido e solado duro, o chapéu que dependendo da região pode variar modelo e tamanho da aba, o relho que assume formatos e nomes variados, dependo da finalidade; o poncho para proteção de dias chuvosos e frios; a espora que auxilia na condução do cavalo. Em se tratando de montaria a indumentária campeira inclui os o conjunto de peças em couro cru trançado; o lombilho, rédeas, loros e estribos, fazem parte dos arreios tão necessários para execução de tarefas que as vezes levam horas da cavalgada.
O traje masculino dos estancieiros da época das charqueadas, revelava o poder econômico e a forte influência social. O uso de bragas e chiripás com paletós sempre acompanhados do lenço. Já a bombacha Existe mais de uma versão, e uma delas está ligada à invasão árabe à Península Ibérica, no século VIII: os mouros trajavam bombachas e este hábito foi incorporado pelos nativos, já que o domínio da região durou 600 anos. Assim, a vestimenta teria chegado ao pampa através dos colonizadores, especialmente os espanhóis da região de La Maragateria, ao norte do país.A uma probabilidade para que seja de origem arabe, mas a mais provável é que seja de origem turca. Nessa segunda versão, mais aceita, a bombacha fez seu caminho através de duas guerras: a guerra da Crimeia (1853-1856) e a guerra do Paraguai (1864-1870). Esta peça do vestuário masculino se tornou a principal característica do traje masculino, que o identifica o homem gaúcho.

ASPECTOS DO TRAJE FEMININO
As mulheres estancieiras que tinham posses, tiveram seu trave feminino influenciado pelo que se vestiam os europeus, incluindo tecidos caros.
A mulher passou a usar um casaco rendado e pernas cobertas por meias. Os cabelos ficavam soltos ou trançados quando a mulher era solteira ou preso em um coque para as senhoras. Os sapatos eram fechados. Os acessórios eram broches, camafeus e fichú (espécie de lenço de seda ou crochê, fechado com broche).
A mulher empregada nas estâncias usavam saia simples, chinelos de couro ou tamanco, e blusa simples de meia manga ou manga comprida. Cabelos presos e às vezes cobertos com lenço protegendo do sol ou para afazeres na cozinha.

AS ATIVIDADES CAMPEIRAS

O PEÃO DE ESTÂNCIA
Mediante ao crescimento do número de empregados nas estâncias, chamados peões de estâncias e a popularização deste tipo de trabalho surgem também outras tarefas em decorrência da necessidade de aperfeiçoamento e facilitação para a sua execução.

O GUASQUEIRO
Para confecção de todo o aparato de cordas e rédeas, assim como acessórios de montaria, há necessidade de mãos habilidosas para retirar o couro cru em tiras, chamadas de tentos, e depois de lonquear (retirar o pêlo), é feito a trança que se transforma em rédeas, laços, cabo de relho, etc. A esta especialização do trabalhador em couro dá-se o nome de guasqueiro.

O GINETE
Assim sendo passam a integrar o folclore gaúcho tarefas como domador de cavalos conhecido como ginete dado a destreza em montar e fazer do cavalo seu parceiro de trabalho. O cavalo é de suma importância para a tarefa de lida com o gado e percorrer grandes distâncias pelos campos da propriedade rural, sem contar que se enfrenta nestes campos, difíceis acessos como banhados e vegetação rasteira. Para isso só o cavalo pode transitar com facilidade. O animal nasce xucro, e não se deixa montar é preciso domesticá-lo para que seja possível saltar em seu lombo e executar tarefas pertinentes, que muitas vezes só podem ser feitas à cavalo.

O LAÇADOR
O laçador que está representado em monumento que se constituiu em símbolo da cidade de Porto Alegre, baseado em modelo vivo do folclorista e pesquisador João Carlos Paixão Côrtes, é uma atividade que surge da habilidade do homem com seu instrumento de trabalho o laço.

O ESQUILADOR
Com o crescimento dos rebanhos ovinos surge a profissão de esquilador, que na verdade se constitui numa equipe denominada COMPARSA, onde cada um tem uma função definida. O maneador: encarregado de atar as patas do animal para imobilizá-lo evitando que se debata e que ocorram ferimentos com a tesoura; o curador, que trata os ferimentos que por acaso tenham ocorrido e que possam se tornarem locais de infecção grave; o classificador, que classifica e separa a lã de má qualidade da de boa qualidade e que têm diferencial no valor comercial; e o socador é o que fica acomodando a lã em alvéolos em grandes fardos socando-os com os pés.

Por Cesar Tomazzini
fonte:
Estudos Rio Grandenses, Geografia, História e Folclore
Lendas do Sul: Simões Lopes Neto.
Festas Juninas Gaúchas – Paixão Côrtes.
Rio Grande do Sul, prazer em conhecê-lo – Barbosa Lessa

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas em pé
Nenhuma descrição de foto disponível.
A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas em pé
A imagem pode conter: texto
A imagem pode conter: uma ou mais pessoas

Deixe uma resposta