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jun 04

Festa Caipira não é Festa Junina Gaúcha

Em 2010, quando ainda coordenador, da primeira Região Tradicionalista do MTG, fui convidado pelo Colégio Julho de Castilhos para um a festa Junina. Chegando lá percebi que Paixão Côrtes também fora convidado. Quando ele fez uso da palavra e falou a respeito das festas juninas e as nossas tradições, me interessei pelo assunto e passei a pesquisar em seu livro SÃO JOÃO NA TRADIÇÃO GAÚCHA.

As festas juninas no Brasil são, em sua essência, multiculturais, embora o formato com que hoje as conhecemos tenha se originado nas festas dos santos populares em Portugal: a Festa de Santo Antônio, a Festa de São João e a Festa de São Pedro e São Paulo principalmente. A música e os instrumentos usados (cavaquinho, sanfona, triângulo ou ferrinhos, reco-reco etc.) estão na base da música popular e folclórica portuguesa e foram trazidos ao Brasil pelos povoadores e imigrantes do país irmão. As roupas caipiras ou saloias são uma clara referência ao povo campestre que povoou principalmente o nordeste do Brasil e pode-se encontrar muitíssimas semelhanças no modo de vestir caipira no Brasil e em Portugal. Do mesmo modo, as decorações com que se enfeitam os arraiais iniciaram-se em Portugal, junto com as novidades que, na época dos descobrimentos, os portugueses trouxeram da Ásia, tais como enfeites de papel, balões de ar quente e pólvora. Embora os balões tenham sido proibidos em muitos lugares do Brasil, são usados na cidade do Porto em Portugal com muita abundância e o céu se enche com milhares deles durante toda a noite. A dança de fitas típica das festas juninas no Brasil origina-se provavelmente da Península Ibérica.[2]
No Brasil, recebeu o nome de “junina” (chamada inicialmente de “joanina”, de São João), porque acontece no mês de junho. Além de Portugal, a tradição veio de outros países europeus cristianizados dos quais são oriundas as comunidades de imigrantes, chegadas a partir de meados do século XIX. Ainda antes, porém, a festa já havia sido trazida ao Brasil pelos portugueses e logo foi incorporada aos costumes das populações indígenas e afro-brasileiras.

AS FESTAS JUNINAS NA VISÃO DE PAIXÃO CORTES.

Em cada região do Brasil, as festividades juninas tem as suas particularidades. As festas caipiras têm origem em São Paulo e há uma devoção muito grande a São João (24), ao santo casamenteiro Santo Antonio (13) e ao responsável por guardar a chave do céu, São Pedro (29). São festas religiosas onde, no passado, se erguia um mastro nas casas ou nas comunidades, colocando-se uma imagem de um dos santos mais venerados.
No entanto, é comum no Rio Grande do Sul, festejar o mês de junho com festas típicas caipiras, que não têm nada a ver com a cultura gaúcha. Claro que são influências vicentinas dos bandeirantes que por aqui passaram no início da colonização. O pior de tudo é que há uma ridicularização do caipira, mostrando um tipo humano pobre, com roupas rasgadas, remendadas, desdentados, com chapéus de palha esfiapados, as mulheres com pinturas extravagantes, com expressões cômicas – verdadeiros palhaços. Concluindo, um verdadeiro desrespeito com o caipira que vive no interior de São Paulo e Minas Gerais.

A FESTA JUNINA GAÚCHA.

A nossa festa junina deve ser feita com os nossos trajes típicos, a pilcha gaúcha, sem remendos nas bombachas, sem pinturas no rosto, sem chapéu de palha, sem camisas enxadrezadas, etc. Temos a nossa culinária típica: arroz de carreteiro, paçoca de charque e de pinhão, arroz doce, pratos com carne de ovelha, galinha encilhada, sapecada de pinhão e por que não, o churrasco. Pipoca, batata-doce, rapadura de amendoim, pé de moleque, pão de ló e pão de milho, são pratos indispensáveis.
Quanto as fogueiras, hoje fica difícil acender em locais citadinos, por questões de segurança. Mas, é uma tradição que vem dos povos do norte, comemorando a chegada da época das colheitas, coincidindo com o solstício do verão, representando a fixação e conservação da força do sol para espantar as calamidades e demônios.
O Santo mais venerado dos gaúchos é o São Pedro, padroeiro do Rio Grande do Sul, e a sua fogueira tem a base em triângulo. As fogueiras de Santo Antonio e de São João, têm as bases em forma de quadrado e circular, respectivamente.

Fonte: São João, Paixão Côrtes, Curso de Tradicionalismo Gaúcho – Nico Fagundes, Blog Léo Ribeiro e wikpedia

COLABORAÇÃO: CESAR TOMAZZINI LISCANO

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