«

»

jun 14

Editorial do MTG A Caverna do Tradicionalismo

 

Na vida existem várias formas de enxergarmos as questões que nos envolvem. Ou não. Explico: às vezes não nos apercebemos de como sutilmente algumas situações são construídas para limitar nossa visão e consequentemente nossas ações. Quando nos damos conta, estamos enredados num sistema que induz à inércia, ostracismo.

Cria-se um “fundo de palco”, uma tela, aonde achamos que tudo é lindo, maravilhoso, um mundo perfeito e no qual somos, na verdade, meros coadjuvantes. Neste cenário, executamos algumas ações (tanto melhor se forem propostas pelos criadores do fundo de palco) e vivemos uma ilusão.

Faço estas considerações iniciais para propor uma reflexão sobre nossa capacidade de enxergar o que está além desta tela. Fomos, diríamos, “conduzidos, formados, moldados” para não enxergar nada além desta ilusão construída para servir às conveniências, disputas, busca de poder e ego de quem não quer, não admite, a multiplicidade de protagonistas.

Não é fácil, mas precisamos evoluir, voltando a buscar novos olhares, novos horizontes, novas possibilidade de fazermos diferente, fazermos o verdadeiro, aquele do qual não deveríamos ter nos afastado. Voltarmos às ideias iniciais deste Movimento é necessário, aos propósitos, ao espírito que norteou aqueles jovens de 47, seus desejos, vontades, sonhos…

Daqueles jovens, o idealizador e desbravador João Carlos Paixão Cortes encontra-se conosco e continua fazendo seu trabalho de contribuição com o tradicionalismo na sociedade, por meio de suas pesquisas em anos e anos de trabalho. Podemos dizer tranquilamente que ele foi o sinuelo do processo de uma grande revolução e transformação cultural de nossa sociedade local. E pergunto: por que este personagem, tão importante para o tradicionalismo organizado, recolhe-se aos bastidores, à margem de um processo iniciado por ele há 70 anos?

Acredito que em algum momento desta caminhada aconteceu um afastamento porque perdemos a capacidade de enxergar além desta linha imaginária que nos foi colocada em frente aos olhos. Fomos induzidos a pensar que não devíamos ultrapassá-la. Que além dela poucos poderiam transitar, os ditos e falsos “pensadores e intelectuais”. Nos fizeram pensar que para além desta tela era um campo para poucos. Porque poderia ser perigoso se cada uma aprendesse a se posicionar e pensar.

Às vezes me parece que alguns setores do tradicionalismo reproduzem a Caverna de Platão, aquele local onde pessoas acorrentadas passavam os dias observando as sombras projetadas na parede pela luz que vinha de fora e achavam que aquilo era a vida. Até o dia em que uma dessas pessoas conseguiu se livrar das correntes, foi para fora da caverna e ficou extasiada com o que viu, voltando para a caverna e chamando todos para se libertarem daquela ilusão. A vida, de fato, estava em outro local.

Feitas estas colocações, deixo a pergunta a todos. Quem tem a coragem e o discernimento para ultrapassar esta linha que outrora foi imposta e descobrir um Movimento melhor, mais humano, com menos interesses pessoais, de pequenos grupos que deixa o coletivo de lado e a maioria como simples expectadores?

Pois eu convido a todos que tiverem coragem para este reencontro com o mais autêntico tradicionalismo, aquele do passado, aquele verdadeiro. Paixão e todo seu legado estão além desta linha, fora da caverna. Arrebente as correntes e vem!

Nairo Callegaro
Presidente do MTG

Deixe uma resposta