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jul 08

Competição rima com Tradição ?

COM-PETIÇÃO”!

Por Dilmar Paixão

Meu patrício, belas prendas,

Com licença!

Abro o peito. Me escoro no parapeito e respondo a interrogação,

que me encaminhou o patrão, num bueno Chasque Pampeano,

para que eu examinasse o plano: “Tradição com Competição”.

 

Competir ou Competência ?

Esta é a primeira pergunta.

Isso aparta ou rejunta, os peões e as prendas bonitas ?

Quem dança o Pau-de-Fitas pode entender do que eu falo.

Ou quem viu rinha de galo, sabe o que é coisa aflita.

 

Nestas plagas rio-grandenses, em vales, coxilhas, fronteiras,

sempre se ergueram bandeiras; nem todas de um mesmo lado.

Comandante ou soldado, na hora da chama ardente,

até quem era boa gente tombou no fogo cruzado.

 

Há vários anos que a terra ficou vermelha de sangue,

dores botaram o Rio Grande em galerias de heróis.

Para uns, eram dodóis. A outros, por valentia.

Eu, que prefiro a poesia, conheço, também, os paióis.

 

Dito isso, certamente, é preciso um veredito.

Confirmo: eu acho bonito, o culto à tradição.

Claro que a competição estimula e cobra reforço.

Mas a lei do menor esforço não é a rima do campeão.

 

O fato é que, se é bonito, se estimula e desafia,

nem tudo é trova a porfia, se existe competição.

Alguém, por obrigação, esquece a arte e contrasta.

O pior é que, às vezes, desgasta e afasta a comunhão.

 

Competir, ser Competente, são marcas da sociedade,

ferro quente das vaidades de quem quer ser o melhor.

Se o resultado é o pior:

– todos compreendem o instante ?

Acho que já é o bastante declamar e saber de cor.

 

Vi tanta prendinha linda e presenciei peão altivo

mostrarem amor nativo na sua simplicidade.

Vi outros, com má vontade, que, por manobras geniais,

agradaram os “cardeais” e têm rótulos de “autenticidade”.

 

Numa cancha de rodeios, num palco ou mesmo na lida

há demonstrações que a vida é a Bíblia da Comunhão,

que celebra confraternização, prega unidade e afeto,

reforça cada projeto em forma de integração.

 

Por isso, que seja justa, a pretensão em disputa,

porém que não haja luta:

– se é p´ra ferir, diga não !

O taura é cidadão.

Tão cidadã é a prenda.

E eu peço que me compreenda neste verso “com-petição”.

 

Se é preciso competir, que seja com competência

e que se aplauda a ciência do conviver e do unir.

Se sempre queremos reunir não há porque apartar,

portanto é bom evitar antes do outro partir.

 

No linguajar barbaresco, o Jaime Caetano Braun

colocou outro degrau nos ritos da sociedade,

falou, com sinceridade, que até o guasca brigão

evita a competição diante da hospitalidade.

 

Retornando à Petição, que o “juridiquês” me alcança:

a competição na dança e campeirismo têm limite.

Eu acrescento o palpite p´ra que, com o mesmo entusiasmo,

não se use o sarcasmo e a competição se evite.

 

Movimentos, sociedades, convívios trocando gestos.

Assim, acabam os protestos e as brigas nesses rodeios.

Premiem-se por outros meios.

A crença não se divide.

Muito menos, com revide, se abraça o amigo do alheio.

 

A tradição que eu creio,

a tradição que eu pratico,

é um rodeio bonito de gentes da mesma crença.

Se a tradição é imensa, por que a competir se insiste ?

Se é buena, a festa que existe, podem marcar minha presença.

 

(Partenon, Porto Alegre, 07 jul 2017)

1 comentário

  1. Guimarães-Editor

    Na minha opinião não rima e os resultados nefastos, como a decadência das entidades, que só preocupadas em competir esqueceram o tal do co-irmão, irmão de causas, que juntos somos mais fortes.Então um retorno às origens é uma questão vital de sobrevivência dos nossos CTGs.

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