Biografias

DADOS BIOGRÁFICOS DE PERSONALIDADES, ARTISTAS LIGADOS AO TRADICIONALISMO.

COLOCADOS POR ORDEM ALFABÉTICA – PEDIMOS A COLABORAÇÃO DE TODOS PARA COMPLETAR OS DADOS QUE FORAM RECOLHIDOS EM PESQUISAS NA INTERNET , JORNAIS, ETC.

 

-ÂNGELO FRANCO – São Luiz Gonzaga

Intérprete e compositor profissional desde 1984 têm como traço principal da sua composição a busca constante do encontro entre a tradição e a atualidade, sem a perda da identidade e sem culto ao preconceito. Tem dois discos gravados: Eu sou gaúcho e Coplas de um gaúcho brasileiro.
A sua composição a busca constante do encontro entre a tradição e a atualidade, sem a perda da identidade e sem culto ao preconceito. Tem dois discos gravados: Eu sou gaúcho e Coplas de um gaúcho brasileiro.

-APPARÍCIO SILVA RILLO

 

E em São Borja temos a felicidade de ter o saudoso Apparício Silva Rillo, que mesmo não sendo são-borjense de nascimento amou nossa cidade como poucos.
Os versos de Apparício Silva Rillo passeiam pelos quatro cantos do Rio Grande – “O maior poeta que São Borja conheceu”.
Rillo nasceu em Porto Alegre no dia 08 de agosto de 1931, foi registrado em Guaíba, cidade onde seus pais moravam e onde passou parte de sua infância.
Estudou em Novo Hamburgo , Ijuí e Porto Alegre, onde se formou Técnico em Contabilidade. Mais tarde cursou Ciências Contábeis e Economia na PUC.
Em 10 de outubro de 1953 (dia do Padroeiro de São Borja – São Francisco de Borja), aos 22 anos, foi morar em Nhu-porã – distrito de São Borja, para trabalhar como contador na Propriedade dos Irmãos Pozzueco.
A partir de 1957 adotou São Borja como sua terra, da qual sempre teve orgulho de falar em seus poemas e músicas.
Dois anos mais tarde, em 1959, escreveu seu primeiro livro de poesias: “Cantigas do Tempo Velho” – versos crioulos.
A partir desse, vieram mais de 40 obras, entre elas poesias, prosa, peças de teatro, novelas, teses, monografias, antologias, além de folclore e história.
Considerado um dos nomes mais importantes na cultura gaúcha, Rillo registrou grande parte da história de São Borja; criou festivais e CTGs, deixando sua marca no contexto cultural, artístico e histórico de nossa cidade, da 3ª RT e de todo o Rio Grande do Sul.
Foi membro da Academia Rio-grandense de Letras e da Academia da Estância da Poesia Crioula.
Foi premiado em concursos de nível regional, nacional e até internacional (na Alemanha com o conto “Bicho Tutu”).
Em 1962, fundou o Grupo Amador de Arte “Os Angüeras”, o mais antigo em atividade no Rio Grande do Sul. Em 1979 junto à sede do Grupo organizou o Museu Ergológico da Estância, que na linha folclórica um dos únicos do Brasil.
Foi um dos maiores letristas da história da música do Rio Grande do Sul, por esse motivo, falar de Apparício Silva Rillo sem fazer referência aos Festivais Nativistas é impossível.
Em 1971, escreveu “Andarengo”, com música de José Bicca (considerado seu irmão de arte); esta foi a primeira música a subir ao palco da 1ª Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana, sabidamente o mais antigo Festival Nativista do Estado. Daí o seu pioneirismo.
Meses mais tarde, idealizou o Festival da Barranca. Criou também o Clarim, extinto festival de músicas regionalistas.
Rillo é o autor dos Hinos de São Borja, Cerro Largo e Santa Rosa.
Apparício foi um homem a frente do seu tempo, soube colocar nas suas narrativas, usando o ficcional como cortina, fatores de ordem histórico-sociais e econômicos, seus temas também eram alicerçados nesses fatores.
Era dono de uma inteligência e sensibilidade privilegiadas.
Homem de bom coração, Rillo era amigo dos amigos. Tinha a “mania” salutar de dar forças a todos os que o cercavam, incentivou o aparecimento de vários poetas e compositores, como: José Hilário Retamozo, José e Miguel Bicca, Mano Lima e um de seus mais fiéis discípulos Rodrigo Bauer.
Em maio de 1991, escreveu “Poço de Balde”, o seu último livro de poemas. Obra estranhamente premonitória, de remate, que exigiu do artista maduro um de seus maiores esforços. Afinal, no limiar dos sessenta anos, detentor de um lugar definido e um nome consagrado, multiplicou-se a responsabilidade em razão da expectativa em torno dessa nova obra – um momento de perplexidade em que o autor sentiu, e anunciou, empreender o seu “rito de passagem”.
E na manhã do dia 23 de junho de 1995 (na véspera de São João) Apparício Silva Rillo aos 63 anos deixou um pouco mais órfãos a cidade e o Rio Grande do Sul.
“Seu Rillo”, como era carinhosamente chamado foi e continua sendo reconhecido e aplaudido por todos, deixou-nos um imensurável trabalho que ficará gravado nas páginas da história rio-grandense.
Fonte:  www.coxixogaucho.com.br

 

-AURELIANO DE FIGUEIREDO PINTO

 

AURELIANO DE FIGUEIREDO PINTO

 

Aureliano de Figueiredo Pinto é, indiscutivelmente, um dos maiores poetas nativista de nossa terra, de todos os tempos.
Com seu vigoroso regionalismo, o nosso idioma, longe de empobrecer-se, adquiriu novas e cintilantes riquezas.
Seus poemas, nascidos das vivências campeiras, com invernos, tropeadas, rondas, noites longas, chimarrão, e outros temas rudes e belos. São sempre, impregnados de comovente humanismo e iluminados pelo sol de sua fulgurante cultura.
A divulgação de seus versos magistrais é, pois, exigência imperiosa de todos os que cultuam as letras pampeanas e que amam nossa Querência.
Nada, nos seus versos, do apenas fácil e pitoresco que caracteriza uma boa parte de poesia gauchesca. A poesia de Aureliano Figueiredo Pinto, profundamente ligada a terra, tem uma extraordinária densidade humana, assumindo sua temática, em muitos passos, o sentido de um canto geral que transcende o mero regionalismo.
Poucos livros refletem com mais autenticidade o homem e a paisagem do Rio Grande do que estes “Romances de Estância  e Querência”.
Aureliano de Figueiredo Pinto nasceu em 1º de agosto de 1898, na fazenda São Domingos, município de Tupanciretã, filho de Domingos José Pinto e de Marfisa Figueiredo Pinto. Exerceu o ofício de médico, mas por essência foi poeta e escritor.
O processo de alfabetização inicia-se em 1904 quando recebeu aulas de sua mãe. Quatro anos depois no colégio Santa Maria em Santa Maria , seguiu seus estudos, de onde enviou a sua mãe seus primeiros poemas.
Aureliano inicia ali seu martírio, sua ressurreição e sua glória: escrever.
Aos 17 anos, nasceu uma grande amizade com Antero Marques. Antero seria, pela vida afora companheiro, crítico e confidente a dividir aulas, pensões, ruas, e uma infinidade de cartas. Iniciam as discussões políticas, literárias e filosóficas, que os levariam a participar da Revolução de 30. Passou a residir em Porto Alegre 3 anos mais tarde, onde prepara o vestibular para Direito, que trocaria mais tarde pela Medicina. Os poemas escritos em meio às anotações escolares antecediam sua estréia com poemas publicados no jornal Correio do Povo, com pseudônimo e nome próprio e nas revistas Kodak e A Máscara, um ano mais tarde.
Amigos passam a classificar seus poemas entre as correntes simbolista e parnasiana. Entre as anotações de aula, Aureliano escreve o poema Gaudério, que marcaria sua vinculação com o nativismo. Anos depois, Gaudério e Toada de Ronda seriam musicados por João Fischer. Segundo testemunhas de Antero Marques, Raul Bopp, entusiasmado com a produção do poeta diria que “Bilac assinaria estes versos” O poema Toada de Ronda é considerado o marco inicial da poesia nativista no Rio Grande do Sul.
Em 1924, parte para o Rio de Janeiro estudar Medicina. Lá, cursa o primeiro e o segundo ano e retorna a Porto Alegre. Lê Paja Brava , do Viejo Pancho, que marcará sua produção artística, e também livros de poetas regionalistas uruguaios e argentinos, que o influencia a escrever poemas em espanhol. Em 1926, volta aos estudos de Medicina no Rio de Janeiro, mas no mesmo ano retorna a Porto Alegre. Somente em 1931, conclui o curso de Medicina, e logo abre seu consultório em Santiago. Abre o coração aos campos e aos tipos humanos que o povoam.
A partir dali o trabalho de médico rouba-lhe o tempo de leitura e criação. Passa a fazer viagens ao interior do município, atendendo a chamados médicos e fica com os peões tomando mate e ouvindo causos.
Três anos mais tarde por falta de dinheiro dos clientes para compra de remédio, suas práticas médicas são interrompidas. Aureliano cria um código que é colocado nas receitas, para que fossem debitadas para alguns de seus amigos. Nessa época, seus poemas são datilografados por Túlio Piva, para quem produz textos para serem lidos na rádio local.
Em 1937, já com quase 40 anos, passa a dirigir o Posto de Higiene de Santiago. Anos mais tarde, seria o fundador do Hospital de Caridade.
Casa com Zilah Lopes, em 29 de dezembro de 1938 com que tem 3 filhos.
Em 1941, troca Santiago por Porto Alegre, assume a subchefia da Casa Civil do interventor Cordeiro de Farias. Fica poucos meses no cargo e retorna a Santiago.
Em 1956 inicia a reunir e selecionar seus poemas, espalhados entre amigos, para publicá-los em livros. Seu filho José Antônio vai à Editora Globo e ali espera até ter em mãos dez volumes de  Romances de Estância  e Querência – Marcas do Tempo o primeiro livro publicado de Aureliano de Figueiredo Pinto.
Aureliano vem a falecer em 22 de fevereiro de 1959 com câncer.
Em 1963, é publicado “Ad Sodalibus” pela Livraria Sulina, seu segundo livro de poesias Romances de Estância e Querência – Armorial de Estância e Outros Poemas. Em 1974, é publicada pela Editora Movimento, a novela Memórias do Coronel Falcão. Em 1975, Noel Guarany recebe autorização dos familiares do poeta para musicar Bisneto de Farroupilha e Canto do Guri Campeiro.
Pesquisa realizada por Hilton Luiz Araldi

Fonte: Hilton Luiz Araldi
(54) 30456411

 

– BAGRE FAGUNDES – EUCLIDES FAGUNDES FILHO –

 

De vez em quando escrevo aqui sobre algum artista do gauchismo, e a repercussão é imediata e imensa. Parece incrível como sabemos pouco sobre os artistas que aplaudimos e cuja carreira acompanhamos. Hoje é a vez de alguém muito especial, a quem me ligam traços de parentesco e admiração – meu irmão Euclides Fagundes Filho.
Ele nasceu em Uruguaiana em 3 de outubro de 1939, numa manhã de primavera. Nossa família morava num chalé de madeira em uma das esquinas do bairro do Riacho e, quando a dona Mocita Fagundes começou a “sentir as dores”, tiraram a mim e a meu irmão João Batista de casa e nos levaram à tia Chininha Delgado, onde a prima Luci nos deu pão com mel – a primeira vez que comi mel na vida foi no dia em que o Bagre nasceu.
O menino que tomou o nome do pai e era meio atempado, de vez em quando tinha uns ataques e parecia morrer, para grande aflição dos parentes. A família campeira, quase sempre numerosa, tem os seus “mimosos”: o mimoso do pai, o mimoso da mãe. O Bagre foi sempre o mimoso do pai. Muito cedo revelou vocação para o canto, e o velho Euclides adorava fazer as crias se apresentarem cada vez que havia visita em casa. Foi assim que o Bagre começou como cantor. Esse apelido ele ganhou do irmão João Batista porque era muito chorão, abrindo uma baita boca. João ridicularizava: “Olha aí, parece um bagre…”. Como a “vítima” não se importava, o apelido pegou.
A primeira e grande vocação do Bagre foi a atlética, não a artística. Era excelente jogador de futebol. Gostava da ponta direita, foi campeão alegretense pelo Flamengo várias vezes e quase terminou profissional em Livramento, mas foi impedido pelo pai. Foi também juiz de futebol e hoje é conselheiro do Sport Club Internacional.
Na arte começou com a gaitinha de quatro baixos tocando rancheiras mexicanas e, quando pegou o violão, cantava de tudo, de Bob Nelson aos boleros e tangos, sambas e valsas tão do agrado da família. Como compositor, musicou com grande sucesso algumas letras minhas, como o Canto Alegretense e Origens. Como cantor, foi premiado em festivais e gravou o aplaudido disco De Bota e Bombacha e teve participação importante no disco Fagundaço. Escreveu um livro sobre truco, é apresentador de rádio e de televisão, colunista do jornal Diário Gaúcho, filiado fervoroso do PDT e seguidor de Leonel Brizola. O dr. Euclides Fagundes Filho é formado em Direito e advogado registrado na OAB sob o nº. 8501. Enquanto advogou foi um brilhante advogado de júri, eloqüente e brilhante.
Hoje, quem encontrar o Bagre pelas ruas de Porto Alegre, há de vê-lo de umas dessas três formas: com o abrigo do Internacional (mais colorado que o anhangá pitã) ou de terno e gravata, impecável como se fosse para uma recepção, ou de bota e bombacha, com a gaitinha embaixo do braço…
Fonte coluna do Nico Fagundes em ZH do dia 26/03/2007 – nico.fagundes@zerohora.com.br

 

– BARBOSA LESSA.

Advogado, Jornalista, Historiador, Compositor, Pesquisador, Contista e Romancista. Nasceu em Piratini – RS, no dia 13 de dezembro de 1929. Jovem estudante liderou o movimento que fundou o primeiro Centro de Tradições Gaúchas – o 35 CTG – juntamente com Paixão Cortes, Glaucus Saraiva e Hélio José Moro. Dedicou sua vida ao Tradicionalismo Gaúcho. Possui uma obra literária invejável. Iniciou antes do que o Movimento e caminha com ele até nossos dias. Autor de valiosos trabalhos literários, que destacamos: A Retirada de São José do Norte, de 1946; Chimarrão, história da Erva-Mate, de 1953; O Sentido e o Valor do Tradicionalismo, de 1954; Manual de Danças Gaúchas, em parceria com Paixão Cortes, em 1956; Boi das Aspas de Ouro, de 1958; Não te Assusta, Zacarias, de 1956; Os Guaxos, de 1959; Estórias e Lendas do Rio Grande do Sul, de 1960; A Rainha de Moçambique, de 1958; Nova História do Brasil, de 1 967; Danças e Andanças da Tradição Gaúcha, parceria com Paixão Cortes, de 1975; Rodeio dos Ventos, de 1978.
De suas obras mais recentes, destacamos: São Miguel da Humanidade, Mão Gaúcha, Rio Grande do Sul, prazer em conhecê-lo, Borges de Medeiros e Nativismo, um fenômeno social Gaúcho. Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul e da Academia Sul-rio-grandense de Letras. Compositor das famosas músicas Negrinho do Pastoreio, Quero-Quero, Balseiros do Rio Uruguai, Levanta Gaúcho e No Bom do Baile.
Barbosa Lessa foi Secretário da Cultura, Desporto e Turismo do Rio Grande do Sul, no governo José Augusto Amaral de Souza, desenvolvendo um trabalho de divulgação e valorização da cultura gaúcha.
Possui uma reserva ecológica em Água Grande, município de Camaquã, onde mateia com erva-mate nativa, preparada em sua propriedade, sob o pilão de um monjolo, movido pelas águas de suas belas cachoeiras. A fauna e a flora de sua propriedade, ainda virgens, conservam espécies raras, vivendo em seu meio, entre as quais, muitos bugios que vivem longe do contato do homem.
Suas cachoeiras, seguramente, são as mais belas de nosso Estado.
A beleza do recanto natural da Água Grande não poderia ser mais adequada para abrigar um grande homem e uma imensurável personalidade cultural gaúcha, com seu acervo cultural. Barbosa Lessa, historiador Latino-Americano é, com certeza, a maior autoridade do Movimento Tradicionalista Gaúcho. Em novembro de 1988 teve aprovada, no IV Congresso Internacional da Tradição Gaúcha, realizado em La Plata , Argentina, a definição geográfica da área abarcada pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho, no Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
O Círculo da Tradição preza pelo ritual do Chimarrão e a fraternidade universal.
E recentemente, em 1999, foi considerado um dos 20 Gaúchos que marcaram o séc. XX.
No ano seguinte foi Patrono da Feira do Livro de Porto Alegre (2000).
Extraído do livro : ABC do Tradicionalismo Gaúcho – Salvador Lamberty – 6ª ed.

 

– BETO CAETANO – ALBERTO COSTA CAETANO

Este Cd ” Rodeado de Amigos, marca os 35 anos de estrada de Beto Caetano, grande Gaiteiro, Cria de Unistalda-RS.
Na sua bagagem o artista inclui sua participação nos grupos: Os Guapos, Os Mirins e Som Campeiro, onde abrilhantou com seu talento ao longo dos anos, inúmeros eventos.
É difícil, na discografia gaúcha, em especial no acervo dos adeptos do regionalismo que não se identifique ao estilo do toque da gaita do artista que ao longo de sua carreira participa de quase 100% da produção musical de nosso Estado. Em conseqüência, Beto Caetano tem seu dia a dia inteiramente dedicado a gravações.
O cd “Rodeado de Amigos” Lançamento Sinuelo Produções, conta com Sucessos do Artista e Brilhantes Participações, Confira:
1 – Lidas Perdidas de Beto Caetano e Vaine Darde e participação de José Cláudio Machado
2 – Sonhos na Calçada de Beto, Vaine e part: Os Monarcas
3 – Trem da Saudade de Beto e Carlos Moacir Rodrigues e part: Tchê Guri e Trio de Ouro
4 – Ninho de Amor de Beto Caetano e Valdir Amaral
5 – Sinto Muito de Beto e Ivo Bairros de Brum e part: João de Almeida Neto
6 – Vinho das Paixões de Beto Caetano e Vaine Darde
7 – Chora Coração de Beto Caetano e part: Wilson Paim
8 – Candeeiros da Alma de Beto Caetano e Nenito Sarturi part: Kelly e Saimon (Cia Show 4 e Trio de Ouro
9 – Vivendo a Vida de Beto Caetano e Nenito Sarturi
10 – Volte pra casa de Beto Caetano e Vaine Darde e part: Juliano Floriani
11 – Gotinha de Orvalho de Beto Caetano e Odilon Ramos e Part: Cristiano Teixeira
12 – Último beijo de Beto Caetano e Dante Ramon Ledesma
FICHA TÉCNICA:

Gravado no DRBC Studios – Gravataí-RS
Técnico de Gravação: Beto Caetano Filho
Mixagem: Beto Caetano Filho e Juliani Floriani
Masterização: Aguinaldo Paz
Produção e Arranjos: Beto Caetano e Juliano Floriani
Direção Geral: Nenito Sarturi e Leonardo Sarturi
MÚSICOS :

Beto Caetano: Acordeom
Juliano Floriani: Violões, Guitarras e Baixo.
Jóia: Violões em Candeeiros da alma e volte pra casa
Cristiano Teixeira: Bateria
Odilon Dalla Porta: Percussão
Marco Carvalho: Teclados em ultimo beijo e candeeiros da alma
Saimon Baumhardt: Teclado em candeeiros da alma
Vocais: Beto, Juliano, Cristiano e Analise Severo.
Saiba um pouquito mais de Alberto Costa Caetano, mais conhecido como Beto Caetano, Cantor, Compositor, Instrumentista (Acordeonista) – Rio Grande do Sul.
Reconhecido como compositor e gaiteiro, como são conhecidos os tocadores de acordeom no sul do país, gravou músicas de sua autoria e teve composições gravadas por nomes como Os Serranos e Gaúcho da Fronteira.
Em 1990, no LP “Gaitaço” gravado por Gaúcho da Fronteira na Chantecler, teve incluída a composição “Éramos felizes e não sabíamos”, parceria com Gaúcho da Fronteira.
Em 1991, teve as músicas “Chonorão Brasil” e “Peleia de mango”, com Airton Cabral e Vainê Darde e “Paixão de cabo a rabo”, com Airton Cabral e Gaúcho da Fronteira, gravadas no LP “Acordes Orientais”, lançado por Gaúcho da Fronteira, pela gravadora Chantecler.Três anos depois, no LP “Tão pedindo um vanerão”, gravado por Gaúcho da Fronteira na Chantecler/Warner Music, foi incluída a música “Cinco pila”, parceria com Gaúcho da Fronteira. Teve músicas gravadas por outros expoentes da música gaúcha, dentre eles, o grupo Os Serranos, que gravou “Rancho à beira-mato”, e o grupo Som Campeiro que gravou “Trem da saudade”, parcerias com Carlos Moacir Pinto Rodrigues.
Em 2004, lançou, pela USA Discos, o CD “Vida cordeona e canções”, com produção e arranjos seus: Músicas instrumentais “Capão do capim” e “Bugio safado”, dois bugios de sua autoria.
O vanerão “Sobrancelha de jacaré”, a “Chamarrita apaixonada”, e o xote “Contratempo”, todas de sua autoria.
Também estão no disco, de sua autoria, o xote “Vem cá, guria”, com Jorge Alberto Mota, a vaneira “Estrela cadente”, parceria com Nenito Sarturi, o bugio “Desabafo”, com Vaine Darde, o chamamé “Sonhos na calçada”, com Vaine Darde, a vanera “Vanera missioneira”, de Leandro Rodrigues, o vanerão “Fandango em unistalda”, com Nenito Sarturi, e o chamamé “Último beijo”, com Dante Ramon Ledesma.
O disco contou com a participação especial do cantor João de Almeida Neto, nas faixas “Pra viver uma milonga”, com Vaine Darde, “Chamarrita apaixonada”, de sua autoria, e “Na mesa de um bar”, com Nenito Sarturi.
Participou de diversos festivais de música no Rio Grande do Sul, entre os quais, 4ª edição do Ronco do Bugio, na cidade de São Francisco de Paula, com a música “Seu Bugio”, para a qual fez a melodia com Jorge Fagundes e Paulo de Freitas Mendonça.
No mesmo ano, cantou e tocou gaita, como no sul se chama o acordeom, participando da gravação do CD “José Claudio Machado – Acústico Ao Vivo”, gravado ao vivo em Guaíba, no Sitio de José Claudio Machado.
Você pode adquirir este cd de Beto Caetano “Rodeado de Amigos” por telefone ou e-mail:

CONTATO: Fone: (51) 3423.3148 e Fax: (51)3497.2868 ou
E-Mail: betocaetano@terra.com.br
Fonte :www.portaldogaucho e Beto Caetano Filho

 

– CARLINHOS CASTILLO , o Gauchão por Nico Fagundes

Carlinhos Castillo nasceu no interior de Santana do Livramento e foi criado pela avó, ao ficar, ainda criança, órfão de mãe. Pelo lado materno, ele se orgulha de ser descendente direto do Barão do Ibirapuitã, cuja comenda e distinções imperiais conserva até hoje. Se ainda existisse a nobreza brasileira, ele poderia ostentar o título de 4º Barão do Ibirapuitã porque é tetraneto do General Antonio Caetano Pereira.
Carlinhos surge em Porto Alegre com idade de sentar praça, alto, forte e sério. É um notável goleiro. Volta a Santana do Livramento para prestar serviço militar e depois vem a Porto Alegre definitivamente. Mas quando poderia fazer carreira profissional no futebol, conheceu o tradicionalismo pela mão de Eri Assenato e se tornou um grande sapateador de chula e malambo. Sapateou pelo Rio Grande, pelo Brasil e pelo Exterior, ganhando troféus e mais troféus. Aparece no cinema, no teatro e na televisão, tendo apresentado por muito tempo o programa Fogo de Chão. Aproveitando a sua invejável compleição física, torna-se ginete em rodeios e nas festas campeiras nas fazendas de amigos. Entra para o Conjunto de Folclore Internacional Os Gaúchos como sapateador e viaja pelo mundo. Aí se descobre cantor de voz potente, acompanhado do violão, muitas vezes, em composições de sua própria autoria. Integra o conjunto da Varig e viaja pela Europa Central. Casa e recasa algumas vezes. Trabalha muitos anos na Assembléia Legislativa do Estado, onde faz notável aproveitamento em Ciências Políticas , em contato com grande líderes do seu tempo. Antes de se aposentar, foi assessor especial do governador Amaral de Souza, do governador Jair Soares, do deputado Jarbas Lima e muitos outros cargos em outros órgãos sempre como autoridade em gauchismo.
Trabalhou no Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, onde se descobriu pesquisador. Apreciador da boa culinária gauchesca, quis conhecer mais e melhor os nossos pratos, e hoje é nossa maior autoridade do assunto, com três livros publicados e um quarto em preparo apenas sobre a cozinha gaúcha. Fora outros livros que escreveu.
Dizer todas as funções que Carlinhos Castillo desempenhou seria tão cansativo como enumerar todos os títulos e troféus que recebeu. Eu gosto de destacar seu pioneirismo nas cavalgadas, pois ele organizou e comandou marchas notáveis a Vacaria, Bagé e Piratini, muito prestigiado pelo deputado Jarbas Lima, seu grande amigo e este também um exímio cavaleiro. Aliás, a primeira cavalgada que eu fiz – aliás, como simples cavaleiro – foi aquela de Piratini que Carlinhos organizou e comandou. Não sem razão, ele recebeu o troféu Pioneiro nas Cavalgadas. Também recebeu o troféu Laçador e muitos outros.
Carlinhos Castillo integrou o Conjunto Os Teatinos e Conjunto Sete Povos. Ganhou o prêmio de melhor cantor na 1º Califórnia da Canção Nativa, da 1º Ciranda da Canção, da 2º Vindima da Canção, do 7º e do 9º Rodeio Internacional de Vacaria, do 5º Festival da Barranca e de muitos outros certames no Brasil e na Argentina. É autor do hino da cidade de Triunfo.
No cinema trabalhou como ator e produtor nos filmes Um Certo Capitão Rodrigo, Ana Terra, A Morte Não Marca Tempo, Grande Rodeio, Negrinho do Pastoreio, Ela Tornou-se Freira e Pobre João. Meio solitário, homem de poucas palavras e de poucos amigos, Carlinhos Castillo é meu amigo de mais de 40 anos. Já fizemos poucas e boas por esse mundo afora em causos de peleias e de amores. Nós dois sabemos que num aperto um pode contar com o outro, sempre

 

– CENAIR MAICÁ

Nasceu em 03 de maio de 1947, em Água Fria, no município de Tucunduva (RS), passou a maior parte de sua vida em Santo Ângelo , onde começou sua carreira musical com o irmão Adelque. Trabalhou com José Mendes e depois com Noel Guarany. Cenair gravou um compacto duplo e quatro LP, dois deles reeditados em CD.
Aos 17 anos de idade, num acidente, perdeu um rim, o que veio, mais tarde a comprometer sua saúde e influenciar na seu prematuro falecimento, que ocorreu em 02/01/1989, após sofrer transplante.

CYRO DUTRA FERREIRA: UM EXEMPLO DE GAÚCHO!

Cyro Dutra Ferreira: um Tradicionalista Gaúcho Histórico e Heróico do Rio Grande do Sul!

O tradicionalista CYRO DUTRA FERREIRA nasceu em Porto Alegre, aos 10 de janeiro de 1927. Foi Patrão do 35 CTG, nos períodos compreendidos de 1955-1956 e de 1963-1964. Participou de quase todos os cargos de Diretoria e do Conselho de Vaqueanos, em mais de 20 gestões. Foi Conselheiro do MTG.
Escreveu o livro “O 35: o Pioneiro do MTG” e outras obras, além de inúmeras crônicas sobre Tradicionalismo, em vários jornais. Foi Capataz de Estância. Trabalhou como Escriturário na FARSUL. Exerceu o cargo de Chefe de Escritório e Gerente da Comercial de Explosivos Ltda (Comercial Luce S.A.). Antes de partir, aos 9 de agosto de 2005, para a Estância Divina, Tio Cyro viveu entre a sua fazenda, em General Câmara-RS, e as atividades tradicionalistas. Foi integrante do chamado Grupo dos Oito – a turma do “Julinho” -, do Grêmio Estudantil do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, em 1947, participando, com outros sete tradicionalistas, da abertura da Ronda Gaúcha, dentro das festividades programadas pelo Departamento de Tradições Gaúchas, cujos fins objetivavam o culto, a defesa e a preservação dos usos e costumes gaúchos.
Participou do primeiro Desfile Farroupilha, no Piquete da Tradição do referido DTG do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, pelas ruas da capital gaúcha, em 5 de setembro de 1947. E, novamente com aquele Piquete, prestou guarda campeira aos despojos do General Farrapo David Canabarro, transportado de Santana do Livramento para o Panteon Rio-Grandense, em 5 de setembro de 1949, junto com os outros sete tradicionalistas e precursores do Movimento Tradicionalista Gaúcho organizado. Participou da fundação do 35 CTG, primeiro Centro de Tradições Gaúchas, uma decorrência do movimento formado por aqueles jovens, com raízes no interior do Rio Grande do Sul, frente à imposição cultural norte-estadodunense, cujos efeitos criaram a “geração coca-cola”, bombardeada no pós-guerra por aquela cultura, bem como ocorre nos dias hodiernos. Participou da Ronda Crioula, criada por Paixão Côrtes, a qual originou as comemorações da Semana Farroupilha. Esta Ronda Gaúcha, prevista pelo Departamento de Tradições Gaúchas do “Julinho”, ficou popularizada pela gauchada como Ronda Crioula e desenvolveu-se de 7 a 20 de setembro de 1947. E foi no quintal da casa onde Cyro Dutra Ferreira morava com Paixão Côrtes que foi fabricada, de forma rústica, a “Tocha Farrapa” para conduzir a Chama Crioula, na noite de 7 de setembro de 1947, diante da impossibilidade de mandar fabricar uma, em função dos escassos recursos dos então estudantes-operários.
Em seguida, dirigiu-se a cavalo, tipicamente pilchado, na cavalgada histórica junto com Paixão Côrtes e Fernando Vieira, para a Av. João Pessoa, onde uma multidão aguardava os atos de encerramento de mais uma Semana da Pátria. Com Fernando Vieira levava as bandeiras do “Julinho” e do Rio Grande do Sul. Após a descida de Paixão do topo da Pira do Fogo Simbólico da Pátria, de onde tirou uma centelha para formar a Chama Crioula, montado em seu flete, ao lado dos companheiros Paixão e Fernando, “cerrou pernas” e esbarrou frente às autoridades, no palanque oficial, gritando junto com os outros dois tradicionalistas, em uníssono: “VIVA A TRADIÇÃO GAÚCHA!”; “VIVA A REVOLUÇÃO FARROUPILHA!”; “VIVA O BRASIL!”. Como registra Paixão, brilhava ali a centelha que iria irradiar luz aos caminhos do Movimento Tradicionalista que nascia.
Após mais de meio século, já se faz necessário um outro Grupo dos Oito para moralizar as ações criminosas dos falsos tradicionalistas contra os usos e costumes tradicionais do Povo Gaúcho Sul-brasileiro. Mas, certamente que muitos outros estarão dispostos a lutar pela recuperação daquele Movimento Tradicionalista Gaúcho de 1947, iniciado com o intuito de combater as imposições mercadistas da época e que ainda hoje seguem descaracterizando a cultura regional gaúcha brasileira. Já é hora de alçar a perna no “pingo da reação” e cerrar fileiras em direção do verdadeiro Tradicionalismo, isento dos insaciáveis interesses comerciais e político-partidários e mais próximo dos autênticos usos e costumes do Rio Grande do Sul; das verdadeiras tradições e da raiz interiorana-pastoril sul-rio-grandense, base da Identidade Cultural do Povo Gaúcho Sul-brasileiro!

(Fonte dos dados informativos: PAIXÃO CÔRTES, João Carlos. Tradicionalismo Gauchesco: nascer, causas e momentos. Caxias do Sul: Lorigraf, 2001)

Fonte: Bombacha Larga

 

– CRISTIANO QUEVEDO – Piratini

 

“O destino quer que eu cante. E a cantar eu me concentro”. Os versos do pajador Jayme Caetano Braun ganham autenticidade inquestionável quando cantados por CRISTIANO QUEVEDO, um gaúcho de Piratini, histórica capital farroupilha, que nasceu para cantar os destinos campeiros. “Destinos” é o nome de seu primeiro CD, logo em seguida vieram “Luzeiros”, “Pra Quem Tapeia o Chapéu”, “Pra Um Fim de Lida” e “Um Mate Novo”, trabalhos estes que tem a marca de estilo contagiante de interpretar e o consagraram como um dos mais jovens e talentosos nomes da música nativista do Rio Grande do Sul, projetando seu nome além das fronteiras do estado.

O Cristiano é um artista de sucesso e renome e tem pelo seu pago, que é também a sua querência, uma dedicação total, absoluta. Monta desde guri na propriedade de seus pais, Fermiano de Farias Quevedo e Eloá de Pedra Quevedo. Aos 14 anos, já era integrante de invernada artística no tradicionalismo de Piratini e aos 17 era radialista profissional. Cedo tomou gosto pelos rodeios crioulos e pelas cavalgadas a lugares históricos. Nos rodeios, se dividia entre os tiros de laço e as tertúlias, fazendo muito sucesso nestas últimas e nem tanto nos primeiros. Nessa época consolidadora, admirava muito e se inspirava declaradamente em homens como Elton Saldanha, Noel Guarani, Luiz Marenco, Jaime Caetano Braun. Desde 1994, participa dos festivais nativistas como intérprete ou como compositor. É um vencedor. Só em 2007, ganhou cinco festivais e, ao todo, tem mais de 40 premiações importantes. Seus shows mesclam a energia contagiante, passada através do estilo próprio de se comunicar com o público e o excelente trabalho musical.

Em seu CD “Um Mate Novo” gravado em Porto Alegre , reuniu músicos jovens que misturam sensibilidade e técnica apurada, fazendo uma música gaúcha sem fronteiras, priorizando a eterna busca do novo, sem perder as raízes regionalistas “… esta audácia de buscar o novo sem pisar o rastro ou reascender as brasas…”. E foi com muita audácia que este jovem talento do sul do Rio Grande do Sul alçou vôos mais altos, sendo chamado para participar de convenções em Natal, no Rio Grande do Norte, João Pessoa capital paraibana, Rio de Janeiro e São Paulo capital.

Foi buscando não pisar o rastro que sua alma o levou a atravessar a fronteira e realizar uma turnê no Uruguai percorrendo mais de dez cidades onde centenas de hermanos platenses puderam conhecer seu trabalho, o que resultou no convite para shows nos mais importantes festivais de música da América Latina, Festival Del Prado em Montevidéu, Festival Internacional de Durasno em Durasno, e ainda a gravação do CD “Cantos de La Pátria Grande “, com a participação do Uruguaio Oscar Massita e de dois ícones da música Latina Americana, Pepe Guerra e Hector Numa Moraes. Em 2006 fez sua primeira excursão à Argentina cantando em La Plata e Buenos Aires. Já esteve em Portugal, onde realizou cinco apresentações, levando a arte e a cultura gaúcha, além mar. Vive viajando pelo Rio Grande do Sul, por vários Estados do Brasil e pela Europa, sempre divulgando a arte gauchesca. O Cristiano é parte importante de uma verdadeira fraternidade de grandes artistas: ele, Shana Muller, o Ângelo Franco, o Erlon Pérecles, todos oriundos do interior do Rio Grande que estão se dando muito bem em Porto Alegre. O espetáculo do grupo – Buenas e M´espalho – é de altíssima qualidade e incendeia o público a cada apresentação. O Cristiano tem um sonho: que sua filha Maria Rosa Porto Quevedo cresça sempre sabendo o quanto seu pai ama, luta e busca valorizar através da arte a sua terra e a sua gente e que um dia, lado a lado, pai e filha possam dividir o palco.

CRISTIANO QUEVEDO pode se dizer um artista multimídia, seu trabalho não se resume exclusivamente na música, além de radialista participa de campanhas institucionais no Rádio e na TV.

 

COLABORAÇÃO UBIRATAN GUILHERME

 

 

-Dante de Laytano (1908-2000)

Larissa Roso/Especial-ZH

 

O Rio Grande do Sul perdeu ontem um dos seus maiores folcloristas do século XX. Morreu às 8h, em Porto Alegre, vítima de insuficiência cardíaca, o historiador gaúcho Dante de Laytano. O presidente Fernando Henrique Cardoso lamentou a morte do pesquisador, lembrando que ele exerceu forte influência em seus estudos sobre a escravidão no Rio Grande (leia noutro quadro).

Laytano estava internado no Hospital da Ulbra havia 15 dias, com edema pulmonar. Foi velado no Salão Glênio Peres da Câmara Municipal de Vereadores e sepultado no Cemitério São Miguel e Almas no final da tarde de ontem.

O descendente de imigrantes italianos de Morano Cálabro nasceu em Porto Alegre em 23 de março de 1908. Notabilizou-se como cronista, historiador, folclorista e ensaísta, publicando inúmeros títulos sobre aspectos da história, cultura, literatua e culinária. Aos 17 anos, já era crítico de cinema.

Depois, estudou e formou-se em Direito. Na vida acadêmica, prosseguiu como professor de História, Literatura e Filosofia. Na Universidade do RIo Grande do Sul (UFRGS), Laytano teve marcante atuação junto a Associação de Ex-Alunos.

Foi presidente da Comissão de História e recebeu o título de Professor Emérito da universidade, em 1991, empenhando-se no resgate de documentos históricos.

A mesma nomeação foi concedida pela Pontifícia Universidade Católica, onde destacou-se pela criação da disciplina de História da América.

Laytano foi o primeiro diretor-presidente de Zero-Hora e durante muitos anos colaborou como articulista no jornal.

Seu primeiro casamento foi com Ilha de Almeida, de uma ilustre família de Rio Pardo, em 1936, mesmo ano em que ingresou como membro do Instituto Histórigo e Geográfico do Rio Grande do Sul. A carreira do historiador junto a entidades ligadas à cultura gaúcha foi notável, projetando-se para atuações de âmbito nacional – passou pelos cargos de diretor do Museu Júlio de Castilhos, presidente da Academia Rio-grandense de Letras, da Academia Brasileira de História e da Comissão Nacional do Folclore. Laytano brincava com os amigos que exercia apenas atividades não-remuneradas, faltando-lhe o convite para assumir a gerência de um banco.

O historiador lecionava no Colégio Júio de Castilhos à época do surgimento do movimento tradicionalista na escola, nos anos 40. O folclorista Paixão Côrtes relembra o professor Laytano como um grande incentivador do espírito regionalista entre os jovens. Em 1949, Laytano traria para o Estado a 3a Semana de Folclore, onde estudiosos do país teriam a chance de conhecer as tradições gaúchas.

Laytano presidia atualmente a Comissão das Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco-Ibec) no Rio Grande do Sul, instituída em 1958. Nos últimos anos, mencionou várias vezes a vontade de deixar a instituição, mas foi demovida da idéia pelos companheiros. A comissão gaúcha, afirmavam os colegas, não seria mesma sem ele.

Dante conheceu a portuguesa Teresa de Jesus em viagem à Europa. Algum tempo depois, ela viria para o Brasil para servir de governanta ao casal, um palacete rosa no início da Avenida Carlos Gomes. Lembrada pelos amigos da família como habilidosa cozinheira, Teresa viria a ser a segunda esposa de Laytano depois da morte de Ilha. O historiador vinha sofrendo de problemas respiratórios havia mais de um ano e realizava viagens terapeuticas ao Litoral, à Serra e às Missões.

 
Laytano consagrou-se como um dos mais
destacados intelectuais gaúchos de sua geração
banco de dados/ZH

Repercussão

“Eu tinha uma imensa admiração pelo Dante. Ele foi um intelectual de grande expressão e valia para o Brasil, e sua obra exerceu forte influência em meus estudos no Rio Grande do Sul”.
Fernando Henrique Cardoso,
presidente da República

“É uma perda fundamental principalmente para o Rio Grande do Sul. Destaca-se o seu quase pioneirismo no estudo do foclore. O Dante proporcionou o enriquecimento indiscutível da nossa sociedade.”
Luiz Pilla Vares,
secretário estadual de Cultura

“Recebo com pesar a notícia dessa grande perda. O professor Dante de Laytano foi um dos ícones do folclore gaúcho, um grande pesquisador. Deixou um grande referencial como profissional e como pessoa. Suas obras foram de muito valor para o ocnhecimento da identidade do povo do Rio Grande do Sul”.
Alex Della Mea,
diretor do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore

“Se alguém usar a palavra folclore para traduzir hábitos e costumes do gaúcho deve citar Dante de Laytano. Ele trouxe uma nova conotação ao estudo, dando caráter científico aos aspectos que eram apenas orais. Seus livros são fonte obrigatória de consulta sobre literatura e a cultura gaúchas.”
Paixão Côrtes,
folclorista

“Dante de Laytano foi um pioneiro. As primeiras pesquisas sobre o foclore negro no Rio Grande do Sul foram realizadas por ele, revelando ao mundo tda a pujança das congadas de Osório. ele pesquisou também a cozinha do Rio Grande, forte influência açoriana e, como titular da Comissão Gaúcha de Folclore, publicou trabalhos inestimáveis. Laytano foi folclorista e historiador, deopis de abandonar os poemas de sua juventude. O Estado perde o último dos grandes nomes da sua cultura no século 20.”
Antonio Augusto Fagundes
antropólogo

 

Bibiografia

Confira os principais títulos publicads por Dante de Laytano:

  • 1931 – Uma Mulher e Outras Fatalidades
  • 1936 – História da República Rio-grandense
  • 1937 – Notas de Linguagem Sul-Rio-Grandense, a Fala do Gaúcho (tese apresentada no 1o Congresso de Língua Nacional Cantada)
  • 1940 – Os Portugueses dos Açores – A Consolidação Moral do Domínio Lusitano no Extremo Sul do Brasil (tema exposto no 3o Congresso de História e Geografia Sul-Rio-Grandense)
  • 1945 – Bibliografia do Rio Grande do Sul – Obras de Literatura, Poesia
  • 1961 – Pequeno Esboço de um Estudo do Linguajar Gaúcho-Brasileiro
  • 1979 – Manual de Fontes Bibliográficas para Estudo da História do Rio Grande do Sul
  • 1981 – A Cozinha Gaúcha na História do Rio Grande
  • 1981 – O Linguajar do Gaúcho Brasileiro
  • 1983 – Origem da Propriedade Privada no Rio Grande do Sul – séculos 18 e 19
  • 1984 – Foclore do Rio Grande do Sul
  • 1986 – Mar Absoluto das Memórias
  • 1987 – Arquipélago dos Açores
  • 1988 – Presença Calabresa – Projeção Histórica de Morano Cálabro

Entre inúmeros cargos, o foclorista, historiador e professor
porto-alegrense foi presidente de honra da Academia Rio-Grandense de Letras
banco de dados/ZH

Um mestre generoso

Dante de Laytano mostrava-se invariavelmente simpático
e disponível na ajuda a pesquisadores

Antonio Hohfeldt
Coordenador do programa de
Pós-Graduação da Famecos/PUCRS

Natural de Porto Alegre, formado em Direito, tendo desempenhado inúmeras funções administrativas no âmbito estadual e federal, Dante de Laytano foi, antes e acima de tudo, professor e pesquisador.

Dificilmente aqueles que passaram pelo Instituto de Filosofia da UFRGS, aqueles que se dedicaram à História, em especial do Rio Grande do Sul, os que desenvolvem pesquisas em campos tão variados quanto o folclore, a historiografia, a literatura ou a confecção de dicionários deixam de ter uma dívida com o grande mestre. Acima de tudo, Dante de Laytano soube esbanjar e repartir simpatia e disponibilidade, sobretudo para os jovens que se iniciavam naqueles campos em que atuava.

Presidente de Honra da Academia Rio-Grandense de Letras, membro honorário do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, cronista, historiador, sociólogo, crítico literário, dramaturgo e genealogista, Laytano se desdobrava por um número quase infinito de áreas.

Não há como se pensar os estudos sul-rio-grandenses sem referir sua contribuição fundamental e às vezes genial. Basta lembrar obras como Os Africanismos do Dialeto Gaúcho, O Negro e o Espirito Guerreiro nas Origens do Rio Grande do Sul, A Fala do Gaúcho, Os Portugueses de Açores na Consolidação do Domínio Lusitano no Extremo Sul do Brasil , para citar alguns de seus trabalhos pioneiros, abrindo campos de pesquisa que, se hoje em dia são comuns, nas décadas em que foram desenvolvidos por ele eram absolutamente inéditos.

Especificamente no campo da história, seus livros como História da República Rio-Grandense, História da Propriedade das Primeiras Fazendas do Rio Grande do Sul, O Folclore no RIo Grande do Sul , dentre outros, são atuais ainda hoje.

Dante de Laytano atuou, além do mais, como tradutor, por exemplo, da Viagem ao Rio Grande do Sul , de Arsène Isabelle, ou Antes do Almoço , monólogo de Eugene O’Neill, tendo descoberto ainda textos originais inéditos de escritores do século 19, como a novela Patuá , de Carlos Jansen, sobre a qual, na ocasião, desenvolveu extenso estudo.

Não deixou ele de experimentar a produção literária, com um livro de contos, em 1931, além de uma comédia estreada pelo Grêmio de Amadores Teatrais do Colégio São Luís, de Porto Alegre, no distante ano de 1926, ecrevendo ainda para o teatro, naquela época, Por Causa do Retrato, Nos Jardins da Vida e Crisântemus .

Responsável pelo Gabinete Português de Leitura ao longo de muitos anos, publicando a Revista do Museu e Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, respondendo pelo Boletim Bibliogr´fico da Biblioteca Central da UFRGS, Laytano era um estupendo causeur , sempre pronto a uma história e a uma piada, com espírito extremamente crítico mas, ao mesmo tempo, uma imensa empatia para com as coisas da cultura e os seres em geral.

Por tudo isso, sobem a centenas os textos ainda não reunidos – porque dispersos em revistas, páginas de jornais e anotações de seus arquivos pessoais – que aguardam publicação. A morte física de Dante de Laytano, enorme perda para o Rio Grande, compensa-se, de certo modo, pela certeza de que tudo o que produziu não estará perdido.

Sua família, aliás, tem plena consciência disso, e é de se esperar que, em breve, possa-se dar conhecimento de todo esse conjunto magnifíco de dedicação à causa do Rio Grande, que esse descendente de italianos, tão identificado com o universo açoriano e gauchesco, nos deixou como herança.

 

 

– DEDÉ CUNHA

(produzida a partir de uma entrevista)

  Por Ramão Aguilar (*)

 

Antonio Dedé Cunha (nome artístico Dedé Cunha), nascido no, então, 5º Distrito de São Borja, atual município de Garruchos, em 25 de janeiro de 1930, Policial Reformado no posto de 2º Sargento da Brigada Militar, reside em São Borja na Rua Serafim Dornelles Vargas com sua família.
Aos cinco anos, seu pai lhe deu uma gaita de boca e logo em seguida arrumou uma gaita de oito baixos com uma vizinha e comadre, senhora Darci Cabeleira, que também tocava gaita, (me disse: Ela tocava gaita muito bem), da qual Dedé Cunha tem muito orgulho de lembrar, como se fosse uma madrinha de sua arte, pois com ela aprendeu a executar a primeira música de seu repertório, uma rancheira, que nunca deixou de tocar, embora por muitos anos nem o nome soubesse e, quando era perguntado, dizia que era uma Rancheira Sem Nome.
Bem mais tarde ficou sabendo que a música era de autoria de uma senhora residente em São Luiz Gonzaga. Descobriu o nome da Rancheira e o ano em que ela foi criada, 1920, dez anos antes de seu nascimento, quando ouviu, por acaso, o filho de essa senhora tocar a rancheira, ele ficou sabendo que o nome da música era: “Por Aqui, Por ali”, com autorização da família gravou-a em seu CD “Abraço Missioneiro”.
Mais tarde, seu pai lhe comprou uma gaita piano. Nesta época, não existia rádio na campanha, então, se juntavam os gaiteiros para tocar e criar música, ou seja, aumentar o repertório. No entendimento de Dedé Cunha, o fato de não ter como escutar músicas tanto pelo rádio como em toca-discos, essa necessidade proporcionou uma facilidade na arte de criar música.
Dos gaiteiros, que na época reuniam-se para tocar gaita, ele cita com muito orgulho o senhor Francelino Ávila e diz que o mesmo foi sua escola fundamental de sua carreira artística, mas foi no saudoso Reduzino Malaquias, que encontrou seu paradigma. Disse-me com entusiasmo: “igual ao Reduzino, pode vir quem vir que não tem”. Foi meu professor. Um dia, ele esteve em minha casa, almoçou, sesteou e fiquei esperando ele levantar para pedir que ele tocasse pra mim. Aflito, logo que ele levantou, “fui correndo preparar um mate, mateando, ele tocou o resto da tarde, ele gostava de tocar gaita”.
Com o cantor alegre do Rádio, Pedro Raymundo, quando vinha a São Borja, ia aos programas de Rádio e tocaram junto um baile no Clube União no Passo e o Pedro com sua gaita cromática.
Cantou as músicas de Pedro Raymundo quando tinha a gaita piano, depois voltou pra gaita de botão a pedido do saudoso Oneide Bertussi, que na época, teria conseguido um contrato com a gravadora Copacabana para ele e o Tio Bilia, o qual acabou desistindo do mesmo. Mais tarde, foi pelas mãos do cantor missioneiro Pedro Ortaça, com quem manteve uma parceria por dezesseis anos, a assinatura do contrato com a Gravadora Copacabana do seu primeiro LP “Cordeona de Três Ileras”.
Seus parceiros tanto de tocatas como de gravação foram os seguintes: Francelino Ávila, Getúlio Luiz da Silva, (parceiros amadores); Pedro Ortaça acompanhou em gravações de cinco Cds e apresentações por dezesseis anos; Noel Guarani ( nas folgas), Mano Lima, em gravações e apresentações, Amigo Souza, João Paulo Molina, em gravações.
Resumidamente, a sua obra consta de dois LPs gravados pela Copacabana, um gravado pela CITE, dois CDs gravados pela Usa Discos, um trabalho de resgate para CD, pela Gravadora EMI, dos dois primeiros LPs. E Várias participações especiais em gravações de discos de colegas de arte, inclusive, com Pedro Ortaça em cinco CDs.
Disse: que em suas andanças sempre levou o nome de São Borja, tanto no Brasil como no exterior.
Dedé Cunha teve reconhecido seus valores pelo Centro Cultural de São Borja, quando recebeu o troféu “Roquito”, confeccionado pelo artista plástico Rosssini, das mãos do Presidente do Centro Cultura colega Augusto Weber, em programação comemorativa ao aniversário da entidade.
(*) Pesquisador – (21/10/2007).

 

– DÉLCIO TAVARES

Mesclar a tradição gaúcha com o romantismo da música italiana é uma marca do cantor ítalo-gaúcho, Délcio Tavares, nascido em Tenente Portela e vivendo atualmente na cidade gaúcha de Novo Hamburgo. Vencedor de vários festivais nativistas do Estado, foi também condecorado pela Assembléia Legislativa do RS, com o Prêmio Vitor Mateus Teixeira, em 2006, e indicado como representante oficial do Brasil no 39º Festival de San Remo, na Itália. Com toda a sua experiência, Délcio estréia agora um programa próprio: Mate de Esperança, que irá ao ar pela BAND RS, aos domingos, às 9 horas. A proposta do programa é mostrar a diversidade cultural do Rio Grande do Sul através de entrevistas com personalidades conhecidas do Estado. O programa que terá repercussão estadual.

Maiores informações no site do cantor: www.delciotavares.com.br

Dorotéu Fagundes , o Gaudério por Nico Fagundes

 

Não há índio mais gaudério que este Dorotéu. Não sabe ficar quieto num só lugar, hoje está aqui, amanhã onde estará?
Nasceu na cidad e de Uruguaiana, filho do casal Dorotéu e da minha prima irmã e querida amiga Cecília, que faleceu muito moça, mulher religiosa, que procurava criar os cinco filhos dentro da doutrina da igreja metodista. Metodista o Dorotéu foi até conhecer Tânia Mara Carvalho Flores, espírita, mulher de grande caráter, a quem muita gente credita os grandes acertos que o Dorotéu tem, sobre tudo na criação dos três filhos: Antonio, Renato e Maurício. O Antonio, aliás, é um virtuose do violão que hoje vive nos Estados Unidos. O Renato também toca violão, é compositor e cantor. E o Maurício, que recebeu o nome do famoso tio-avô, o coronel Maurício de Abreu, que tombou no combate da ponte do Ibirapuitã em 23, foi o guri mais bagaceira que eu conheci, talvez por isso mesmo o meu predileto. Os três guris são cavaleiros e – agora dois- são sempre companheiros do pai em gauchadas.
O Dorotéu , a quem eu chamo carinhosamente de “Louco”, viveu a infância entre a cidade e a campanha, nos vais e vens profissionais do pai, estudando desde o primário até o segundo grau no Colégio União. Foi acompanhando o pai que desenvolveu as lidas campeiras no Imbá e em São Marcos e fazendo escotismo no seu amado Colégio União. Mas foi graças ao avô materno Cantilio Fagundes, o mais gaudério de todos na família do velho João Batista, que o “Louco” conheceu o violão. Com onze anos beliscou os primeiros acordes no violão do tio materno João Antonio e nunca mais se separaram. Em pouco tempo o “Louco” se descobriu cantor, poeta e compositor. Aos quinze anos, já autor de poemas fez com ajuda de “Flaco José Luiz Villela” a belíssima e original mazurca Canção da Estrada. E esteve em seguida na Califórnia da Canção Nativa acompanhando no palco o grupo Terra Viva nas canções do saudoso amigo José Hilário Retamozo. Moço ainda, mas já fazendo nome o Dorotéu se bandeia para Porto Alegre, inquieto e gaudério, empunhando o violão como bandeira e o talento irresistível como brasão. Em seguida vai ser o coração sonoro de um movimento que revolucionou Porto Alegre e repercutiu no Rio Grande inteiro, com a fundação da Pulperia, a remodelação do Vinha Dalho e a reestruturação do Macanudo e logo depois o Bolicho da Praça, em Palmeira das Missões.
E aí o “Louco” não parou mais, até hoje. Organiza a Tarca, que é a empresa que centraliza as suas atividades. Organizou e dirige até hoje o programa de rádio Gauchesco e Brasileiro que hoje é transmitido em cadeia por setenta emissoras de rádio no Brasil e duas na Argentina. Nos últimos cinco anos apresenta com muito sucesso o programa Galpão do Nativismo na Rádio Gaúcha. Gravou individualmente dois CDS e um LP e integrando o grupo Fagundaço gravou mais um LP.
Mas eu acho que a ânsia de gaudério no “Louco” está mais viva do que nunca e vai dar frutos esplêndidos. Ele está sempre viajando – pelo Rio Grande, pelo Brasil, pela América, pela África, pela Europa e pela Ásia – sempre imaginando coisas, fazendo planos, semeando idéias. Como presidente e fundador do Instituto Cavaleiros Farroupilhas ele apoiou vigorosamente o prefeito José Vicente Ferrari, de São José do Norte, quando organizou a 1ª Cavalgada da Invasão Farroupilha, para relembrar o ataque dos farrapos aquela cidade histórica, onde Garibaldi tomou parte. Nasceu daí a idéia de se batizar com o nome do herói de dois mundos o grande Porto Internacional que a Aracruz vai construir ali. E quando chegar o primeiro navio, que virá de Nice para inauguração, ali estarão para recebe-lo os Cavaleiros Farroupilhas, com a bandeira das três cores. E Dorotéu Fagundes estará montado, no comando, acompanhado pelos seus três filhos, cheios de justo orgulho.

 

– EDU NATUREZA – Novo Brasil

Compositor, multi – instrumentista, arranjador, cantor, letrista e professor de música com mais de 30 anos de trabalho, sempre na divulgação e valorização da Música Popular Brasileira. Em sua trajetória, dezenas de apresentações em países da Europa (França, Itália, Alemanha e Suíça) e do Brasil (Rio de Janeiro, Vitória, São Paulo, Florianópolis), bem como em diversos projetos culturais em Porto Alegre e interior do RS.
A temática de suas composições trata da valorização da vida, da preservação da natureza e da cultura, da paz e da ética, do trabalho e de uma sociedade mais justa e fraterna.
As composições são criadas tendo como base ritmos de diversas regiões brasileiras, como Samba, Choro, Xote, Chamamé, Partido Alto, Candombe, Baião, Afoxé, Frevo, Bossa Nova, Marcha-Rancho, Maracatu, Xaxado, Forró Pé-de-Serra, Valsa, Compassos de 5/4, 7/4 e 6/8, e suas fusões que resultam em combinações inéditas.
– ELTON, O PIÁ BENICIO – ELTON BENICIO ESCOBAR SALDANHA

A vida de Elton Saldanha daria um romance. Ou melhor, uma minissérie da Globo, onde não faltam aventuras, peleias, música e amor. Elton Benício Escobar Saldanha, descendente de famílias nobres pelos dois lados, nasceu no bairro da Chácara, que era uma grande propriedade da família Escobar, onde terminava Itaqui e começava o mundo apertado entre dois rios, o Ibicuí e o Uruguai, vivas e nostálgicas impressões que marcaram o Piá desde a infância. Do privilegiado observatório da janela do bolicho do pai, o Elton viu peleias inenarráveis. O pai mesmo, um trabuzana, matou numa peleia de tiros e facadas um valentão na frente do menino Elton… E de uma vez escorou o próprio filho adolescente no bico de um trinta e oito engasgado de bala!
Mas o Piá não era santo. Quando guri aprendeu a esquilar, a trançar, a colher arroz de foice, a montar. Nos rios da infância, tornou-se um grande nadador. Na periferia da cidade, foi um juvenil de futuro nos times de futebol até quebrar a perna com fratura exposta numa disputa feia. Mas até hoje joga futebol muito bem, nada como um campeão e é um semideus a cavalo. Na adolescência, com o violão batendo como um coração fora do peito, meteu-se nos ranchos do chinaredo e descobriu um estranho paraíso violento e passional. Fascinado pelo exército, a dura realidade da caserna nesses tempos de ditadura militar chocou-o de tal sorte que depois de poucos meses conseguiu largar a farda por excesso de contingente. Moço feito, cantor e compositor de sucesso, veio para Porto Alegre trazido por Juarez Bittencourt e não parou mais de acumular prêmios. E amores. Tem 16 discos gravados e um DVD e mais de 800 canções gravadas por ele mesmo e pelos melhores artistas e conjuntos do pago. Foi presidente do IGTF e diretor do IEM. Como brilhante membro dos Cavaleiros da Paz já percorreu a cavalo países da América Latina e da Europa. Agora formado em jornalismo, não vai parar. Durante três anos, apresentou o programa Fandango na TV Educativa. Foi ator de TV (O Tempo e o Vento e A Casa das Sete Mulheres da TV Globo). Como compositor/ intérprete, venceu festivais como a Califórnia de Uruguaiana, o Musicanto de Santa Rosa, a Barranca de São Borja, a Tafona de Osório, a Moenda de Santo Antonio da Patrulha e outros. É autor de canções antológicas como Eu Sou do Sul, Cardeais e o Hino dos Cavaleiros da Paz.
É filho muito mimoso de dona Ártemis e do seu Nélson. O Piá é inquieto, inteligente, amigo de seus amigos e adorado pelas mulheres. Durante muitos anos, ele e o Leopoldo Rassier dividiam o título de maiores conquistadores do gauchismo. Mas agora vai casar e sossegar o pito. Mas só em questões de amor, porque vai continuar inventando novos rumos. O Elton Saldanha é um dos meus maiores amigos e eu costumo dizer que ele é meu irmão mais moço, pelo qual tenho carinho e uma enorme admiração.
Quando casar com a bela Renata, vai se retirar para um rancho na beira da Lagoa dos Patos, com seu violão, com sua imensa capacidade de criação. E há de continuar cantando, para nossa alegria.
Fonte: Coluna do Nico Fagundes em Z.H.

– ÉRLON PÉRICLES – São Luiz Gonzaga

É um dos compositores mais premiados no movimento dos festivais. Teve suas canções gravadas pelos mais diferentes intérpretes da música regional, o que o torna um dos mais versáteis compositores da nova geração, transitando entre os mais diferentes estilos musicais. Érlon tem 3 Cds gravados. O mais recente, “Mais Gaúcho” traz canções conhecidas como Rio Grande Véio e De cima do arreio.

– ERNESTO FAGUNDES – ERNESTO VILAVERDE FAGUNDES

Ernesto Vilaverde Fagundes nasceu em Alegrete a 18 de janeiro de 1968. Aprendeu violão com o primo Quico e, aos oito anos, dançava chula no CTG Vanqueanos da Fronteira. Em 1978 e 1979, começa participar de festivais, ao lado de Bagre e Neto, tocando bombo leguero. No ano seguinte, participou da Campereada Internacional de Alegrete, apresentando, com o “Grupo Inhanduy”, o Canto Alegretense. Então, começa a se apresentar em vários festivais junto de Bagre e Neto, sempre como leguerista.
Em 1985, mudou-se para porto Alegre, onde passa a trabalhar com Neto, Elton Saldanha e Dante Ledesma. Um ano depois, fez sua primeira gravação como intérprete no LP “Fagundaço”.
Ernesto Fagundes tem como marca registrada o seu instrumento musical – o típico Bombo Legüero. Em carreira solo, já lançou quatro CDs: Ernesto Fagundes, Guevara Vivo, Sul e A Hora do Mate. Músico regionalista reconhecido em todo o País, tem ganhado, agora, espaços no cenário internacional. Recentemente, se apresentou no Museu do Louvre, em Paris, integrando o projeto “Ano do Brasil na França”. Juntamente com a sua família – os Fagundes – assina outros quatro trabalhos: Fagundaço, Natal Luz, Galpão Crioulo e Para Todas as Querências. Para mais informações sobre Ernesto Fagundes, acesse www.osfagundes.com.br .
Destaques do repertório:
– Herdeiro da Pampa Pobre – música composta pelo Gaúcho da Fronteira e Vainê Darde que fez sucesso numa regravação (saiu em 1999, no disco “Várias Variáveis”), da banda Engenheiros do Hawaii;
– Si se calla el cantor – Composta em 1973, pelo compositor uruguaio Horacio Guarany, que fez sucesso na voz da cantora Mercedes Sosa;
– “Querência Amada” – Um clássico composto pelo Teixeirinha (um dos maiores compositores da música gaudéria, já falecido e muito cultuado), que os Ernesto e o Gaúcho da Fronteira cantarão juntos no concerto.

– ERNESTO FAGUNDES – por Nico Fagundes
Quando o Ernesto nasceu, a América vivia sob a emoção da morte de Che Guevara, em plena ditadura militar. Os pais, Bagre e Marlene, viram que o gurizinho era a cara do guerrilheiro famoso e quiseram homenageá-lo – Ernesto Villaverde Fagundes. Na ocasião, eu lhe dediquei alguns versos: “No píncaro boliviano não faltará em Vallegrande outra voz que nos comande no porvir americano, porque ao argentino-cubano, que se mata e não se vence, porque a si não mais pertence, mas à América e à Glória, há de honrar-lhe o nome e a história o Ernesto alegretense”. Proféticas palavras: aquele gurizinho nasceu predestinado a vencer.
Aos oito anos de idade e à sombra do pai, aficionado ao nativismo castelhano, o Ernesto começa a brilhar vencendo todos os concursos de sapateio – chula e malambo – na invernada mirim do CTG Vaqueanos da Tradição na velha Capital Farroupilha. Mas não cantava, o cantor da família era o mano Neto. Um dia, passando pelo Alegrete, eu lhe dei um bombo legüero, um dos dois primeiros instrumentos deste gênero vindos para o Brasil. Foi amor à primeira vista, nunca mais se separaram. Na adolescência, o Ernesto começa a cantar e aí, para a surpresa de todos, se revela um baita cantor.
Muito moço ainda, com o Neto e o Bagre já brilhando em festivais e espetáculos gauchescos, eu insisti para que ele viesse a Porto Alegre e aí não parou mais de brilhar. Hoje possui quatro CDs gravados e é parte importante nos trabalhos gravados do grupo Os Fagundes. O seu disco Guevara Vivo, lançado em Havana, está no Museu Guevara na capital de Cuba.
Ernesto já se apresentou no Museu do Louvre, em Paris, em Havana, em Verona e Veneza, na Itália, no México, nos Açores, em Hong Kong e em Buenos Aires. Brilhou no Fórum Social Mundial com o espetáculo Guevara Vivo e vive fazendo apresentações com Os Fagundes pelo Estado inteiro, em Santa Catarina , no Paraná, em São Paulo , no Rio de Janeiro, em Brasília. Como radialista, apresenta na Rádio Rural o programa A Hora do Mate e o Galpão do Nico. É parte importante do projeto Teixeirinha Memória Nacional e está preparando outro CD para agosto e produzindo o novo DVD dos Fagundes. Marido apaixonado da bela Juliana e orgulhoso pai da Manoela, Ernesto é muito apegado à família Fagundes, do pai, e à família Villaverde da mãe. É também irmão do Paulinho, virtuoso da guitarra.
Ernesto é um dínamo, irrequieto, de simpatia irradiante. Embora seja o mais jovem dos Fagundes é na prática o diretor do grupo, ao lado do irmão Neto, do pai Bagre e do tio que escreve estas linhas. Nunca ninguém viu o Ernesto mal-humorado. Seu sorriso é famoso. Eu costumo dizer que ele tem 380 dentes e sorri com todos eles…Vai longe esse guri. Quem gosta de música regionalista gauchesca e das canções argentinas, gosta do Ernesto. Quando artistas argentinos visitam o Rio Grande, como Mercedes Sosa, é certo que lá, ao lado do astro ou da estrela estará o pequeno grande Ernesto batendo bombo, dedilhando um violão ou cantando. E sorrindo, claro.

Fonte: Coluna do Nico Fagundes em Z.H.

– GETÚLIO DOS SANTOS

(O Trovador Missioneiro)

*Ramão Aguilar (a partir de uma entrevista)

Getúlio Becker da Silva (nome artístico Getúlio dos Santos ), Cantor, trovador e compositor do nosso cancioneiro gaúcho, nascido em 10/06/1951, no então 2º Distrito de São Borja, RS, atual município de Itacurubi, filho de Enedina Becker dos Santos e Laudelino Lima da Silva, ela, natural da Bossoroca-RS e ele natural de Atual Município de Itacurubi. Em 1964 o casal, juntamente com seus seis filhos, passou a residir em São Luiz Gonzaga – RS. Onde Getúlio estudou até a 5ª Série. Desde criança já tinha pendões para a arte de cantar, e, em 1972, recebeu o convite do Locutor Senhor Olívio de Mattos, para apresentação em um programa de palco e auditório da Rádio São Luiz de São Luiz Gonzaga, quando fez sua primeira apresentação em público, cantando uma música do saudoso Gildo de Freitas, “Definição das Pilchas”. Depois, já adulto, foi embora para Santo Ângelo – RS fez parte do Grupo “Os Ginetes”, integrado também por Belarmino Lourega (acordionista), Dorival Pereira (guitarrista) e Darci Bisonin (acordionista), Renato (contrabaixista) e o Beto (baterista), por oito anos, sendo o vocalista, Gravou, juntamente com este Grupo, seu primeiro LP, pela Isaek, tendo uma vendagem de vinte mil LPs, fato considerável nessa época, que atesta o sucesso do Grupo “Os Ginetes”. Das doze composições do disco, seu carro chefe foi à música “Velha Gaita”. Com a dissolução do Grupo, em 1978, Getúlio dos Santos foi trabalhar na Rádio “Sepé Tiarajú”,de Santo Ângelo, que atinge cento e oitenta municípios, onde apresentou o programa regionalista “Terra que Canto”, aos domingos das 18hs.e 30 min. Às 19hs.e 30min. Por nove anos. Contratado pelos partidos políticos ou candidatos toda a vez que havia eleição, tanto municipal ou estadual ou federal, era chamado para trabalhar durante a campanha, para improvisar versos a favor do candidato que o contratava, alguns deles: Saudoso José Alcebíades de Oliveira e Leônidas Ribas. Deputado Luiz Valdir Andrés, Alberto Wachester, Mauro Azeredo e tantos outros. Profissão que continua exercendo. A partir de 1987 partiu para carreira solo, gravando três CDs, sendo o mais recente o CD denominado “O Trovador Missioneiro”, com a supervisão geral do Cantor e Trovador Valdomiro Mello, teve uma vendagem de quarenta e dois mil CDs. Integram o disco as seguintes músicas: Rincão dos Vieiras, O Cantor Missioneiro, Deixade Arte Nicolau(José Daltro Santana), Xirú Gaudério, Nosso Destino, Pago Nativo, Vanerão da Minha Terra (Belarmino Lourega), Flor Missioneira(Dorival Pereira), Crença do Pago, Velha Gaita, Sistema Riograndense, Força de Vontade, Coisas Que Eu Gosto(Cleber Mércio) e Saudades Correntina (Belarmino Lourega). Com vários troféus e distinções acumulada ao longo de vinte anos, Getúlio dos Santos , destaca-se no Rio Grande do Sul entre os principais trovadores, com apresentação em todo o Brasil. Contatos: São Miguel das Missões: 9991-4973 (Valter).
* (pesquisador) – 1º/11/2008.

 

GILBERTO MONTEIRO

Instrumentista. Acordeonista. Compositor. Nascido na cidade de Santiago-RS. Gilberto Monteiro é uma das representações mais completas e autênticas da cultura dos Pampas. Funde temas regionais uruguaios, argentinos e gaúchos com habilidade e harmonia. Autor de melodias intuitivamente folclóricas, Gilberto faz da gaita e do acordeão os instrumentos de exposição das suas raízes.
É considerado um dos mais importantes músicos do Rio Grande do Sul. Como compositor, foi autor de um dos maiores sucessos de Renato Borghetti, a “Milonga pras Missões”. Tornou-se um inspirador para Renato Borghetti, de quem passou a abrir muitos shows. Em 1984, a “Milonga para as Missões” foi lançada por Renato Borghetti no LP “Gaita ponto”.
Em 1986, participou da 16º Califórnia da canção nativa, na cidade de Uruguaiana, RS, dp disco que registrou as vencedoras do festival, tocou gaita nas faixas “Provinciano”, de Mário Eleú Silva e Mário Barros, na interpretação de João de Almeida Neto, e “Quati-mundéu”, de Moisés Silveira Menezes e Juliano de Souza Javoski, na interpretação de Juliano Javosky. Em 1989, a música “Recordando as bailantas” foi gravada por Renato Borghetti, em LP lançado pela Continental. Em 1991, teve a composição “Pra ti guria” gravada por Gaúcho da Fronteira no LP “Gaúcho negro”, da Som Livre, com a trilha sonora do filme “Gaúcho negro”. Em 1997, lançou pelo selo Atração o CD “De Lua & Sol”, com treze composições de sua autoria, entre as quais,”De Lua e Sol”, “Viejo Sarandi”, “Mateando com los amigos”, e “Esquila.”. Em 2001, a composição “Alumiando as maçanetas” foi relançada, na interpretação de Renato Borghetti, na série “Dois em um”, com regravações de LPs. Gravou em 2003, o CD “Pra ti guria”, com destaque para as faixas “Boa Vista de São Domingos”, “Recordando as bailantas” e “Unistalda Campeira”. No mesmo ano, participou da trilha sonora do filme “Noite de São João”, com direção de Sergio Silva. Em 2005, apresentou-se com Renato Borghetti no encerramento da Oficina de Chorinho em Porto Alegre. Nesse ano, recebeu o Prêmio Vitor Mateus Teixeira (Teixeirinha), no Teatro Dante Barone da Assembléia Legislativa, como melhor instrumentista gaúcho de 2004, na primeira edição do prêmio, que contemplou em 12 categorias, os melhores artistas da música gaúcha. Em 2006, seu clássico “Milonga para as missões” foi gravada pela dupla Victor e Leo, no CD “Victor e Leo ao vivo” lançado pela Sony/BMG.

Discografia

. 16º Festival Califórnia da Canção Nativa (Participação) (1986) LP
. De Lua & Sol (1997) Atração CD
. Pra ti guria (2003) CD

FONTE: UBIRATAN DA CUNHA GUILHERME

 

 

– GLENIO FAGUNDES, O Santo POR NICO FAGUNDES

O Dr. Albino Portela Fagundes e a Dona Amélia Cabral Portela Fagundes eram duas pessoas maravilhosas, a quem conheci muito, pais de Glênio e Paulo, meus amigos e meus irmãos de poucas e boas que fizemos pelos caminhos do Rio Grande, do Brasil e da América Latina.
O Paulo, a quem eu carinhosamente chamava de Bola, tinha um ouvido mágico, era um belo violão, bom gaiteiro e tinha uma voz privilegiada. Até a morte do Bola os dois irmãos eram inseparáveis. Até casaram com duas irmãs. O Bola nos deixou prematuramente, mas o Glênio, graças a Deus, está conosco, com sua ternura, com seu violão inseparável, e com seu programa Galpão Nativo, há 25 encantando o Brasil pela TVE.
O Glênio nasceu em Cacequi, quando o pai era médico da rede ferroviária e ali viveu até os 18 anos, quando se transferiu para a cidade de Rio Grande e depois definitivamente para Porto Alegre. Eu conheci os dois irmãos em 1955, graças a minha amizade com Jarbas Cabral, irmão da dona Amelinha. O Jarbas foi quem introduziu, com seu violão e sua voz privilegiada, o cancioneiro argentino entre nós. Nos seus tempos de rádio, ele usava o nome artístico de Carlos Medina. Quando surgiu o programa Grande Rodeio Coringa, o Jarbas criou o conjunto Os Gaudérios, referência obrigatória da música regionalista gauchesca. O Glênio sempre foi o seu discípulo predileto. Em 1959, quando fundamos o Conjunto de Folclore Internacional, lá estava o Glênio e o Paulo cantando e tocando. Mais tarde, seguindo o rastro do tio famoso, o Glênio fundou e dirigiu o conjunto Os Teatinos, que teve notável atuação enquanto existiu. Glênio tem o seu livro Cevando o Mate com várias edições e agora está preparando o Poemas Terrunheiros, Aforismos e Relampejos, reunindo a sua considerável obra poética. Gravou, também, um disco com suas composições e dois com Os Teatinos.
Nós temos dois santos autênticos no gauchismo: um é o Glênio e o outro é Paulinho Pires, homens no verdadeiro sentido da palavra, artistas que dividem com os outros generosamente o dom que receberam de Deus, de transformar em música e poesia o mundo à sua volta. O Glênio está aí. Na sua casa, rodeado pelo amor da esposa Tita e dos filhos Nicássio, Cassiana, Osíris, Terêncio, Horácio e Juvêncio, que já lhe deu a neta Bibiana, mas rodeado também de amizades e do respeito do Rio Grande inteiro, que tem por ele e por sua obra um carinho muito grande. O Glênio é um homem profundamente espiritualizado, que conversa com as plantas e com os bichos do campo. Seu jeito simples, com a melena e a barba entordilhando, é a imagem daqueles gaúchos antigos, santos e guerreiros dos nossos galpões. Por onde passa, o Glênio deixa um rastro luminoso. Ouvi-lo falar é beber filosofia e ternura. Ouvi-lo tocar o violão com boca de salamanca é retovar-se de magia e encantamento.

Fonte: Coluna do Nico Fagundes em ZH-04/06/2007

GILDO DE FREITAS

Gildo de Freitas: o Patrono dos Trovadores Gaúchos!

Leovegildo José de Freitas, Gildo de Freitas (Alegrete, 19 de Junho de 1919 – Porto Alegre, 4 de Dezembro de 1982) foi um cantor, trovador, músico e compositor do Rio Grande do Sul. Seu estilo foi muito parecido com o do Teixeirinha, de quem foi rival e por quem era muito respeitado. Filho de Vergílio José de Freitas e Georgínia de Freitas, teve muitas profissões, sendo a de cantador que veio imortalizá-lo. Em 1931, Gildo de Freitas fugiu de casa pela primeira vez, aos 12 anos de idade. Em 1937 é tido como desertor, por não ter se apresentado à convocação militar. Envolveu-se na primeira briga séria, onde morreu um jovem amigo, e foi preso pela primeira vez,  passando a nutrir um sentimento de ódio pela polícia. Em 1941, casou-se com Dona Carminha, passando a ter morada fixa no bairro de Niterói, em Canoas, Grande Porto Alegre. E os contratempos com a polícia continuaram. Em 1944 nasceu o seu primeiro filho, após a perda de dois. Gildo, nessa época, começou a viajar e a ser reconhecido como trovador. Em 1949 o trovador, já com fama em todo o Estado do Rio Grande do Sul, desapareceu de casa, reaparecendo na fronteira gaúcha. Em longa temporada passada no Alegrete, o cantor mal conseguia caminhar, em decorrência de uma paralisia nas pernas. Entre 1950 e 1951, conheceu Getúlio Vargas, em São Borja, entrando na sua campanha política. As perseguições policiais cessaram. Realizou, então, a sua primeira viagem ao Rio de Janeiro. Nos idos de 1953 e 1954 começou a ficar famoso como trovador nos programas de rádio ao vivo, em Porto Alegre , voltando a viver com a família no bairro Passo d`Areia. Em 1955, encontrou-se com Teixeirinha, passando a se identificar muito com ele. Começou a realizar muitas viagens, mudando-se para o bairro Passo do Feijó e abrindo o seu primeiro bolicho. Ente 1956 e 1960 foi a maior atração do programa Grande Rodeio Coringa, que ia ao ar aos domingos à noite. Passou, então, a viajar mais com Teixeirinha. E a partir de 1961, com o declínio dos programas de rádio ao vivo e o início da televisão, Gildo resolveu abandonar a carreira de cantor e se propôs a criar porcos. Em 1963, viajou a São Paulo para gravar o seu primeiro disco. Em 1964 é lançado o seu primeiro LP, mas, em meados do ano, é convidado a prestar depoimento sobre as suas ligações com o Trabalhismo. Em 1965 iniciou a sua célebre disputa com Teixeirinha, por meio dos discos. Convidado por Jango para viver no Uruguai, Gildo não aceitou. Entre 1970 e 1977, foi várias vezes internado em hospitais. No entanto, obteve sucesso popular nas gravações e realizou muitas viagens. Nesse período, a sua  disputa com Teixeirinha chegou ao seu ponto máximo. Mudou-se, então, para Viamão e, em 1978, inaugurou naquela cidade a Churrascaria Gildo de Freitas, dando início aos bailões. Em 1982 gravou o seu último disco, pela mesma gravadora dos seus trabalhos musicais anteriores: a Continental. Em 1982 deu-se a sua última internação em hospital e as suas últimas aparições públicas em programas de TV. Moreu aos 4 de dezembro daquele mesmo ano.  A Lei Estadual/RS Nr. 8.819/89 tornou a data de falecimento de Gildo de Freitas o Dia do Poeta Repentista Gaúcho . (Fonte: Fonseca , Juarez (1985). Gildo de Freitas : Coleção Esses Gaúchos . Porto Alegre: Editora Tchê; e  Wikipédia, a enciclopédia livre:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Gildo_de_Freitas )

 

 

-HUGO RODRIGUES RAMÍREZ

Nasceu em Uruguaiana a 12 de abril de 1922. Educador, jornalista, advogado, conferencista, poeta, escritor e tradicionalista. Membro efetivo da Academia Rio-Grandense de Letras, da qual foi presidente por duas gestões. Idealizador e principal organizador em 1957, da Estância da Poesia Crioula, entidade que presidiu por três gestões. Como escritor, publicou mais de setenta títulos, sendo trinta e oito de ensaios pedagógicos e sociológicos. Teve seu romance “Rio dos Pássaros”, enaltecido pela Academia Brasileira de Letras, colocando-o ao lado dos grandes romancistas brasileiros. Como tradicionalista, foi fundador do 13º CTG a ser fundado no Estado, o “Galpão Campeiro” de Erechim, em dezembro de 1952. Integrou a primeira patronagem do pioneiro “35” CTG. Foi 3º Vice-Presidente do 1º Congresso Tradicionalista Gaúcho em 1954 e Presidente do 50º Congresso em 2004, ambos realizados no mês de julho, na cidade de Santa Maria.
Foi Presidente por duas gestões, do Movimento Tradicionalista Gaúcho-MTG, 1970 e 1971, ocasião em que idealizou o festival pioneiro da música nativista – a Califórnia da Canção de Uruguaiana.
Hugo Ramírez faleceu no Hospital Ernesto Dornelles de Porto Alegre, às 23h45min de 01.08.2007, foi velado no “35” CTG e sepultado no Cemitério João XXIII, às 10h de sexta-feira do dia 03/08/2007

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– JAYME CAETANO BRAUN

Nasceu em 30 de janeiro de 1924, na Timbaúva, distrito de São Luiz Gonzaga (RS), hoje pertencente ao município de Bossoroca. Foi alambrador, tropeiro e curandeiro. Um artista missioneiro que fez de sua terra o seu mundo, de sua aldeia, uma pátria.
Sonhava em cursar Medicina , mas formou-se em jornalismo. Sua imensa cultura foi apurada no período em que ocupou o cargo de diretor da Biblioteca Pública do Estado, entre 1959 e 1963.
Especializou-se em décimas (poemas com estrofes de 10 versos). Os poemas, que começou a escrever piazito, por influência da família, foram publicados em vários livros. O primeiro, Galpão de Estância (1954), trazia versos de temática campeira, quase sempre dedicados a objetos do universo do homem da Campanha: relhos, chilenas, laços, carretas.
Na década de 70, trabalhou como radialista na Rádio Guaíba, onde apresentava o programa “Brasil Grande do Sul”, que ia ao ar aos sábados pela manhã. Ele também foi funcionário público estadual. Trabalhou no Instituto de Pensões e Aposentadorias dos Servidores do Estado (Ipase) .
Considerado o maior pajador do Rio Grande do Sul, foi membro e co-fundador da academia nativista Estância da Poesia Crioula, em Porto Alegre (RS). Poeta regionalista, costumava usar os pseudônimos de Piraju, Martín Fierro e Andarengo. Carismático, tornou-se popularmente conhecido não só no Brasil, mas também em países como Uruguai e Argentina. Vários CTGs lhe homenagearam, inclusive em v i da, atribuindo-lhes o nome de “Jayme Caetano Braun”, em várias cidades brasileiras, inclusive na Capital Federal.
Entre seus poemas mais declamados pelos poetas regionalistas do país inteiro, destacam-se “Tio Anastácio”, “Bochincho” e “Galo de Rinha”.
Jayme faleceu em 08 de julho de 1999, às 5h30, na Clínica São José, em Porto Alegre , vítima de complicações cardiovasculares, depois de receber quatro pontes de safena e enfrentar problemas de depressão e tentar o suicídio.

 

– JAIRO “LAMBARI” FERNANDES

Um artista essencialmente gaúcho, cantando as coisas da terra. Traz em suas canções a sensibilidade da lua e os mistérios das noites estreladas. Na alma a natureza do gaúcho. Poesia, verso e canção. Trilhando seu rumo em uma estrada de bons trabalhos semeados. foi Campeão em diversos festivais nativistas e é dono de uma voz singular que transmite sensibilidade, campeirismo e amor.

JOÃO CEZIMBRA JACQUES

O HOMEM JOÃO CEZIMBRA JACQUES

Segundo seu biógrafo – o Coronel PM, historiador e membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul – Hélio Moro Mariante, JOÃO CEZIMBRA JACQUES teve sua vida terrena assinalada por um signo dúplice – o do infortúnio e o do pioneirismo – um e outro com extraordinária influência em sua vida.
Abriu os olhos para o mundo na rua do Acampamento, em Santa Maria , no dia 13 de novembro de 1849. Seu pai, moço ainda, expirou no Paraguai a serviço da Pátria, onde também se encontrava nosso biografado que, contando apenas 18 anos de idade, prestava serviços de guerra, engajado no 2º Regimento de Cavalaria.
Sua mãe, esposa e filhos faleceram muito jovens, vítimas da tuberculose que dizimou toda sua família, vindo ele próprio sucumbir aos 73 anos de idade, do mesmo mal.
Juntamente com seus dois irmãos, Cezimbra Jacques foi criado pelos avós paternos.
Esse permanente e angustiante estado emocional influenciou como não poderia deixar de ser, em sua idiossincrasia, pois que o acompanhou do berço ao túmulo como um ferrete a amargurar-lhe a existência.
De estatura mediana, cabelos lisos, maçãs do rosto salientes, grandes orelhas, olhos levemente amendoados, fronte ampla e bastos bigodes, era bem o tipo representativo do gaúcho da campanha.
“Indiático, pouca barba, a sua fisionomia tinha traços do silvícola nacional. Talvez mesmo, o sangue desses antepassados corresse nas suas veias”, segundo precioso depoimento de seu íntimo amigo, Dr. Sinval Saldanha, que acrescentou: “Original, excêntrico, respeitável por todos os títulos, gozava de alta consideração no meio social.”
O Dr. Mário Kroeff, amigo pessoal de Cezimbra Jacques, em seus livros “Imagens do Meu Rio Grande” e “O Gaúcho no Panorama Brasileiro”, relata com pormenores, a tragédia que se abateu sobre a família de Cezimbra, culminando por acompanhar ele próprio os restos mortais de seus filhos e de seu pai até a última morada. Encarregado do enterro pelo próprio Cezimbra, desincumbiu-se dolorosamente do encargo.
Outro depoimento valioso, de autoria do também seu amigo Dr. Sinval Saldanha, diz: “Mais de uma vez visitei-o em sua residência na Avenida Mem de Sá, no Rio. Eu ia em companhia do Oswaldo e do Mário Kroeff, seus bons amigos aqui do Sul. Na parede do quarto, penduradas, se viam fotografias de dois moços e duas blusas de militar. Eram dos entes queridos levados pela morte. Uma ou duas vezes por semana renovavam-se as flores que enfeitavam aquele quarto.
E o velho pai, reverente, saudoso e positivista, se encurvava todos os dias ante aqueles objetos pertencentes aos caros filhos desaparecidos.
Em dado momento de nossa palestra, naturalmente sobre assuntos do Rio Grande do Sul, Cezimbra Jacques abriu uma gaveta e dela tirou um saquinho. Aberto, vimos que tinha terra. Sim, era terra do Rio Grande do Sul que o venerando cidadão conservava para lhe servir de travesseiro em seu caixão mortuário. Emocionado, disse que ia morrer distante de seu torrão natal, pois não queria afastar-se para longe da sepultura dos filhos, no Rio. E assim sendo, suplicava aos três amigos presentes, que levassem um dia as suas cinzas para os pagos sulinos.
Lamentavelmente não foi cumprida sua última vontade. Oswaldo e eu morávamos em Porto Alegre ; Mário, no Rio de Janeiro, viajou à Europa por longo tempo. Deixamos assim, passar o prazo do arrendamento do túmulo do intrépido gaúcho”.
No entanto, durante o 32º Congresso Tradicionalista Gaúcho, em Capão da Canoa, uma tradicionalista pediu ao presidente do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul, Cel Cláudio Moreira Bento, para localizar os restos mortais de Cezimbra Jacques, e o Instituto então foi a campo. Através das pesquisas realizadas no Hospital Central do Exército, onde ele faleceu em 28 julho 1922, na Santa Casa – que administra os cemitérios, na Biblioteca Nacional e no jornal A Noite – que registrou seu falecimento, chegou-se à conclusão que seu óbito foi lavrado sob o número 242, tendo sido seus restos mortais trasladados para Porto Alegre em 3 agosto 1927, com a guia de nº 406. Todavia, ainda não se descobriu quem o levou e para onde.

O MILITAR JOÃO CEZIMBRA JACQUES

Sua vida militar pode ser assim resumida:
Em 1867, contando apenas 18 anos de idade e à revelia de seus avós, por quem estava sendo criado, alistou-se no 2º Regimento de Cavalaria, que passou a integrar o 3º Corpo do Exército Brasileiro que operou no Paraguai.
Finda a guerra, retornou à Pátria como 2º Cadete do 4º Regimento de Cavalaria, tendo sido condecorado com medalhas conferidas pelos governos do Brasil, Argentina e Uruguai.
Logo após seu regresso, verifica praça no dia 1º outubro de 1870, ingressando, como filho de militar, diretamente na Escola Militar. Gaúcho até a medula dos ossos, preferiu a Arma de Cavalaria, concluindo o respectivo curso no ano de 1874.
Foi elevado a Alferes em 1875, a Tenente em 1884 e a Capitão em 1891.
Em 1895 comandava o 3º Esquadrão do 3º Regimento de Cavalaria.
Foi instrutor da Escola Preparatória de Rio Pardo e do Curso D’Armas da Escola Militar do Rio Grande do Sul em Porto Alegre.
A compulsória atingiu o Capitão Cezimbra Jacques em 1901, quando então foi transferido para a reserva do Exército no posto de Major. Posteriormente, em 1922, segundo pesquisas do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul, foi promovido post mortem ao posto de Tenente-Coronel.
Mestre, desenvolveu atividades, desde o tempo do Império, na Escola Tática e Preparatória de Rio Pardo, grande celeiro de Oficiais Superiores do nosso Exército, e na Escola Militar do Rio Grande do Sul, também famosa pelo número de Oficiais ilustres que passaram pelos seus bancos. De um dinamismo incomum, era muito acatado, quer no meio civil, quer no militar, sendo muito estimado por alunos e considerado por seus pares.
Foi instrutor militar do Instituto de Ensino da Escola de Engenharia, hoje Colégio Estadual Júlio de Castilhos.

A OBRA DE JOÃO CEZIMBRA JACQUES

Seu pioneirismo nos é revelado por diversas iniciativas: como escritor versou sobre assuntos até então pouco explorados ou inéditos em nossas letras; por sua inspiração e trabalho de proselitismo foi criado o Grêmio Gaúcho, núcleo primeiro no culto sistematizado das tradições sul-rio-grandenses; fez parte dos primeiros adeptos do positivismo em nosso Estado ; foi um dos primeiros gaúchos a escrever sobre o problema social; falava o francês, o guarani e o caingangue, e gozava de prodigiosa memória.
Sua participação na vida pública, social e intelectual do seu Estado foi profícua e plena de serviços prestados.
Dotado de profundo espírito cívico-patriótico, suas atenções encontravam-se permanentemente voltadas para as origens e fatos de sua terra e usos e costumes do homem nela integrado.
Escritor, conferencista, indigenista, professor e instrutor, possuía o poder da persuasão. Com facilidade atraía amizades e sua palavra, simples, mas incisiva, conquistava adeptos para os seus ideais.
Cidadão integrado na política de seu país, foi um dos fundadores do Partido Republicano no RS (1880).
Já na reserva do Exército, teve ativa participação nas liças partidárias. Freqüentemente proferia palestras e conferências versando sobre assuntos políticos; escreveu dois pequenos ensaios: “O Parlamentarismo e o Presidencialismo” e “O Presidencialismo Puro”, ambos em 1918.
Integrou o elenco de intelectuais gaúchos que fundou a Academia de Letras do RS, onde ocupou a cadeira de Crítica e História. É o patrono da cadeira nº. 19 da atual Academia Riograndense de Letras.
Discípulo convicto de Augusto Comte, revela seus ideais positivistas em vários ensaios sobre política e assuntos locais, todos embasados no Sistema Político Positivo. Seguindo seu destino de antecipar fatos e idéias, Cezimbra Jacques publicou, também em 1918, um pequeno ensaio sob o título “A Proteção ao Operariado na República”, tema pouco explorado e quase tabu à época.
Indigenista, falava muito bem o Guarani e possuía bons conhecimentos do Caingangue, o que lhe permitia dialogar com representantes dessas tribos. Era uma espécie de cônsul dos aborígines semi-civilizados então existentes no RS. Recebia-os em sua residência na Várzea ( atual Avenida João Pessoa, em Porto Alegre ), onde por vezes eram alojados. Encaminhava-os aos poderes competentes, apadrinhando suas reivindicações.
Além de considerações a respeito da vida, usos e costumes dos indígenas sul-rio-grandenses, registrados em seu “Ensaio Sobre os Costumes do Rio Grande do Sul” (1883) e em “Assuntos do Rio Grande do Sul” (1911), escreveu uma pequena monografia intitulada “Frases e Vocábulos de Aba Neenga Guarani e Notas Sobre os Silvícolas”.
Estas duas obras tratam de história, geografia, usos e costumes das gentes da raia meridional patrícia, de alto interesse para antropólogos, folcloristas e estudiosos em geral.. Variada é a matéria apresentada: música, poesia, danças populares, crendices e superstições, aspectos lúdicos, culinária, indumentária, pelagens bovina e eqüina, lendas em sua pureza primitiva, colhidas diretamente da boca do povo, e outros aspectos da vida do homem do campo que faz da faina pastoril o motivo e a razão de ser da sua existência.
Registra ainda um pequeno vocabulário; dá-nos uma sintética notícia da nossa antologia literária e inclui valioso estudo etnográfico referente aos indígenas instalados no RS.
Um estudo sério da formação do homem no pampa sul-brasileiro não pode prescindir de consultar a obra de Cezimbra Jacques
É mais um mestre, um pesquisador e divulgador que um escritor. Sua aspiração era ser útil, e o foi.
Apaixonado por seu pago, orgulhoso da história, admirador da geografia e profundo conhecedor dos costumes sul-rio-grandenses, por ele recolhidos, analisados e, principalmente, vividos, passou a publicar os resultados das suas remebranças, observações e pesquisas em periódicos. Posteriormente , atendendo a solicitações de amigos e admiradores dos seus trabalhos de coleta e divulgação, enfeixou-os nos dois referidos volumes.

O GAÚCHO JOÃO CEZIMBRA JACQUES

Entusiasta e excelente tocador de viola era grande conhecedor das danças antigas, cujas características – coreografia, música e letra – recolheu nas suas andanças pelos pagos.
Foi um grande ginete e exímio domador. Anacleto Torres relata que João Cezimbra Jacques costumava passar temporadas nas estâncias de parentes e amigos, participando, com invulgar entusiasmo, de todas as práticas campeiras, nas quais se revelava um verdadeiro mestre, informando-nos ainda que “usava estribos de cônica aspa de touro brasino e botas de meio pé, feitas de garrão de bagual tordilho-negro”.
Conseguiu ver colimado seu anelo de criar no Rio Grande do Sul entidades de cunho nativista onde, segundo suas próprias palavras, se pudesse “cultivar os usos salutares do passado, já nos outros ramos de atividades de um povo, já nos jogos e diversões, de modo a poder-se reproduzir esses quadros da vida dos nossos Maiores nas comemorações dos grandes acontecimentos do passado…”.
Auxiliado por um grupo de dedicados patriotas, civis e militares, e entre estes, colegas e alunos da então Escola Militar, fundou o Grêmio Gaúcho na cidade de Porto Alegre, no dia 22 de maio de 1898 . No seu próprio dizer, foi ele o “primeiro iniciador de sociedades dessa ordem no Rio Grande do Sul” com a fundação do Grêmio Gaúcho.
Por este motivo foi agraciado com o honroso título de Patrono do Tradicionalismo Gaúcho, resolução tomada no 6º Congresso Tradicionalista Gaúcho efetivado na cidade de Cachoeira do Sul e patrocinada pelos ilustres Carlos Galvão Krebs e Antônio Augusto Fagundes, então presidente e diretor administrativo, respectivamente, do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore.

-JOÃO SIMÕES LOPES NETO

(1865-1916)

João Simões Lopes Neto foi, segundo estudiosos e críticos de literatura, o maior escritor regionalista do Rio Grande do Sul. Nasceu em Pelotas, em 9 de março de 1865, filho de família abastada da região.
Com treze anos de idade, foi para o Rio de Janeiro, estudar no famoso colégio Abílio. Retornando ao Sul, fixa-se em sua terra natal, Pelotas, então rica e próspera pelas mais de cinqüenta charqueadas que lhe davam a base econômica.
Envolveu-se em uma série de iniciativas de negócios que incluíram uma fábrica de vidros e uma destilaria. Os negócios fracassaram pois a época foi marcada pela devastadora guerra civil no Rio Grande do Sul e a economia local fora duramente abalada. Depois disto, construiu uma fábrica de cigarros. Os produtos, fumos e cigarros, receberam o nome de “Diabo”, “Marca Diabo”, o que gerou protestos religiosos. Sua audácia empresarial o levou ainda a montar uma firma para torrar e moer café, e desenvolveu uma fórmula à base de tabaco para combater sarna e carrapatos. Fundou ainda uma mineradora, para explorar prata em Santa Catarina.
Casou-se aos 27 anos com Francisca de Paula Meireles Leite, de 19 anos, no dia 5 de maio de 1892.
Como escritor, Simões Lopes Neto procurou em sua produção literária valorizar a história do gaúcho e suas tradições.
Entre 15 de outubro e 14 de dezembro de 1893, J. Simões Lopes Neto, sob o pseudônimo de “Serafim Bemol”, e em parceria com Sátiro Clemente e D. Salustiano, escreveram, em forma de folhetim, “A Mandinga”, poema em prosa. Mas a própria existência de seus co-autores é questionada. Provavelmente foi mais uma brincadeira de Simões Lopes Neto.
Em certa fase da vida, empobrecido, sobreviveu como jornalista em Pelotas.

Publicou apenas três livros em sua vida: Cancioneiro Guasca (1910), Contos Gauchescos (1912), e Lendas do Sul (1913).
Morreu em 14 de junho de 1916, em Pelotas, aos cinqüenta e um anos, de uma úlcera perfurada.
Sua literatura ultrapassou fronteiras e hoje pertence à literatura universal, tendo sido traduzido para diversas línguas.

Obras

Contos Gauchescos
Lendas do Sul

 

– JORGE GUEDES – (aguardando dados)

– JORGE LEAL E AROLDO TORRES

Um fronteiriço, nascido em Bagé, outro paulista de Pindamonhangaba, aquerenciado desde a infância no Rio Grande do Sul, compôem e interpretam suas obras no tradicional estilo missioneiro, com forte influência do Noel Guarany, inclusive, em alguns momentos, o timbre vocal de Jorge Leal, quando canta sucessos do saudoso missioneiro, lembra o Noel, sempre acompanhado do violão do Aroldo, que muito se assemelha ao mestre. As afinidades e o ideal missioneiro fez com que, no quarto CD da dupla, “Da Fronteira às Missões”, gravado em dezembro de 2005, fosse convidada a participar a Laura Guarany, filha do Noel, com duas músicas (Sonho de Pescador e Cantar de Um Missioneiro).

– JÚNIOR BENADUCE

Natural de SANTA MARIA – Rio Grande do Sul

–           Cursou Licenciatura em Música pela Universidade Federal de Santa Maria;
–           Cursou Letras em Universidade Federal de Santa Maria;
–           Atualmente cursa Direito pela ULBRA de Canoas.
Integrou o quadro de funcionários dos seguintes órgãos da Secretaria de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul:
–           IGTF ( Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore)
–           IEM ( Instituto Estadual de Música)

Pelo MTG:
–           Participou do CFOR;
–           Avaliador do ENART – 2003, 2004 e 2005;
–           Avaliador do FENART – 2003e 2007, 2005 ;
–           Avaliador do FEPART – 2004;
–           Coordenador e Avaliador do Cante e Encante o seu CTG – 2005;

¨               Algumas das entidades dos quais participou e colabora no MTG:
–           CPF Piá do Sul de Santa Maria;
–           Grupo de Arte Nativa M´Bororé de Campo Bom (hoje CTG);
–           Grupo de Arte Nativa Vaqueanos da Cultura de Soledade;
–           Grupo Tangará Canto e Dança de Santa Maria (projeção folclórica);
–           CTG Sentinela da Querência de Santa Maria;
–           CTG Campos de Palmas de Palmas – PR;
–           CTG Fogo de Chão de Guarapuava – PR
–           CPF Lanceiros da Liberdade de São Paulo – SP.

Algumas das premiações mais importantes dentro do MTG;
–           1º lugar como solista vocal do 3º FEGART (Grupo de Arte Nativa M´Bororé) ;
–           1 º lugar Danças Tradicionais no 10º FEGART (CTG Sentinela da Querência);
–           2º lugar no FEPART (Paraná) 2005 (CTG Campos de Palmas);
–           1º lugar no FEPART (Paraná) 2005 como Grupo Musical de Invernadas;
–           1º lugar no FEPART (Paraná) 2006 (CTG Fogo de Chão);
–           2º lugar no FEPART (Paraná) 2006 (CTG Campos de Palmas);
–           1º lugar no FETEG (São Paulo) 2006 (CPF Lanceiros da Liberdade);
Alguns dos festivais nativistas que participou, gravou e foi premiado;
–           Califórnia da Canção Nativa (Uruguaiana);
–           Tertúlia Musical Nativista (Santa Maria);
–           Querência do Bugiu (São Francisco de Assis);
–           Coxília Nativista (Cruz Alta);
–           Sapecada da Canção (Lajes/SC);
Artistas com quem gravou:
–           Grupo Raízes, 5 CDs;
–           Elton Saldanha, 4 CDs;
–           Ivonir Machado, participação especial juntamente com Elton Saldanha;

 

 

– LISANDRO AMARAL

Cantor e poeta de Bagé, mostra em seus trabalhos a fusão entre a tradição gaúcha e a contemporaneidade, o que vem
chamando a atenção da crítica e do público, começou a compor em 1995, influenciado pelos versos de Jayme Caetano Braun, Eron Vaz Matos, Aureliano de Figueiredo Pinto e o estilo musical simples e enraizado de Noel Guarany, Cenair Maicá, Pedro Ortaça e Luiz Marenco.
Em 2001, Lisandro Amaral reuniu algumas de suas composições e lançou o CD “À moda antiga”, com o qual conquistou um grande público jovem e despertou nos mais velhos admiração e respeito, por falar do passado preocupado com o futuro, mesclando emoção e autenticidade, além de demonstrar dessa maneira seu compromisso com os rumos da cultura musical gaúcha. Lançou outros cds, participou de inúmeros festivais, alcançando expressivas premiações. Além disso, suas composições já foram gravadas e interpretadas por cantores renomados como Joca Martins, César Oliveira, Luiz Marenco, Jari Terres, Robledo Martins.

Leonir Marques por Nico Fagundes

O Leonir é um índio forte, atarracado, com a melena já entordilhando. A aparência severa logo se desmancha quando começa a falar. Ele abre um sorriso e começa a contar os causos mais engraçados na vida e na carreira dos artistas do gauchismo, que ele conhece bem, muitos dos quais viu nascerem artisticamente. Conversar com o Leonir, como eu faço seguidamente, é dar risada atrás de risada.
Conheço esse índio desde 1955, velhos tempos da Rádio Itaí, dos programas do Silva Filho, Darci Reis Nunes, Nelson Silva e o hoje publicitário famoso João Oliveira. Era muito programa caipira e alguns gauchescos. É dessa turma que emergem o Leonardo, o Antoninho Duarte, o Carlos Cirne e tantos outros. Aos poucos, o gauchismo vai se impondo e, quando aparece o Grande Rodeio Coringa na Rádio Farroupilha, Darcy Fagundes vai aproveitar essa gente buena, já completamente agauchada.
O Leonir era um deles, cantando com bela voz e se acompanhando ao violão. Fez parte de várias duplas – ainda usando seu nome verdadeiro, Deroí Marques, até que se entendeu com Jader Moreci Teixeira, que era palhaço de circo com o nome de Zé Sabugo e a dupla se deu às mil maravilhas. Aí resolveram usar para o Deroí o nome de Leonir e para o Jader o nome de Leonardo…
Sim, o nome verdadeiro de Leonir é Deroí Marques, gaúcho de Montenegro, criado ali pelo Pesqueiro, jogando futebol e roubando melancia. Filho de pai português e mãe pêlo duro, o guri era moleque uma coisa por demais, esperto como ele só. Como o pai tocava banjo, já aos 10 anos o piá pegou num cavaquinho para acompanhá-lo nos repertórios dos Tonicos e Tinocos da vida. Logo passa para o violão e começa a participar dos Ternos de Reis, tradição da região montenegrina que ele não esquece.
Quando virou Leonir, o moço já se descobrira poeta e compositor, fazendo com facilidade músicas que caíam no gosto popular (hoje, tem mais de mil canções gravadas em autoria ou co-autoria).
Bem moço ainda, ele conheceu Os Milongueiros. Ao sair o Flavio Mates (a China Flavia, grande cantor, grande amigo e péssimo jogador de futebol…), o Leonir entrou para o grupo. Aí foram quase 30 anos de sucesso, 24 discos gravados. O Leonir estourou como compositor. Foi gerente de produção das gravadoras Continental, Chantecler e USA Discos. Entre suas canções mais conhecidas, estão Solto das Patas e Recanto da Natureza. Ele já gravou três discos solo e já está preparando o quarto.
O Leonir foi um dos maiores amigos do mano velho Darcy Fagundes, a quem acompanhou até o último momento.
É casado há 34 anos com Dona Teresinha e os dois têm uma filha, Fabiana, advogada de sucesso que é o encanto dos pais.
Grande e querido amigo Leonir, que faz tudo pelos seus colegas músicos e que faz amigos com a mesma facilidade com que faz canções.

Fonte: ZH
– LUIZ CARLOS BORGES 

 

 

LUIZ CARLOS BORGES nasceu em Santo Ângelo , em 25 de março de 1953 é músico desde sete anos de idade, quando iniciou sua carreira no conjunto “IRMÂOS BORGES”, na cidade de São Luiz Gonzaga, região missioneira do Rio Grande do Sul, com quem gravou seus três primeiros Lp’s, registrando sua passagem pelo estilo regional bailável do Rio Grande do Sul. Filho de produtor rural de baixa renda, teve uma infância como qualquer outro guri de campanha, andando à cavalo com o pai Vergelino ou com os irmãos mais velhos, brincando com gadinho de osso ou comendo pitanga pelos matos.

Logo, aos cinco anos, sua família mudou-se para o município de São Luiz Gonzaga, na localidade de São Lourenço das Missões, onde começou a freqüentar o colégio primário e a dar seus primeiros passos para a música, ora declamando enormes poesias (que decorava ajudado pelas irmãs Izolete, Irenita e Maria) ora tocando numa gaitinha de botão a vaneira que o pai músico lhe ensinou no dia em que resolveu deixar de tocar.

Seu Vergelino foi roceiro, carreteiro, açougueiro e finalmente briqueiro de campo e gado na região missioneira e com Dona Cristina (dona de casa), criaram sete filhos, 3 mulheres e 4 homens, sendo Luiz Carlos o mais novo deles e por isso e por seu tino musical detectado ainda em tenra idade, era o mimado de todos da família, dos amigos, dos parentes, dos vizinhos ou de que lhe visse subido num banco atendendo ao pedido do pai: – Canta Luiz!

Nunca se encolheu. Era aparecer alguém por perto e ele se achegava no pai ou nos irmãos, como que esperando o comando para atuar.

Ao sete anos de idade, já na sede do município de São Luiz Gonzaga, entra para o conservatório Musical Missões, da professora Lúcia Bremm que, definitivamente, o prepara para encarar a profissão de músico.

Aos nove anos atua profissionalmente pela primeira vez com os Irmãos Borges, em 1962 no dia 10 de outubro no CTG Rodeio das Missões de São Lourenço das Missões. Começa a partir dessa data a caminhada que mantém Borges cada vez mais apegado à música.

Aos 13 anos, a fama do seu acordeom ou a sua voz, já ultrapassava as divisas missioneiras animando bailes pelo Alto Uruguai, Serra, Planalto Médio, Campanha e Fronteira.

Cantava em dueto com a mana Irenita e exibia solos de gaita com uma técnica, velocidade e estilo próprio, a ponto de causar admiração na dupla mais importante que o Rio grande já viu: “Os irmãos Honeyde e Adelar Bertussi.”

Seu Vergilino Borges que fora trovador e gaiteiro dos buenos, para garantir a iniciação de Luiz na música, despertava o filho de madrugada, já como rádio ligado nas rádios “correntinas” ou “paulistas”. Falava muito pouco. Era homem que ouvia. Assim, o diálogo entre pai e filho era com os olhos, com os ouvidos atentos para o velho rádio SEMP, ou com gestos curtos e tranqüilos. Mais tarde, já estudante universitário em Santa Maria – RS iniciou sua carreira solo a partir do sucesso com a composição “Tropa de Osso”, premiada na 9ª edição da Califórnia da Canção Nativa do RS, movimento musical que revolucionou a Música Tradicional Gaúcha na década de 70. Luiz Carlos Borges segue carreira alicerçando seus conhecimentos no Curso Superior de Música, e fazendo sucesso no meio estudantil universitário, tocando cm diretórios centrais DCES, restaurantes universitários, pátios de escolas, bares e teatros, fazendo fronte a movimentos culturais.

 

Em 1980, forma-se em música pela UFSM – Universidade Federal de Santa Maria e assume a direção do Centro Cultural Municipal e Biblioteca Pública daquela cidade; ainda em 1980, grava seu um LP individual Tropa de Osso, um trabalho para todo o Estado. A partir dai Borges investe na renovação da música regional gaúcha.

Em 1982, muda-se para São Borja, onde assume a Assessoria de Cultura e Turismo daquele município e passa a trabalhar no Projeto “São Borja 300 anos de História”, durante todo ano. Neste ano ainda grava seu 2º LP individual: “Noites, Penas e Guitarra”.

Em 1983, a convite da administração municipal, assume em Santa Rosa a assessoria de Cultura e Turismo, onde idealiza e desenvolve o Projeto “Musicanto Sul-Americano de Nativismo”, que resgata os costumes populares da região, e abre espaço para toda América do Sul mostrar o que se produz em termos musicais nativos cm cada região dos países sul-americanos.

Suas atividades dividem-se entre o produtor cultural e o músico que dia a dia aumenta sua produção; e em 1985 lança o 3ºLP individual de sua carreira “Quarteada”, logo em 1986 vem o 4º lançamento “Solo Livre”, período este em que Borges já atinge outros estados brasileiros, e é premiado nos mais importantes festivais do país, quer como instrumentista ou como compositor.

 

Vocabulário Campeiro

 

Cachaço: Porco não Castrado, barrasco, varão .

A laço e espora: Com muita dificuldade, com muito esforço, vencendo grandes obstáculos.

Cacho : A cola, o rabo do cavalo.

Fiambre: Alimento para viagem, geralmente carne fria, assada ou cozida.

COLABORAÇÃO UBIRATAN GUILHERME

 

– MANO LIMA – Mario Rubens Batanolli, simplesmente Mano Lima
Não se pode falar em Mano Lima , sem buscar no Dicionário Gaúcho Brasileiro, que traduz do gauchês para a Língua Portuguesa, um dos significados e das origens da palavra gaúcho:”a partir de meados do século 19, a palavra perdeu sua conotação pejorativa, revestindo-se de conteúdo nitidamente elogioso, de homem digno, bravo e destemido.”
São conhecidas sua coragem e valentia; o amor à liberdade e o apego à terra; o espírito cavalheiresco, nobre e hospitaleiro; a gentileza para com as mulheres e o amor arraigado e constante às tradições.
O menino nascido em M´Bororé, que na época pertencia a Itaqui e hoje é o município de Massarambá, RS, diz que artisticamente nasceu em São Borja. Mário Rubens Batanolli de Lima é descendente de italiano por parte de mãe (seus avós eram da Itália) e Lima por parte de pai.
“Mano Lima porque somos uma família muito grande e sou o filho mais velho. O apelido na família era Mano e Aparício Valente Rillo foi quem criou Mano Lima, quando eu capatazeava uma estância, fui assar uma carne prá ele e tive o prazer de conhecê-lo e foi ele quem me levou para o disco, sendo a minha estrela-guia, que me deu todo o apoio e toda a força”, disse.
Depois, quando foi gravar o primeiro disco com o grupo Costaneira, de São Borja, formado por amigos, foi uma surpresa para ele, quando as vendas estouraram. Aparício Rillo escolheu o nome Mano Lima. “Na época, falou que existia um cantor que se chamava Mano Décio e eu seria Mano Lima. Ele foi feliz na escolha, na criação do artista e no nome também, porque soa bem, teve muito a ver comigo e com o meu trabalho também. Trabalho baseado no meu conhecimento e na afinidade do artista com o público, que foi surgindo depois. O conhecimento e esta afinidade é que trazem a beleza das coisas, ajudam e crescer e ajudam a viver”, afirmou.
No show, realizado na 19ª Festa Nacional do Pinhão em Lages, a novidade como sempre, foi o público, porque o artista tem a simplicidade do campo, do homem do campo, não tem ensaio, acontece tudo ao natural. “Eu pego uma música, se errar, faz parte do espetáculo. Eu trato tudo como uma família. Na verdade, o meu público faz parte da minha família, porque é formado pro meus amigos. A amizade é uma coisa de sentimento. Tem muitas pessoas que eu conheço, mas que não são meus amigos como aqueles que eu não conheço e que sentem os meus sentimentos, ao escutarem minhas músicas”, acrescentou.
E concluiu: “o homem do campo e a sua simplicidade, a propósito, são a base do trabalho que venho fazendo, no palavreado, no campeiro, principalmente pela minha origem, pela minha raiz, por eu nunca esquecer principalmente da região onde venho”.

“Se nós não cuidarmos, vamos balançar e perderemos a nossa cultura”  

Sobre o modismo que está se misturando com o tradicionalismo, o tchê music e o maxixe, Mano Lima disse que quem tem que ter esta preocupação é o MTG, que existe prá isso.”Eu como músico não tenho que opinar, porque o sol nasceu prá todos. Cada um que faça o trabalho que deve fazer. Esta responsabilidade é do MTG: cuidar prá que com as nossas raízes e com a nossa música não aconteça o que aconteceu com a música caipira, que desapareceu. Surgiu uma música moderna, muito bonita por sinal, com grandes músicos, grandes talentos, mas levando uma bandeira errada. Quando se carrega uma bandeira, se tem com ela uma responsabilidade”, disse.
E continuou: “se fossem me perguntar o que eles deveriam fazer, eu diria: ‘não carreguem a bandeira do tradicionalismo, não carreguem a bandeira dizendo que a música que vocês tocam é gaúcha. Carreguem a bandeira de vocês, porque cada pessoa tem uma personalidade. Aliás, a palavra pessoa já significa personalidade. Sejam vocês mesmos. Levem a bandeira que vocês não ajudaram a construir e que estão destruindo’. Como pessoa eu diria isto. Como músico, não digo nada”.
Segundo Mano Lima, todos devem se preocupar com as pessoas ou seja com a personalidade de cada um e respeitá-las. “O povo também deve ter esta preocupação, principalmente com o tipo ligado à nossa terra, com as coisas que são nossas, com a nossa linguagem, com o país, que sofre muito a influência de países de primeiro mundo em vários setores como também na música, onde o maior vai engolir o menor. Os países de 1º mundo querem engolir os de 3ª e se nós não nos cuidarmos, vamos ser engolidos. Se nós não nos cuidarmos, vamos balançar e perdermos a nossa cultura”, afirmou.
A preocupação de Mano Lima é com a Pátria, com o Brasil em primeiro lugar e em seguida com o tradicionalismo, com os heróis que deram o sangue e ávida para defender a sua terra e as suas fronteiras. “Meu medo é que daqui a alguns anos tenhamos saudade da música gaúcha, que ela desapareça em função do modernismo e do modismo, como aconteceu com a música caipira. Que nossos filhos e nossos netos queiram conhecer o que já deixou de existir”, concluiu.

Fonte: Entrevista, Texto e Foto: Véra Regina Friederichs -Jornal Desgarrados da Querência

 

– MANOELITO DE ORNELLAS

Manoelito de Ornellas Nasceu em Itaqui a 17 de fevereiro de 1903 , e faleceu na Capital dos gaúchos aos 66 aos de idade no dia 08 de Julho de 1969.
Suas Contribuições para o Movimento Tradicionalista Gaúcho:
– Em 1943, portanto cinco anos antes da fundação do pioneiro ” 35″ CTG, ao publicar o livro de ensaios SÍMBOLOS BÁRBAROS , começa expressiva pregação para o movimento tradicionalista;
– Em 1954, levou para Santa Maria no 1º Congresso Tradicionalista uma publicação do pioneiro ” 35″ Centro de Tradições Gaúchas, o documento intitulado ” O Rio Grande Tradicionalista e Brasileiro” , que entraria para a história do tradicionalismo gaúcho, pois foi o seu discurso na abertura, documento este que serviu de pauta para o Presidente utilizar na sessão de instalação do 50º Congresso Tradicionalista também na cidade de Santa Maria em 2004;
– Foi o presidente do 1º Congresso Tradicionalista que ocorreu em Santa Maria em 1954;

– Em 2004 em Santa Maria foi considerado o PATRONO ESPIRITUAL DO 50º CONGRESSO TRADICIONALISTA.
Sua produção literária soma quase 20 importantes trabalhos, inclusive com duas traduções, suas obras são:

Ø Rodeio de Estrelas , poesias, Emp. Gráfica Ltda., 1928

Ø Arco-Íris , poesias , Livraria do Globo , 1930.

Ø Dois Discursos , Livraria do Globo, 1930.

Ø Tupaciretã , monografia sobre a história da região missioneira do RS, 1934.

Ø Vozes de Ariel , ensaio, Livraria do Globo, 1938.

Ø Tradições e Símbolos , 1940.

Ø Símbolos Bárbaros , ensaios, Livraria do Globo, 1943.

Ø O Brasil nos Destinos da América , ensaios, Livraria do Globo, 1943.

Ø Caminhos Originais do Brasil , estudo, 1944.

Ø Tiaraju , Romance Histórico , Livraria do Globo, 1948.

Ø Gaúchos e Beduínos A origem étnica e a formação social do Rio Grande do Sul , Editora José Olympio, 1948. Edições posteriores: 4º ed. Porto Alegre: Martins Livreiro, 1999.

Ø Uma V iagem pela Literatura do Rio Grande do Sul , ensaio, separata da Revista Atlântico, de Lisboa, 1948.

Ø A Filigrana Árabe nas Tradições Gaúchas , ensaio, Editora Arte, 1952.

Ø O Rio Grande do Sul Tradicionalista e Brasileiro , 1954.

Ø Cadernos de Portugal e Espanha , 1954.

Ø A Poesia Crioula na Sátira Política , editora da UFRGS, 1955.

Ø A Gênese do Gaúcho Brasileiro , Cadernos de Cultura pelo Ministério de Educação e Cultura, 1956.

Ø Uma Viagem pela Literatura do Rio Grande do Sul , reedição da Revista Vértice de Lisboa, 1957.

Ø A Cruz e o Alfanje , editora Progresso de Salvador, Bahia, 1960.

Ø Bolívar Escritor , monografia, 1964.

Ø Tardes e Noites Brasileiras de Cultura , 1964.

Ø Máscaras e Murais de Minha Terra , Livraria do Globo, 1965.

Ø Um Bandeirante da Toscana , EDART de São Paulo, 1967 (livro encomendado por Assis Chateaubriand , sobre a vida de um ilustre italiano que restaurou a indústria açucareira de São Paulo).
Ø Terra Xucra , Livraria Sulina, 1967 (livro de memórias que formaria uma trilogia com Mormaço e Estuário , inacabado).

 

CRONOLOGIA DE MANOELITO DE ORNELLAS (1903-1969)

1903 – Nasce Manoelito de Ornellas, o penúltimo filho de uma prole de sete, em Itaqui, às margens do rio Uruguai, Rio Grande do Sul, no dia 17 de fevereiro. Seus pais são Manoel Pedro de Ornellas, descendente de portugueses da Ilha da Madeira, e Anna Guglielmi, de ascendência italiana e francesa, nascida no Uruguai.
1914 – Vai estudar, aos 11 anos de idade, no Ginásio Santa Maria, na cidade de mesmo nome, onde permanece apenas um ano.
1915 – Volta ao convívio da família.
1917 – Inicia a formação de sua biblioteca com ” Os sertões “, de Euclides da Cunha. É emancipado pelo pai, a fim de tomar conta dos negócios da família, pois Manoel Pedro encontra-se doente nessa época.
1918 – Presta exames escolares nas cidades de Itaqui e de Uruguaiana e conclui o ginásio com aprovação máxima na maioria das disciplinas.
1920 – Morre Humberto, seu irmão mais velho, e a família toma novos rumos.
1922 – Muda-se, com a família, para Tupaciretã, região do Planalto Médio.
1927 – Morre Anna Guglielmi, mãe de Manoelito, no dia 4 de abril.
1928 – Publica pela Empresa Gráfica Ltda., de São Paulo, seu primeiro livro: ” Rodeio de Estrelas “, poesias.
1930 – É redator do Jornal da Manhã e, após, redator-chefe de A Federação. Publica o livro de poesias, ” Arco-Íris “, pela Livraria do Globo, e ” Dois discursos “, pela mesma editora.
1931 – Casa-se com Lucy Pinto de Ornellas, prima de Aureliano e José Figueiredo Pinto, amigos de Manoelito.
1932 – Nasce Lília Pinto de Ornellas.
1934 – Muda-se, com a família, para Santa Maria. Publica pela São Paulo Editora uma monografia sobre a história da região missioneira do Estado, ” Tupaciretã “, trabalho que rende ao autor uma cadeira de membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul.
1935 – Muda-se, com a família, para Porto Alegre.
1937 – Recebe a condecoração ” Cavaleiro da Ordem da Coroa da Itália “, em 21 de setembro.
1938 – É nomeado diretor da Biblioteca Pública. Em seguida é eleito presidente da Associação Riograndense de Imprensa (ARI) em substituição ao escritor Érico Veríssimo. Publica seu primeiro livro de ensaios, “Vozes de Ariel”, pela Globo.
1939 – É nomeado, respectivamente, diretor da Imprensa Oficial e do Jornal do Estado, órgão este que traduzia o pensamento do governo. Nessa época escreve editoriais de repercussão nacional.
1940 – Publica ” Tradições e símbolos “. É agraciado com a Medalha de Prata do 50º aniversário da Proclamação da República, em 20 de maio.
1942 – Assume o cargo de diretor do Departamento de Imprensa e Propaganda, órgão do governo brasileiro no Rio Grande do Sul.
1943 – Publica, com êxito total de crítica, o livro de ensaios ” Símbolos bárbaros ” pela Livraria do Globo. Mais tarde lança ” O Brasil nos destinos da América “.
1944 – Inicia uma campanha, por todo o território sul-rio-grandense, pela volta ao regime democrático. Profere conferências e lança o estudo ” Caminhos originais do Brasil “.

1945 – Deixa a direção do Departamento de Imprensa e Propaganda e assume a direção do Arquivo Público.
1948 – Publica, pela Editora Globo, o romance histórico ” Tiaraju “. Também sai ” Gaúchos e Beduínos – A origem étnica e a formação social do Rio Grande do Sul “, pela José Olympio, além do ensaio ” Uma viagem pela literatura do Rio Grande do Sul “, separata da Revista Atlântico, de Lisboa. Traduz e prefacia o romance ” Ariadne “, de Claude Anet, e ” Tabaré “, o poema de Juan Zorrilla de San Martín.
1951 – Assume como professor interino, as disciplinas de Literatura Hispano-Americana e Cultura Ibérica da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sendo efetivado em 21 de dezembro.
1952 – Lança pela editora Arte no Rio Grande ” A filigrana árabe nas tradições gaúchas “.
1954 – É afastado do corpo docente da Ufrgs e ingressa na Faculdade de Filosofia de Florianópolis, onde passa a lecionar História da Arte. Publica ” O Rio Grande do Sul tradicionalista e brasileiro ” e ” Cadernos de Portugal e Espanha “.
1955 – Edita, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ” A poesia crioula na sátira política “. É agraciado com a Medalha Imperatriz Leopoldina, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, em cinco de novembro.
1956 – Publica ” A gênese do gaúcho brasileiro “, Cadernos de Cultura, pelo Ministério de Educação e Cultura.
1957 – Lança ” Uma viagem pela literatura do Rio Grande do Sul “, reedição da Revista Vértice de Lisboa. Em oito de outubro recebe a Medalha do Pacificador, outorgada pelo Ministério do Exército.
1958 – É condecorado com a Medalha Sílvio Romero, do antigo Distrito Federal (Rio de Janeiro), em 29 de agosto.
1959 – É incluída oficialmente no ” Índice Histórico Español “, sob a orientação de Guilhermino Cespedes, catedrático da Faculdade de Letras de Sevilha, a obra ” Gaúchos e beduínos “.
1960 – Publica o livro ” A cruz e o alfanje ” pela editora Progresso de Salvador, Bahia. Em 7 de abril é homenageado com a Comenda de Alfonso X, El Sábio, distinção máxima do governo espanhol a intelectuais estrangeiros.
1961 – É laureado com a Medalha Olavo Bilac por seus estudos sobre a Espanha.
1963 – É eleito, pelos líderes da sociedade sul-rio-grandense, como a Personalidade do Ano na área da Cultura e das Letras. Recebe o prêmio da Sociedade Pedro II pelo livro ” Máscaras e murais de minha terra “.
1964 – Edita, em plaqueta, a monografia ” Bolívar Escritor ” e ” Tardes e noites brasileiras de cultura “. É nomeado adido cultural do Brasil no Uruguai.
1965 – Lança ” Máscaras e murais de minha terra “, editado pela livraria do Globo.
1967 – Publica, pela EDART, de São Paulo, ” Um bandeirante da Toscana “, livro encomendado por Assis Chateaubriand, que versa sobre a vida de um ilustre italiano que restaurou a indústria açucareira de São Paulo.
1968 – Recebe o prêmio Joaquim Nabuco, da Academia Brasileira de Letras, entregue pelo acadêmico Ivan Lins, pela obra ” Máscaras e murais de minha terra “. É homenageado com o título de Membro Honorário da Academia Catarinense de Letras.
1971 – Foi o patrono da 17ª Feira do Livro de Porto Alegre .
1969 – Edita, pela Livraria Sulina, ” Terra Xucra “, livro de memórias que formaria uma trilogia com ” Mormaço ” e ” Estuário “, este inacabado. Os amigos e intelectuais de São Paulo promovem um lançamento especial para ” Terra Xucra “, em junho, época em que Manoelito pronunciou várias conferências. No dia 8 de julho, morre o escritor que dedicou sua vida e obra às causas da terra onde nasceu.
Não bastasse a importância intrínseca de sua obra, vale lembrar que Manoelito de Ornellas articulou o lançamento de um jovem escritor, furtando-lhe um de seus contos e enviando-o para publicação na Revista do Globo. No final da década de 20, pelas suas mãos, assim se deu á estréia promissora de um autor chamado Érico Veríssimo, que viria a ser o maior nome das letras rio-grandenses e um dos expoentes da geografia literária do Brasil.
O lançamento de Érico Veríssimo é um ato ilustrativo da trajetória de um homem que foi sempre solidário com seu próximo. A literatura foi á forma encontrada de atingir o epicentro da alma humana, realizando a utopia do convívio fraterno. Sua obra, seu desprendimento e seu amor desinteressado pelas coisas do Rio Grande tornaram-no imortal, não obstante sabermos que a curta memória dos vivos não desvela além do véu do cotidiano . Texto: Prof. Landro Oviedo
Em 1929 arrebatou do fundo de uma de minhas gavetas, um conto que eu escrevera clandestinamente – ” Ladrão de Gado ” – e mandou-o com elogios e recomendações a Mansueto Bernardi, que o publicou na sua “Revista do Globo”. Posso assim dizer que entrei no “potreiro” da literatura pela mão de Manoelito de Ornellas .” – É rico Veríssimo .

FONTE: Pesquisa : Márcio Barros -Itaqui-(55)9179-2458

 

– MARIA LUIZA BENITEZ – Um canto de amor à Natureza

Interprete, atriz, radialista, apresentadora e jurada de festivais, destaca-se no meio musical latino-americano como um dos nomes de maior repercussão da música do Rio Grande do Sul. Possui uma carreira de mais de 35 anos dedicadas ao nativismo. Tem três discos –  último  em 2004 com o título “Ouro Azul”.
A ênfase do repertório é a temática da água, homenageando o cantor missioneiro Cenair Maicá – o Cantor das Águas, e buscando despertar a consciência do público para a necessidade de um maior cuidado com o meio ambiente.
Maria Luiza Benitez revela sua versatilidade e qualidade como intérprete ao cantar músicas em outros idiomas como o espanhol e dialetos indígenas
O roteiro do show inclui temas como Entre Guaíba e Uruguay de Noel Guarany, Balseiros do Rio Uruguai de Barbosa Lessa, Açude de Prado Veppo e Mário Barros, El Cosechero de Ramón Ayala, entre outras canções.
Maria Luiza já atuou junto a OSPA como narradora e faz as leituras dramáticas no Ofício das Trevas na Semana Santa de Canela – RS.
Há dois anos conduz a apresentação da Semana Farroupilha de Piratini, além de ser requisitada para interpretar os Hinos do Rio Grande do Sul e Nacional em solenidades desde o Palácio Piratini, Assembléia Legislativa, Posse de Desembargadores e Abertura do ano Judiciário no Tribunal de Justiça, entre outros.

– MARLENE PASTRO a hora da Estrela

Casada com o grande maestro Alfred Hülsberg, nascido na Alemanha e aquerenciado no Rio Grande do Sul, cujas tradições amava com paixão, Marlene Pastro cuidou como uma fada dos últimos 25 anos de vida do marido. Foi esposa, filha, irmã e enfermeira do grande homem. Compositora emérita, cantora com voz de anjo, Marlene abriu mão nesses últimos 25 anos de uma carreira vitoriosa para se dedicar ao que ela julgava ser sua grande missão.
Marlene Capra Pastro tem puro sangue gringo nas veias. O seu bisavô Pastro foi herói na Itália, celebrado em versos e canções. Ela nasceu em Porto Alegre de uma família numerosa, embalada desde o berço pelas canções maternas. Sua mãe, Miguelina, era uma grande cantora, especializada em música clássica, e isso foi decisivo na vida da menina Marlene, criada em bairros como Vila Nova e Ipanema na Capital gaúcha. De forte formação religiosa, estudou dois anos em Dom Pedrito na escola Nossa Senhora do Horto e durante quatro anos em Uruguaiana, onde chegou ao noviciado – queria porque queria ser freira. Quando decidiu que a vida no claustro não era seu futuro, voltou para Porto Alegre e logo foi morar com a avó em Taquari, cidade que, com Uruguaiana e Porto Alegre, fecha o triângulo de suas querências emocionais.
Marlene canta desde os oito anos, quando interpretou a Ave Maria de Gounod e nunca mais parou de cantar, a rigor. Estudou letras na Universidade do Vale do Rio dos Sinos e fez licenciatura em música e canto na Faculdade Palestrina, quando foi minha aluna. Gravou o CD Divisor de Águas, com muito sucesso, e o CD Dadivosa Terra, com Edison Nequete, trabalho pelo qual tem especial predileção.
Ela, porém, considera seu maior êxito pessoal as duas apresentações que fez na Expo 98 em Portugal, na Casa dos Açores e no palco Promenade. Tem participado de inúmeros festivais, como a Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana, onde foi premiada defendendo Um Canto de Amor e Saudade, e agora está acalentando o sonho de gravar um CD só com canções dedicadas às mulheres notáveis do Rio Grande do Sul.
Agora, o grande sonho da Marlene mesmo é resgatar a imensa obra, com muitas páginas inéditas, do grande compositor que foi Alfred Hülsberg. E há de consegui-lo, porque essa mulher gaúcha é movida pela paixão. Quando se lança a uma missão, ela é dínamo vivo. Loira com cabelos cacheados, nesta hora ela se transforma. Delicada que é na sua aparência, vira uma leoa guerreira. Quando se posta no palco, imponente, com aquela voz que parece solista do coro celestial, impõe-se. É Anita Garibaldi cantando em italiano o seu amor pelo o guerreiro de dois mundos. É Florisbela Boca-Negra resgatando o desesperado heroísmo da mulher-soldado esquecida pelo exército brasileiro na guerra do Paraguai. É a mulher heroína e mártir do marinheiro Tobias dos Santos. É a mãe dos sete filhos varões de Gomes Jardim.
Às vezes parece arredia, não se dá às amizades fáceis, mas os seus grandes olhos luminosos escondem um fogo que irradia apenas para um círculo escolhido de amigos e amigas especiais.
Agora, Marlene Pastro está de volta. Ciumenta da sua dor, não é fácil abrir as defesas que ergueu em torno de sua solidão. Se não se abre facilmente às pessoas, abre-se para o público dos festivais e do programa Galpão Crioulo, onde é sempre recebida com o carinho, o respeito e a reverência que uma estrela merece. Agora, é a vez e a hora de Marlene Pastro. Ela, que sempre esteve em nossos corações e mentes, está de volta. E veio para ficar.

Fonte : Coluna do Nico Fagundes em ZH de dia 30/04/2007

– MIGUEL BICCA

Nasceu em Cachoeira do Sul, na Costa do Jacuí, em 1º de janeiro de 1941. Aos 18 anos mudou-se com a família para São Borja. Em 1963, junto com Apparício Silva Rillo, Carlos Crispim Moreno (o “Pimpim”), Antônio C arlos Lara de Souza (o “Caco”), Ernando Garcia Coelho, com o irmão Jose Bicca, fundaram o grupo amador de arte: Os Angüeras.
Embora não tenha participado da formação genuína do grupo, logo o integrou e participou por 15 anos como compositor, ritmista e vocalista. Depois dedicando-se à carreira solo. Suas canções abordam principalmente a temática do rio Uruguai, da vida nas barrancas, além de tratarem da mulher gaúcha e a vida no campo.
Vencedor de vários festivais, como Tertúlia e Sinuelo da Canção, em 1979 editou o livro Estradeiro, pela Editora Tchê.
Entre os discos gravou Costeiro, em vinil, e remasterizado em CD; e Meus Rios e Veredas.
Atualmente vive em Santa Maria e seu principal parceiro nas composições é Sabani Felipe de Souza, com quem lançou o CD Paleteando. Autor de músicas consagradas como Rios e Rumos, Viramato, Janaína, Barco Perdido.

 

– NETO FAGUNDES – EUCLIDES FAGUNDES NETO

Neto Fagundes é o verdadeiro príncipe do gauchismo, no talento e na elegância física e moral. De personalidade cativante, eternamente bem-humorado, sorrindo sempre com aqueles dentes muito brancos que nunca viram cigarro, Neto estabelece de imediato um elo de simpatia com todas as platéias, sobretudo com os jovens e as crianças. É impressionante o carinho que ele desperta entre os piás e as prendinhas, que parecem ver nele um guri grande – o que realmente é. Cristina, sua mulher, costuma dizer que tem três crianças em casa: os filhos Marina e Mateus e o marido.
Euclides Fagundes Neto, seu verdadeiro nome, é o primeiro filho do casal Bagre e Marlene e repete o nome do pai e do avô. A família gaúcha cultiva o costume de ter os seus mimosos. E o Bagre foi sempre o mimoso do velho Euclides, por ter o nome do pai e ter grandes qualidades artísticas. Quando nasceu o Neto, já nasceu mimoso. De simpatia irradiante, brincalhão e inteligente, acho que quando bebê até o choro já era afinado em dó maior, e o Bagre se parava ao lado do berço da criança tocando a gaitinha de oito baixos ou o violão campeiro, cantando em português ou castelhano. Assim, o guri aprendeu a falar e a cantar quase ao mesmo tempo.
Pareceu claro desde logo que seria bem sucedido no futebol e na música. No esporte, chegou a ser profissional no Alegrete, mas quando surgiu um convite para jogar em Porto Alegre o Bagre disse não: o filho tinha que estudar e cantar. Adolescente ainda, o guri pegou o violão e não parou mais. Como estudante, chegou até a metade do curso de Direito, que é a vocação natural de todos os Fagundes, mas aí o sucesso como cantor era um apelo muito forte. Em Porto Alegre , Neto fez dupla e parceria com um jovem gaiteiro ascendente chamado Renato Borghetti, cantando e namorando nos bares e pulperias da cidade.
Quando eu adoeci, indiquei o Neto para me substituir no Galpão Crioulo. Ele segurou o programa sozinho durante muitos meses, com brilho e simpatia. Hoje fazemos uma dupla que se completa. Graças a ele, eu, que era Antonio Augusto Fagundes, hoje sou o tio Nico para os gaúchos e gaúchas de todas as querências.

– NICO FAGUNDES – ANTONIO AUGUSTO FAGUNDES

Antônio Augusto Fagundes aceitou hoje (15.05), em seu escritório, o convite para Patrono da Semana Farroupilha 2007. Nico, como é mais conhecido, é um dos mais atuantes pesquisadores do tradicionalismo, tendo desenvolvido trabalhos fundamentais para a compreensão do folclore e da cultura regionalista. O convite foi oficializado pelo presidente da Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas, Manoelito Savaris, acompanhado do presidente do MTG, Oscar Fernande Gress, do diretor administrativo do IGTF, Leandro Haag e pelo representante da Secretaria de Cultura, Rodrigo Gorski. “A obra do Nico é referência não só no Estado, como em todo o Brasil e inclusive internacionalmente. De fato, é um justo reconhecimento”, afirma Savaris.
A primeira participação de Nico Fagundes como Patrono será durante o acendimento da Chama Crioula, em São Nicolau , no dia 18 de agosto. O homenageado também participará das demais atividades oficiais do evento, tais como as solenidades no Palácio Piratini e no desfile de 20 de setembro.
Nascido em Alegrete, em 4 de novembro de 1936, Fagundes desde muito cedo é militante no tradicionalismo. Autor de mais de 100 canções, entre as quais, o “Canto Alegretense”, aos 24 anos já figurava como patrão do 35 CTG, desenvolvendo paralelamente atividades na imprensa gaúcha, no cinema e na televisão. Atuou também em esferas públicas, presidindo o Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore.
A escolha do nome de Nico foi realizada pela Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas, composta pela Secretarias de Estado do Turismo, Esporte e Lazer, da Cultura, da Educação, Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, Brigada Militar, Movimento Tradicionalista Gaúcho e FAMURS. Em 2006, Paixão Cortês foi o patrono da Festa e em 2005, Luiz Menezes.

Fonte:Felipe Basso/MTG

 

-NIELSEN SANTOS

Dedicado à Gaita de Botoneira desde a infância e já tendo participado como instrumentista em renomados grupos voltados à música gaúcha, Nielsen Santos lança agora seu primeiro CD intitulado “Bem Crioulo”.
Desde que o pai lhe presenteou com uma gaita, aos oito anos de idade, este caxiense nunca mais dela se separou. Ganhou vários concursos como instrumentista e em 1991 foi convidado a integrar o conjunto musical “Os Campeiros”, no qual atuou por 3 anos. No ano de 1994 participou da formação do grupo “Tchê Garotos”, com o qual permaneceu durante dez anos tocando gaita botoneira e percussão. Em 2005, ingressou no “Balanço do Tchê” onde teve breve, mas gratificante passagem, atuando inclusive na gravação do 2º CD do referido grupo.
Em 2005, Nielsen deu uma guinada na carreira rumo ao estilo musical que mais lhe encanta, o da música crioula do Rio Grande do Sul. Ingressou no grupo de César Oliveira e Rogério Melo e desde então, tem viajado todo o Brasil e os países do Prata divulgando a sonoridade gaúcha e incorporando referências. O resultado deste processo é o CD “Bem Crioulo”, em que apresenta músicas instrumentais, grande parte de sua autoria e regravações de artistas que foram sua influência na música.
As composições “Rincão dos Maciel” de Reduzino Malaquias e “Romance do Petiço Nitay”, clássico de Manuel Gurani são regravações que merecem destaque. “Bem Crioulo” conta com algumas participações especiais: de Rogério Villagran nos recitados, Marcelo Caminha nos violões e Gilnei Oliveira no contrabaixo. A produção do álbum é assinada por César Oliveira.
Nas onze faixas que compõem o trabalho, o ouvinte poderá identificar todo o sentimento da música crioula, que traduz a simplicidade e a força do povo gaúcho, que conhece o significado de palavras como história, coragem, respeito, liberdade, igualdade e fraternidade.

Fonte: Blog Pulperia e www.cesaroliveira.com.br

  NINA FRANÇA  

Nina França, Missioneira, Guarany em sua essência, nascida em 1990, cantora e percussionista, formada em música na ESEP.  Lançou em 2007 o cd Guitarra Companheira, trabalho pioneiro voltado ao incentivo para novos intérpretes, lançando sementes de auxilio á educação e preservação da cultura gaúcha.
Traz em sua bagagem musical,     rodeios, feiras e festivais em todo estado, como O Canto Moleque e Califórnia Petiça Internacional, Expointer, Fest-feira, Cante Encante, Coxilha Nativista de Cruz Alta e Guyanuba da canção. Lançamento do 1º CANTO MISSIONEIRO, Rodeio de Osório 2008 com Raúl Quiroga e os Guris da Campanha. Show com Jairo Lambari Fernandes no Estância de São Pedro. Leopoldo Fest 2008 com os Guris da Campanha. , Expointer 2008, 18ªGuyanuba da Canção Nativa de Sapucaia do Sul, Show da APAE 2008. Semana Farroupilha de Sapucaia do Sul 2008. Show no Parque da Harmonia 2008. Triunfo em Festa 2008.Destacando programas de televisão como, Galpão Crioulo , Jornal do Almoço da RBS TV, Raízes do Sul, Querência e Rede Mulher.

TRAJETÓRIA INTERNACIONAL:

Iº FESTIVAL DE MPB em Montevidéu, na Sala Zitarrosa, pela inclusão das raízes da nossa Cultura Rio-grandense Dia 10 de setembro 2008 em LA PREVIA no Dep. de Treinta y Tres. em EL RANCHO no Dep. de Canelones.

Contatos. a.nina.franca@hotmail.com

FONTE: BEATRIS

– NOEL GUARANY – NOEL BORGES DO CANTO FABRICIO DA SILVA

Noel Borges do Canto Fabrício da Silva, o Noel Guarany, nasceu no dia 26 de dezembro de 1941, em Bossoroca, então distrito de São Luiz Gonzaga, na região das missões no Rio Grande do Sul e viveu até a adolecência, além de sua terra natal, em Garruchos e São Luiz Gonzaga (Bossoroca emancipou-se em 12/10/1965).
Filho de João Maria Fabrício da Silva e Antoninha Borges do Canto, sua descendência paterna era ligada a José Fabrício da Silva, italiano, que veio de São Paulo e recebeu uma sesmaria de campo na região de Bossoroca, onde se estabeleceu em 1823. Pelo lado materno, descende de Francisco Borges do Canto, irmão de José Borges do Canto, que recebeu várias quadras da sesmaria na região das missões. Francisco nasceu em 1782 e foi estancieiro em São Borja. Os Borges do Canto tiveram grande influência e importância na formação das fronteiras do Rio Grande do Sul, inclusive, José Borges do Canto participou da conquista dos sete povos das missões gaúchas, cuja rendição dos espanhóis ocorreu em 13 de agosto de 1801, capitulação essa endossada por Canto.
Noel, em 1956, com quinze anos de idade, aprendeu tocar sozinho seu primeiro instrumento, um violão com apenas três cordas, depois acordeon. Somente mais tarde passou a usar o violão que se transformaria em seu companheiro inseparável, instrumento com o qual desenvolveu uma técnica própria de tocar.
Em 1960 emigrou para a Argentina, onde trabalhou como tarefeiro de erva-mate, lenhador e balseiro. Esteve em Buenos Aires , depois foi para o Uruguai, Paraguai e Bolívia, lugares onde conviveu com muitos músicos, aperfeiçoou sua arte de tocar violão e aprendeu muito sobre a cultura musical desses países.
Entre 1960 e 1968, peregrinou por todos os países do Prata e por estâncias do Rio Grande do Sul tocando, cantando e aprofundando seu conhecimento sobre a cultura regional. Nessa época gravou um compacto simples, com as músicas “Romance do Pala Velho” e “Filosofia de Gaudério”, acompanhado pelo cantor, compositor e músico missioneiro Cenair Maicá, com o qual se apresentava em festivais na Argentina.
Em 1971 Noel gravou seu primeiro LP, “Legendas Missioneiras”, que teve como parceiros os gaúchos Jaime Caetano Braum, Glênio Fagundes e Aureliano de Figueiredo Pinto. Nesse ano e no ano seguinte viajou por vários estados fazendo apresentações e divulgando o disco.
Em 1972 casou com Neidi da Silva Machado, missioneira de São Luiz Gonzaga e passou a residir em Porto Alegre , para ficar mais próximo dos meios de divulgação.
Em 1973 gravou o segundo LP, “Destino Missioneiro”, e continuou viajando, pesquisando e divulgando a música missioneira.
Em 1975 gravou o LP “Sem Fronteira” e participou da gravação dos discos Música Popular do Sul – volumes 2 e 4, produzido por Marcus Pereira Discos, em São Paulo. Nesse ano também criou em Tramandai, na Avenida Beira Mar, a Penha Guarany, um espaço onde se reuniram expressivos nomes do folclore gaúcho.
Em 1976 gravou o LP independente, com Jaime Caetano Braum, “Payador, Pampa e Guitarra”, lançado simultaneamente no Brasil e na Argentina, com participação especial de Raul Barboza e Palermo. Nesse ano iniciou um programa na Rádio Guaíba de Porto Alegre e participou do programa Brasil Grande do Sul, com Jaime Caetano Braum e Flávio Alcaraz Gomes, depois passou para a Rádio Gaúcha, onde produziu e apresentou o programa Tradição e Folclore.
Em 1977 foi relançado o LP “Legendas Missioneiras”, com o título de “Canto da Fronteira”, mais tarde lançado também em CD. Nesse ano Noel realizou um espetáculo na Assembléia Legislativa para divulgar o LP “Payador, Pampa e Guitarra”, com participação de Raulito Barboza, Palermo e Argentino Luna.
Em 1978 lançou o LP “Noel Guarany Canta Aureliano de Figueiredo Pinto”, que marcou época no Rio Grande do Sul, pois resgatou a obra e memória de um dos maiores poetas do regionalismo gaúcho. Esse disco também foi posteriormente lançado em CD.
Em 1979 gravou o LP “De Pulperia”, com músicas de Atahualpa Yupanqui, Anibal Sampayo e Mario Milan Medina, reforçando a intenção de promover a integração com a cultura platina.
Em 1980 gravou o LP “Alma, Garra e Melodia”, iniciando a parceria com João Sampaio da Silva, que geraria importantes obras e uma grande amizade. Nessa época começou a se manifestar a doença que iria progressivamente lhe tirar todos os movimentos e condená-lo a um calvário (ataxia cerebral degenerativa), que se arrastou por muitos anos, fazendo com que esquecesse as letras das músicas, o que o deixava mais inquieto e amargo. Percebendo que algo de anormal estava lhe acontecendo, passou a beber com mais freqüência.
Em 1982 lançou o LP “Para o Que Olha Sem Ver”, título escolhido em homenagem a Atahualpa Yupanqui, autor da música com o mesmo nome, que foi interpretada pelo Noel no disco. De João Sampaio gravou quatro músicas, consolidando a parceria.
Em 1983 quando morava em Itaqui, escreveu uma carta aberta para a imprensa, expressando o seu descontentamento com o descaso dos órgãos públicos para com a classe dos artistas que gravavam discos. Finalizou a carta dizendo que pararia de cantar até que as autoridades tomassem providências a respeito do assunto.
Em 1984 fixou residência em Santa Maria , local onde morou até o dia de sua morte. Nessa cidade fez contrato com uma produtora para realizar uma série de espetáculos na região centro do Estado. Também foi nesse ano que a gravadora RGE lançou o LP “O Melhor de Noel Guarany” e que foi reeditado o LP “Payador, Pampa e Guitarra”.
Em 1985 se retirou dos palcos, atitude coerente com o que afirmara na carta aberta que divulgou para a imprensa em 1983.
Em 1988 gravou com Jorge Guedes e João Máximo, parceiros de São Luiz Gonzaga, o LP “A Volta do Missioneiro”. Nesse ano também gravou com Jaime Caetano Braum, Pedro Ortaça e Cenair Maicá o LP “Troncos Missioneiros”. Nesse disco já se pode notar que a doença estava afetando o seu registro vocal, pois o vigor e a clareza de outros tempos já não era os mesmos. Nesse ano foi relançado o LP “De Pulperias”.
Nos anos seguintes Noel permaneceu recolhido em seu auto exílio, em Santa Maria. A imprensa de todo o Estado, os colegas artistas e os amigos questionavam a ausência do ídolo missioneiro. Sua vida seguia uma via-crucis, com a doença que cada vez mais se acentuava e que aos poucos lhe tirava toda a atividade motora.
No dia 6 de outubro de 1998, com 56 anos de idade, Noel Guarany faleceu na Casa de Saúde de Santa Maria. Seu corpo transladado para o município de Bossoroca, sua terra natal, onde hoje repousa em um mousoléu especialmente construído para abrigar os restos mortais de seu filho mais popular, que morreu autêntico como sempre viveu.

Texto da Professora Guiomar Terra dos Santos

“Noel Borges do Canto Fabrício da Silva, o Noel Guarany, inigualável cantor-poeta dos pagos missioneiros, nasceu na Bossoroca, então Município de São Luiz Gonzaga (um dos Sete Povos Missioneiros), em 26 de dezembro de 1941 e morreu em 6 de outubro de 1998. Foi criado em Garruchos e São Luiz Gonzaga. Filho de João Maria Fabrício da Silva e Antônia Borges do Canto.
Toda a sua vida foi dedicada à música Sul-Riograndense, na pesquisa do folclore, do ritmo e do verso genuinamente missioneiro. Segundo ele, seu trabalho tinha como finalidade “divulgar o folclore campesino sul-americano”. Conseguiu fazer de sua música a mais bela expressão cultural. Foi o maior cantor missioneiro que este Estado já viu.
Em toda sua produção discográfica Noel Guarany prima pela qualidade tanto no ritmo quanto nas mensagens das letras, suas ou de outros compositores.
Como descendente de índios guaranis, recebeu destes, os primeiros conhecimentos da cultura nativa. Autodidata, apaixonado desde piá pelo idioma guarany, o qual aprendeu sozinho (também sozinho aprendeu a tocar, compor e cantar. Aos quinze anos tocava acordeon).
Após os dezesseis anos, adotou como companheiro inseparável o violão. A partir de 1960, passou a percorrer a América Latina, com o esplendor de sua voz e o som límpido e inigualável de seu violão, tornando-se o responsável pelo registro do folclore na região das Missões e Alto Uruguai e pela sua divulgação no Brasil e no exterior.
Seu trabalho não é mera inspiração poética. É resultado de incessante pesquisa obtidas através de entrevistas com índios e velhos violeiros, onde coletou material sonoro para o ritmo inconfundível de suas milongas, chamarritas, canções campeiras e populares.
Iniciou sua carreira tocando em bailes, teatros e rádio São Luiz de São Luiz Gonzaga. Fez uma imensa trajetória pela América do Sul, onde conheceu intelectuais, folcloristas, peões de estância e descendentes guaranis, começando uma busca de integração da cultura dos povos sul-americanos. Em 1962, fazia a divulgação de sambas argentinos e chilenos.
Toda a sua vida foi dedicada à música sul-riograndense, na pesquisa do folclore, do ritmo e do verso genuinamente missioneiro.
Segundo ele, seu trabalho tinha como finalidade “divulgar o folclore campesino sul-americano”, fazendo de sua música uma bela expressão cultural, se transformando no maior cantor missioneiro que o Rio Grande já viu.
Em toda sua produção discográfica, Noel Guarany primava pela qualidade, tanto no ritmo quanto nas mensagens das letras, tanto fazendo se eram suas ou de outros compositores.
Em 1968, era responsável por um programa na Rádio Cerro Azul, de Cerro Largo. Mais tarde criou, na Rádio Guaíba, junto com Flávio Alcaraz Gomes e Jayme Caetano Braum, o programa Brasil Grande do Sul. Também teve programa na Rádio Gaúcha e na Rádio Universidade Federal de Santa Maria.
Noel Guarany arrancou aplausos do público mais simples ao mais exigente, em espetáculos folcloristas. Realizou conferências, apresentou-se para universitários e filosofou para intelectuais. O Palácio Piratini teve, durante mais de ano, a presença de Noel em seus espetáculos artísticos-culturais.
Seu trabalho foi passo-a-passo reconhecido, até despertar a atenção da grande imprensa nacional.
Payador missioneiro, nunca disse meias verdades. Foi do canto lírico ao canto de denúncia social. Desentendeu-se com gravadoras e com a Ordem dos Músicos. Polemizou falsos valores e conceitos, criticou o tradicionalismo praticado. Seu pensamento era de que “Quando voltei ao Brasil, comecei a sentir cheiro de podridão na arte do Rio Grande do Sul, ao ver cantores suburbanos vestindo longas e espalhafatosas indumentárias de souvenirs para iludir turistas trouxas”. Essa postura irreverente e combativa fez com que recebesse o título de “Payador Maldito”.
O registro do nosso folclore impregna toda a sua arte, seu primeiro disco já nos mostra o talento do maior compositor e guitarrista sulino, que reavivou as canções costeiras e cantigas galponeiras, popularizando a região das Missões, fazendo com que as ruínas missioneiras de São Miguel fossem reconhecidas como Patrimônio histórico Cultural da Humanidade em 1983.
Segundo Barbosa Lessa, o estilo de Noel Guarany pode ser definido como “meio caminho entre a narrativa declamada e o canto propriamente dito”. Com sua payada, Noel se fez potro xucro para ganhar o campo aberto e os horizontes largos da América Latina, com seu “Potro sem dono”; se fez popular com o “Romance do pala velho”; seguiu filosofando para os intelectuais com a “Filosofia de gaudério”; mas jamais esqueceu-se de cantar o cotidiano do homem simples como “Destino de peão”. Sempre soube conduzir com sua proposta musical, as bandeiras de seu povo. No fascínio épico de suas canções como “Tobiano Capincho”. Sempre esteve viva a memória guaranítica como no “Lamento missioneiro”; na cantiga de galpão “Romance do Pitiço Mitay”; na rebeldia gaudéria de “Chairando”; no telurismo de “Eu e o rio”; no sentimento nobre de integração da “Milonga de três bandeiras”; no lirismo de “Milonga Missioneira”, na valentia de ” Destino Missioneiro”, no seu canto entonado, com cheiro de terra.
Cantava nossos costumes com entono e afinação qual “Galo Batará”; foi um homem que o destino fez “cantor em muitas payadas.”; quando amanhecia “com os pés apapagaiados,”; arisco como “boi preto”, pegava seu bodoque e ia nadar com “Gení Pakú”, “pelados, lá no Ximbocú”, onde ensaiava suas canções, imitando os pássaros e o murmúrio das águas. Amava o Rio Grande, onde “os gaúchos são valentes e as chinócas são faceiras.” Também gostava de ouvir o “tinido das esporas”, no “compasso da vaneira”.
Ninguém melhor para fazer sua biografia do que ele próprio fez em “filosofia de gaudério”, quando inicia a letra pedindo licença e atenção, pois com seu violão, em seu estilo missioneiro, o gaudério e payador é um ser triste como todo gaúcho cantor. Para seu canto não há limites pois “há de cruzar mil fronteiras”, sempre com sua voz límpida “num desabafo de peão que aprendeu a cantar solito”, segue “com medo da solidão”. Diz trazer em si a linguagem do índio sul americano. É o poeta sem escola, que aprende seu ofício em meio aos costumes do povo simples da campanha, que é simples mas altaneiro e “se acaso levar rodada, dá um gritito e se levanta.” Sua Pátria e seu canto são inseparáveis “repontando seu destino” que é sempre cantar a Pátria. Sua predisposição de gaúcho é bem clara “nunca vou cantar pro mal, meus versos são para o bem” e apesar de cantor pobre, se alegra com seu canto e sonha morrer cantando “se eu nasci pra cantor eu hei de morrer cantando.”
Versos de força poética que se entrelaçaram e se harmonizaram ao som mágico de uma guitarra cuja sonoridade faz rebrotar toda a emoção de um canto lírico, versos que reavivam valores, costumes, determinação e talento de alguém que conseguiu ser único, pois acreditou que “nativismo é recompensa, folclore pra replantar”. Por isso, seu canto não morrerá. E brotará em cada cantor, que como ele, cantar a sua terra. E a obra iluminada deste payador, será pesquisa viva do folclore missioneiro. ”

OMAIR RIBEIRO TRINDADE, o Tigre por Nico Fagundes

  Erguido sobre os estribos, pulso firme e olhar atento, com o eterno lenço colorado aberto em duas pontas nas costas, como era costume dos farrapos, lá vai ele, Omair Ribeiro Trindade, o Tigre dos Cavaleiros da Paz. Parece uma figura de estátua eqüestre, um modelo a ser copiado, um irmão para os seus amigos, um mestre para os cavaleiros mais jovens.
Omair tem a quem puxar. O seu avô paterno, Atanagildo Peres Trindade, foi revolucionário e homem de muitas posses, famoso pela valentia e pela facilidade em que puxava a faca. Ele doou terras para a viação férrea quando se construiu a estação de Unistalda, hoje um pequeno e próspero município campeiro sobre a região das Missões. Seu avô materno, Antonio Felisberto Ribeiro, que sempre andava pilchado também peleou em revolução.
O pai do Tigre, homem campeiro, era militar do batalhão ferroviário. Quando Omair fez seis anos de idade o pai Atanagildo foi transferido para Bento Gonçalves e trouxe a mulher e os oito filhos.
Omair tinha nascido em Santiago do Boqueirão, e a mudança da família de um município essencialmente campeiro, na Campanha, para um essencialmente colonial, na Serra, foi um choque muito grande, radical. O menino Omair apaixonou-se por Bento Gonçalves e nunca mais saiu de lá nem vai sair. Lá vai casar, ser pai do Andrei, descasar, casar de novo com a advogada Susan Moré e vai ser pai do Rodrigo, do Lourenço e do Emanuel, uma gurizada linda barbaridade, todos puxando pela beleza da mãe…
Com Onésimo Carneiro Duarte o Omair vai se acolherar, entrando firme no mundo tradicionalista, será três vezes patrão do forte e prestigiado CTG Laço Velho. Será fundador do CTG Gaudério Serrano e de muitos piquetes no município de Bento Gonçalves. Será coordenador do MTG e conselheiro do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, figura muito querida nos meios tradicionalistas.
Quando organizei os Cavaleiros da Paz, logo pensei no meu querido amigo. Ele, o Elton Saldanha e o Dorotéo Fagundes eram a santíssima trindade do meu estado maior. Ele, pelo garbo com que cavalgava, eu chamava de Tigre dos Cavaleiros da Paz, e Tigre foi ficando até hoje, pela garra que sempre teve. Mas é um Tigre manso: nunca ninguém viu o Omair brabo. Quando não gosta de uma coisa, simplesmente se afasta, sem traumas. Agora, a risada dele, sim, é conhecida e famosa, bem como as brincadeiras e empulhações com as quais ele envolve os amigos: de uma feita colocou um sonrisal na boca do cavalo do Passaronga e foi aquele espumaredo! De mim, ele mandava alguém me distrair e esvaziava meu cantil de canha, dividindo o trago com outros bagaceiras. Quando eu ia tomar, nunca tinha nada. Até que um dia enchi o cantil de urina e pimenta e botei a canha numa garrafinha chata no bolso. Vi bem quando o Passaronga veio me tapear conversando comigo na frente do meu cavalo. De repente, um arranco de vômito atrás de mim: era o Tigre, quase vomitando, que tinha dado uma forte talagada – era ele o ladrão!
Hoje o Tigre prepara um CD de poesia e um livro sobre as muitas cavalgadas que fez. Apresenta há oito anos o programa Raízes, na rede Mais Nova FM, e há sete anos apresenta o programa Terra, na UCS TV, de Caxias do Sul. Vai estrear agora o filme Um Lenço Farrapo, no qual Tigre é o pai do guerreiro que volta da Revolução Farroupilha. Ele também fez muitos trabalhos para a RBS TV em Caxias e em Bento e é um grande amigo dos nossos comunicadores. Assim é o Omair Trindade, o Tigre dos Cavaleiros da Paz.

Fonte: coluna do Nico Fagundes de 09/07/2007

– OS ANGÜERAS

– O Grupo, também uma confraria cultural/nativista, foi fundado em 1962, em São Borja (RS), integrado inicialmente por Apparício da Silva Rillo (compositor, folclorista e jornalista gaúcho), Carlos Moreno, o “Pimpim”, solista e cantor; José Gonzaga Lewis Bicca, compositor da maioria das músicas de sucesso do grupo, violão e solista, de voz grave, com excelente impostação e pronúncia clara; Ernando Garcia Coelho, afinado, de violão requintado e voz discreta, mas explorada com maestria. Ótimo compositor; Antônio Carlos Lara de Souza, integrando eventualmente o Grupo, com o acordeon ou na banqueta do piano ou do órgão enrequecia a performance dos Angëras, que foi incorporado pelo Miguel Bicca, compositor e ritmista.
O nome do grupo significa, segundo Simão Lopes, no apodo atribuído pelos jesuítas a um índio triste, silencioso, o qual, depois de batizado, se transformou num fandangueiro e bailarim.
Com sua sede localizada na beira do rio Uruguai, em São Borja , se notarizaram, também, pela organização do festival de canções regionalistas, o “Festival da Barranca”, elitista, que reune a “nata” do nativismo gaúcho.
Gravou seu primeiro LP em 1975. Embora tenha passado por inúmeras formações, sempre foi dirigido e integrado por José Lewis Bicca. Quando gravou o CD “Sinhá Querência”, sua formação era do citado Bicca (direção, vocal e violão), Pedro Ayub Julião (solista e vocals), Paulo Roberto Lima (arranjos, sopros, teclado e vocal), Sérgio Wagner de Souza (violão e vocal) e Derly Azambuja Meneghetti (violão, sopros e vocal).

Informações extraídas das contra-capas dos discos “Canto de Pampa e Rio” e “Sinhá Querência”.” .

 

– PAIXÃO CÔRTES -JOÃO CARLOS D’ AVILA PAIXÃO CÔRTES

O Monumento “Laçador” foi criado por Antonio Caringi, inaugurado em 20/09/58, no Largo do Bombeiro, em Porto Alegre – RS, tendo por modelo Paixão Côrtes. Este monumento possui 4,45 metros , e está acentado num pedestal de granito totalizando 6,55 m ., e pesa 3,8 toneladas.
João Carlos D’Avila Paixão Côrtes, nasceu em 12/07/1927 em Sant’Ana do Livramento – RS, é Engenheiro Agrônomo, mas tornou-se mundialmente conhecido como estudioso da Tradição Riograndense, com um sem número de trabalhos aprovados em Congressos Tradicionalistas , sendo o maior divulgador de nossa tradição na América do Sul.
Paixão Côrtes iniciou cedo pesquisas do nosso folclore, registrando com gravadores, filmadoras e máquinas fotográficas todo o rico material da cultura do homem campesino gaúcho, pesquisa essa que se estendeu até peças originais de museus como o Louvre de Paris, do Museu do Trajo Português de Lisboa, Museu do Prado de Madri, Museu Militar da Escócia, Victória and Albert de Londres e tantos outros da América do Sul.
Paixão Côrtes é o que podemos chamar de Tradicionalista de Primeira Hora, visto ter sido integrante do “Grupo dos Oito”, que fundou o “35 – CTG” em 1.948, que foi o primeiro CTG fundado, originando daí todo o Movimento Tradicionalista do qual fazemos parte com tanto orgulho.
É criador dos símbolos da “Chama Crioula”, do “Candeeiro Crioulo” e da “Semana Farroupilha”.
Em 1.953, fez nascer o famoso conjunto folclórico “Tropeiros da Tradição”, iniciando assim uma nova era profissional na projeção folclórica de nossas danças e temas nativos. Na área discográfica atuou em 7 (sete) long-plays cantando, com os quais recebeu prêmios como, melhor Realização Folclórica Nacional (1.962) e melhor Cantor Masculino do Folclore do Brasil (1.964).
Como comunicador, Paixão Côrtes tem mais de 40 anos de dinâmica atividade, atuando em conceituados programas de rádio Riograndenses, sendo o criador, com Darcy Fagundes do famoso “Grande Rodeio Coringa” em 1.955, programa esse que reformulou a programação gauchesca de auditório do Rio Grande. Paixão Côrtes é responsável também pelo surgimento de “Festa de Galpão”(1.953), “Festança da Querência”(1.958), “Domingo com Paixão Côrtes” e “Querência”, estes dois últimos em plena vigência na rádio Guaíba.
Atuou como consultor de costumes e revisor de texto para a televisão e cinema, e como ator encarnou o expressivo Pedro Terra no filme “Um Certo Capitão Rodrigo”, dirigido por Anselmo Duarte, baseado no romance “O Tempo e o Vento” de Érico Veríssimo.
Como bailarino e cantor, Paixão Côrtes viajou oito vezes para a Europa, atuando na mais famosa casa de espetáculos européia, no Olímpia de Paris, permanecendo 5 meses na França apresentando nossas danças folclóricas também nos palcos da Universidade de Sorbonne, Teatro Mogador, Prefeitura Parisiense e outras casas noturnas.
Atuou também na Alemanha, na “Feira Mundial de Transportes e Comunicações” em Munique, no “Cassino de Estoril” em Lisboa, e na “Feira Rural de Santarém”, em Portugal.
Em 1.986, Paixão Côrtes retornou à Europa, distribuindo na Inglaterra e Escócia sua obra “The Gaúcho, Dances Costumes, Craftsmanship” impresso em inglês. Na BBC de Londres apresentou-se cantando e dançando temas gauchescos, acompanhado pelo conjunto musical “Os Farrapos” (Disco de Ouro / 1.988).
Foi conferencista no Arquipélago Açoriano Português em intercâmbio cultural entre “Ilhéus” e “Gaúchos”.
Cabe ressaltar que Paixão Côrtes não está vinculado a nenhuma instituição governamental, quer Municipal, Estadual ou Federal, nem recebe qualquer subvenção de qualquer órgão internacional.
Quis a história que se fizesse justiça a esse gigante do tradicionalismo, eternizando sua figura no bronze do “Laçador” do qual foi modelo para o escultor Antonio Caringi, em 1.954, imagem esta escolhida como símbolo de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul.

ALGUMAS OBRAS EDITADAS PELO AUTOR:

– Festança na Querência – 1959
– Terno de Reis – Cantiga do Natal Gaúcho – 1960
– Folclore Musical do Pampa – (col musical) – 1960
– Vestimenta Gaúcha (opúsculo) – 1961
– Gaúchos de Faca na Bota – 1966
– Carne Ovina (promoção com receitas) – 1968
– Aspectos da Ovicultura Gaúcha – 1977
– Tosquia Australiana no Rio Grande do Sul (co-part.) – 1972
– The Gaúcho – Dances, Costumes, Craftsmanship (em inglês) – 1978
– “Reses” – Cântico do Ciclo Natalino Rio-Grandense (opúsculo) – 1979/1980
– Festas Juninas e dos Santos Padroeiros (opúsculo) – 1980
– Os “Reses” no Natal Gauchesco – 1981
– Natal Gaúcho e dos Santos Reses – 1982
– Folias do Divino – 1983
– Folclore Gaúcho – Festa, Bailes, Música e Religiosidade Rural – 1987
– Debret – Província de Rio Grande de São Pedro do Sul (álbum com Salomão Scliar) 1978
– “Novas” Danças do Rio Grande Antigo – 1986
– Aspectos da Música e Fonografia Gaúchas – 1984
– Festejos do Ciclo São João na Tradição Gaúcha – 1986
– Origem da Semana Farroupilha, Primórdios do Movimento Tradicionalista – 1994
COM BARBOSA LESSA
– Manual de Danças Gaúchas – 1956
– Danças e Andanças da Tradição Gaúcha – 1975
– A Guerra e o Gado – Fatores da Sociabilidade do Gaúcho ( separata) – 1952
– Aspectos da Sociabilidade Gaúcha – 1985

PAULO DE FREITAS MENDONÇA

Apresentador, pajador, poeta, compositor, radialista, jornalista e diretor do Jornal do Nativismo.
Possui dois livros de poesias e participa de 09 antologias poéticas no Brasil (3 no RJ e 6 no RS).
Possui cinco CDs de pajadas lançados.
Tem atuado como pajador e realizado palestras no Uruguai, Argentina, Venezuela, Espanha, Chile e Brasil. É Membro da Estância da Poesia Crioula e o representante brasileiro no Comitê Internacional da Poesia Oral Improvisada.
Já improvisou com brasileiros, argentinos, uruguaios, chilenos, espanhóis, porto-riquenhos, panamenhos, canários, cubanos, italianos, norte-americanos, venezuelanos, entre outros.
É homenageado em vida pela Pajada Gaúcha da Feitoria em São Leopoldo , com o Troféu Paulo de Freitas Mendonça, para o primeiro lugar do festival.
Foi distinguido pela União Brasileira de Trovadores com a medalha Jayme Caetano Braun, pela Casa do Poeta Rio-grandense com a Medalha Jayme Caetano Braun, pelo Piquete 38 da Polícia Federal com o Troféu 15 anos e pela Associação Estampa y Memórias da Argentina como o único brasileiro a receber o Troféu “Condor de Fuego”. Recebeu das Comissãp Gaúcha do Folclore e da Comissão Nacional do Folclore, em agosto de 2007, o titulo de Amigo do Folclore.
Possui obras de sua autoria premiadas em importantes festivais como Califórnia, Grito do Nativismo, Coxilha, Festival da Música Crioula de Santiago, Chamamento do Pampa, Ronco do Bugio, Guyanuba e Cirio, entre outros.
Assina autorias em discos de José Cláudio Machado, Wilson Paim, Délcio Tavares, Cristiano Quevedo, Os Araganos, Cheiro de Galpão, Alma de Campo, Sul Tchê, Cantos de La Pátria Grande e Valther Moraes, João Luiz Corrêa, Antônio Tarragó Ros, entre outros.
Viagens internacionais:
1982 – Uruguai
2000 – Argentina
2001 – Uruguai
2002 – Argentina
2003 – Espanha
2004 – Uruguai
2005 – Uruguai e Espanha
2006 – Uruguai e Venezuela
2007 – Uruguai, Espanha e Ilha Terceira, nos Açores – Portugal
2008 – Chile
Convites para 2008.
Mar/08 – Uruguai
Mar/08 – Argentina
mai/08 – Espanha
Jun/08 – Itália
Jun/08 – Cuba
Jul/08 – Argentina
Ago/08 – Uruguai

 

– PEDRO JUNIOR DA FONTOURA O pajador da ousadia, talento e força interpretativa

Declamador, poeta e pajador, consagrado artista gaúcho com vários CDs lançados.reconhecido internacionalmente, atuações no Brasil, Argentina, uruguai,paraguai e Cuba .
O guri metido a intérprete de poemas deu certo e transformou-se em exemplo de criatividade e inspiração e sem medo de ousar quando sobe ao palco, usa e abusa do seu talento, explorando o que aprendeu de melhor com o mestre Jayme Caetano Braun. Pedro Junior da Fontoura não é só pajador. Sua performance confunde-se com o poeta, declamador, ator, letrista e professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira.
O próprio Pedro revela que nasceu dentro do movimento tradicionalista, por intermédio de seus pais, em Porto Alegre , capital do RS, tendo se desgarrado para Bento Gonçalves muito cedo. Foi lá o lugar que escolheu para se aquerenciar e é onde reside, “entre aspas, porque vive na estrada, graças a Deus, com a agenda sempre cheia.”
Professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, nas terças e quartas, dias em que fixa raiz e dentro do possível em sala de aula trabalha e mostra a estrutura da pajada para os alunos. São sempre 10 versos, todos em redondilha maior, ou seja, sete silábicos, sete sílabas poéticas, onde o 1º verso rima com o 4º e com o 5º; o 2º com o 3º; o 6º com o 7º e com o 10º e o 8º com o 9º. São quatro rimas intercaladas.
Pedro Jr. começou como declamador e iniciou bem cedo a escrever principalmente letras para músicas. Tem várias obras gravadas por diversos nomes da cultura gaúcha.
A pajada sempre foi algo que lhe chamou muito a atenção. Coração Estradeiro, seu primeiro disco, de 1995, foi apresentado por Jayme Caetano Braun, que foi quem lhe ensinou a estrutura da pajada e a técnica do improviso, na casa do próprio mestre, freqüentada por Pedro durante muito tempo.
“Com a morte de Jayme, criamos um movimento muito forte de pajadores que está crescendo. Hoje temos a Associação de Pajadores e declamadores do RS, gravamos um CD chamado Pajadores do Brasil e esta arte tem crescido muito”, lembrou.
Pedro Jr. hoje é referência nos rodeios e em outros eventos, transformando as atividades de apresentador e pajador em uma das suas principais fontes de renda. No palco, ele se transforma e se confunde com a poesia, na presença da força da vida, que junta o tradicional e o novo, sem esquecer das suas raízes, que são as mesmas da cultura gaúcha, que traduzem a sua alma gaudéria.

Fonte: Texto e fotos: Véra Regina Friederichs – Jornal Desgarrados da Querência

 

– PEDRO ORTAÇA – PEDRO MARQUES ORTAÇA

Pedro Marques Ortaça, nasceu em 1942, no Pontão, Primeiro Distrito de São Luiz Gonzaga (RS), e hoje reside na sede do município.
Iniciou a carreira cantando décimas antigas que eram vendidas nos comércios de carreira, escutando causos do Tibúrcio e pessoal que tocava gaita de oito baixos, como o Desidério, o Carlito, o Felício, aprimorando seu talento e habilidade musical.
Fez dupla com João Máximo até 1968, depois fundou o conjunto de baile “Os Fronteiristas”. Gravou seu primeiro disco com o Reduzino Malaquias e o filho deste, Reinaldo.
Trabalhou com o Jayme Caetano Braun na Rádio Guaíba, por mais de nove anos, com quem aprendeu muito sobre a cultura missioneira e gaúcha.
O trabalho de Pedro Ortaça encontra-se gravado em onze discos: Mensagem dos Sete Povos; Chão Colorado; Missões, Guitarra e Herança; Apontando Rumos; Timbre de Galo; De Guerreiro a Payador; Grito da Terra; 17 Grandes Sucessos; Troncos Missioneiros; Galo Missioneiro; Pátria Colorada; e Raízes dos Pampas (sic).
Pedro Ortaça é um dos quatro troncos missioneiros que, junto com Noel Guarany, Jayme Caetano Braun e Cenair Maicá, resgataram e nos revelaram valores que embasam a cultura e os costumes dos gaúchos, da formação do Rio Grande, do movimento missioneiro, cujos descendente, Alberto e Gabriel, seguem e honram os ideais do Pai.

 

– PIRISCA GRECCO o Gurizão -Afonso Machado Grecco por Nico Fagundes
18/06/2007

Afonso Machado Grecco é o mais moço dos quatro filhos do casal Iná e José Grecco. Como seus irmãos, é um músico nato: toca violão, gaita de botão, contrabaixo e é exímio baterista. E uruguaianense, claro.
Guri turbulento, alto para sua idade, ganhou o apelido de Pirisca, sua marca registrada. Foi na adolescência que tomou conhecimento mais íntimo com a música. Logo estava cantando MPB nos bares da Fronteira. Veio para Porto Alegre fazer o curso de Arquitetura, mas a música já era uma realidade e a faculdade ficou pelo meio. Versátil, pulava de um instrumento para o outro com facilidade. Ao se descobrir cantor e compositor, ao lado do Erlon Péricles e de outros jovens artistas de Santa Maria e de Uruguaiana, chegou aos festivais nativistas e ganhou o mundo.
Acho que o grande sucesso do Pirisca advém, além de seu talento, de sua presença cênica. Depois de Leopoldo Rassier, ninguém se impõe mais no palco do que ele. Parece que o Pirisca se ilumina por dentro e ilumina o cenário e o público com ele. Mas, curiosamente, não dá importância para o estrelismo: convidado para ser acompanhante em qualquer instrumento ou como vocalista neste ou naquele conjunto, aceita alegremente. A música para ele é mais um veículo para expressar sua alegria, honrar amizades e fazer novas relações. Hoje não há quem tenha mais vitórias em festivais que o Pirisca Grecco. Venceu três Califórnias, três Repontes, dois Martin Fierro, a Coxilha Nativista, o Musicanto, o Ronco do Bugio, a Escaramuça – é pouco? Gravou quatros CDs de sucesso. Os últimos três foram indicados ao Prêmio Açorianos de melhor disco nativista, que ele venceu duas vezes.
Pirisca mora em Santa Maria com a esposa Caren e a filhinha Antonia, mas é difícil encontrá-lo, porque nos fins de semana está sempre no palco.
Ninguém nasce em Uruguaiana impunemente. Guri, Pirisca fugia para a estância de amigos e parentes para camperear a cavalo. Ou para Libres, do outro lado do rio Uruguai, para beber nas águas do manancial da música castelhana.
Assim é Pirisca, homem autêntico, gaúcho no seu tempo. De boina, bombacha e alpargatas, move-se no palco em um ritual místico. Começou como simples gaiteiro do CTG Sinuelo do Pago de Uruguaiana e chegou onde chegou. Vai longe, assim.

Fonte: nico.fagundes@zerohora.com.br de 18/06/2007

 

– RAINERI SPOHR

Raineri tem 27 anos, é natural da cidade de Dom Pedrito e reside na cidade de Pelotas desde 2001.

Começou sua vida musical cantando em festivais amadores quando tinha 13 anos.

No ano de 1996 foi ao primeiro festival inédito de sua carreira: Gauderiada da Canção Gaúcha (Rosário do Sul). Desde então Raineri é nome atuante nos grandes festivais da música nativista do RS e SC.

Algumas premiações:

-1° lugar: Capela da Canção (2005), Canto das Invernias (2006), Ponche Verde da Canção (2000 E 2007), Bicuíra da Canção (2007), Sapecada da Canção (2008);

-2° lugar: Capela da Canção (2005), Estância da Canção Nativa (2005 e 2006); 2° lugar Aldeia da Musica do MERCOSUL.

-3° lugar: Aldeia da música do MERCOSUL (2005) Bicuíra da Canção (2006), Ponche Verde da Canção (2007); Festival da Canção Nativa – SC (2007);

-Música mais popular: Galponeira (2004), Ponche Verde (2006), Canto das Invernias (2007);

-Melhor intérprete: Paradouro do Minuano (2004 e 2006), Reculuta da Canção Crioula (2007), Vigília do Canto Gaúcho (2007), Laçador do Canto Nativo (2007); Ponche Verde da Canção (2007).

-Melhor Melodia: Ponche Verde da Canção (2007).

– Melhor Grupo Instrumental 19° Vigília do Canto Gaúcho.

 

Já fez parcerias com grandes nomes do nativismo gaúcho: Edilberto Bérgamo, Xirú Antunes, João Sampaio, Guilherme Collares, Jarí Terres, Joca Martins, Lucio Yanel, Robledo Martins, Marcelo Oliveira, Júlio Froz, Cristian Davesack, Ricardo Martins, Zeca Alves, Diogo Corrêa, Rui Carlos Ávila, Luis Clovis Girard, Márcio Correa, Fábio Peralta, Eduardo Soares, Zé Renato Daun’t, Fabrício Harden, Egbert Parada, Rodrigo Maia, Maykell Paiva dentre outros.

Acompanhou Jarí Terres por um ano como violonista e vocal.

Cursou dois anos da faculdade de música na UFPEL, Bacharelado Canto.

Em 2008 foi ao Rio de Janeiro com a ONG bate lata Anjos e Querubins da cidade de Pelotas, na qual desenvolve um trabalho de integração cultural, apresentar-se em um evento especial no Complexo do Alemão.

Atualmente trabalha seu primeiro cd solo que se intitula “Por campo e galpões” lançado pela gravadora ACIT.

REDUZINO MALAQUIAS

(*) Ramão Aguilar

Reduzino Malaquias nasceu em Barra do Ijui, região missioneira do Rio Grande do Sul, em 1º de novembro de 1912, Filho de João Malaquias e de Januária Pereira Malaquias. Faleceu no dia 22 de novembro de 1996, em São Nicolau , aos 84 anos. Deixou 42 netos, 40 bisnetos e um tataraneto. Na época, o Prefeito em exercício, Antonio Sérgio Siqueira da Silveira, decretou Luto Oficial por três dias na 1ª Querência do Rio Grande.
Reduzino fez uma carreira musical desde os oito anos de idade, contabilizou setenta e seis anos de Gaita Ponto durante sua existência. Com sua obra reconhecida no Brasil, na Argentina, Paraguai e Uruguai, sua arte destacada na gaita, que dominou como autodidata. A gaita ponto, popularmente conhecida como de “oito-baixos”, foi seu instrumento inseparável.
Em 1976, Reduzino Malaquias gravou pela primeira vez junto com o cantor Missioneiro Pedro Ortaça e seu filho Reinaldo Malaquias, o Disco intitulado Mensagem dos Sete Povos, contendo músicas imortais, como Rincão dos Maciel, Passo da Laranjeira, Vanerão do Tio Tuco, Urucuá e Bizorro.
Além da admiração de seus colegas, Reduzino granjeou respeito no cenário musical gaúcho, como escola e como exemplo aos mais jovens artistas. Fiel as suas origens e às raízes missioneiras, deixou verdadeira obra-prima, que ficarão para sempre na memória riograndense. Seu disco individual que leva o nome “REDUZINO MALAQUIAZ – O GAITEIRO DAS MISSÕES”, hoje é uma relíquia.
O saudoso Reduzino, lá na estância grande do céu, certamente estará fazendo o que mais gostava: Tocar sua Gaita de Botão.

Fonte: Rosemeri Ortaça,

Especial p/ o Jornal “A Notícia” de São Luiz Gonzaga (11/96).

(*) Pesquisador.

 

– SERGIO ROJAS, um mágico.

Sergio Rojas não é um músico. Ou não é só um músico. É um mágico. Um especialista em transformar a realidade em fantasia. Acho que Uruguaiana, terra mística, tem muito a ver com isso. Este uruguaianense viramundo é um homem inquieto. Como todo o verdadeiro artista, ele reinventa a realidade a cada instante.
Já pensaram o que ele fez com a milonga? Na guitarra de Rojas a milonga continua milonga, mas não é mais a milonga – dá para entender? Ele tem com a guitarra um caso de amor correspondido.
Homem culto, afável, sedutor de amizades e de amores, Sergio já enfrentou grandes problemas que teriam vencido um homem comum. Mas, decididamente, Sergio Rojas não é um homem comum. Ele faz de cada problema um desafio, vence-o e segue em frente.
Ninguém nasce impunemente em Uruguaiana. Ali se juntam as três pátrias da milonga. Ali, onde o violão se chama guitarra, esse instrumento campeiro recolhe no seu bojo o sopro dos ventos pampianos que sussurram em português e castelhano, o canto do quero-quero, o murmúrio dos riachos e, claro, o rude falar bilíngüe do Rio Uruguai, o rio das três pátrias “gauchas”. Assim é Sergio Rojas. E está cada vez melhor, se isso é possível.
Sergio Rojas é filho de pescadores e músicos, herdeiro da tradição de luthier, fazedores de instrumentos musicais e de magias sonoras. Guri ainda, criou-se levantando maretas no Rio Uruguai, assombrando os ribeirinhos das duas margens, rivalizando com dourados e surubis no desvendar dos segredos das águas insondáveis. Grande nadador, tornou-se também cavaleiro emérito, vislumbrando no horizonte o perfil azulado do Cerro do Jarau.
Sérgio Roberto Rodrigues Rojas foi puxado por uma parteira, a sua avó argentina, e na humildade daquele rancho campeiro saiu para os mais aristocráticos salões da Europa com o abre-te-sésamo do seu violão encantado. Toca e canta profissionalmente desde os 15 anos, quando foi companheiro de conjunto de Mário Barbará e do saudoso Luiz Eugênio. Venceu mais de uma vez a Califórnia da Canção Nativa, venceu a Ciranda de Taquara, o Musicanto de Santa Rosa e a Moenda de Santo Antonio da Patrulha. São mais de cem distinções.
E de aplausos, também em Cuba, na Argentina, na França, na Espanha. Priva da amizade de gente como Fito Paez, o grande Victor Heredia, e é afilhado dileto de Mercedes Sosa. Fez trilha para minisséries de TV, para o filme Lua de Outubro e agora está musicando os contos de João Simões Lopes Neto, novamente sob a direção do Henrique de Freitas Lima. Curiosamente, este artista incomparável, só igual a si mesmo, que tem mais de 200 gravações em discos de festivais, que tem mais de 10 mil peças publicitárias criadas para grandes clientes, só tem um CD gravado e, agora, está preparando o segundo.
Fonte:Coluna do Nico Fagundes em ZH

– SHANA MÜLLER – Alegrete

É cantora e jornalista. Tem dois cds gravados: Gaúcha e Firmando o Passo. Atuou durante 6 anos na Rádio Rural e tem um vínculo muito forte com os festivais nativistas, onde atuou como comentarista, apresentadora e também como intérprete. Shana preencheu um espaço feminino na música nativista interpretando as temáticas mais nativas e ligadas ao homem e a mulher do campo.

– TEIXEIRINHA – VITOR MATHEUS TEIXEIRA

Teixeirinha nasceu em Rolante/RS em 03 de março de 1927, tornando-se popular a partir de Passo Fundo/RS com a gravação da música “Coração de Luto”, em 1961.
A vida de Teixeirinha foi uma explosão de sucessos, surpreendendo tanto a ele como ao meio empresarial que assistia o fenômeno deste disco. Teve mais de 700 canções gravadas, 69 LPs editados e um acervo de 1.200 composições. Manteve por mais de 20 anos programas radiofônicos conhecidos tanto no Rio Grande do Sul como em outras rádios pelo Brasil.
Graças ao sucesso da música “Coração de Luto”, foi convidado pela Leopoldis Som (1967) a encenar a história da música. Achou que o cinema seria apenas mais uma experiência, mas os fãs pediram mais e, depois de “Motorista Sem Limites” (1969) de Itacir Rossi, acaba por tornar-se produtor e ator de mais de 10 filmes:

  • Ela Tornou-se Freira – 1970
  • Teixeirinha Sete Provas – 1973
  • Pobre João – 1975
  • O Gaúcho de Passo Fundo – 1978
  • Meu Pobre Coração de Luto – 1978
  • Tropeiro Velho – 1979
  • A Filha de Iemanjá – 1980

Sempre teve convidados ilustres em seus filmes, tanto do cenário gaúcho como nacional, tais como Valter D’Ávila, Edith Veiga, Amélia Bittencourt, Darci Fagundes, Ricardo Hoeper, Dimas Costas e as presenças constantes de Vânia Elizabeth, Suely Silva e Jimmy Pipiolo, entre outros nomes.
Segundo o próprio Teixeirinha, seu sucesso se deve à simplicidade com que ele escrevia suas músicas: “Eu canto para o povo” e “Onde o povo for, eu vou”. Assim, ele cantou sua música por todo o Brasil, América do Sul, Estados Unidos e Canadá. Seus discos são editados nas colônias portuguesas de todo o mundo, tendo recebido de Portugal o troféu Elefante de Ouro.
Sua carreira durou 27 anos, recebeu inúmeros troféus, discos de ouro, títulos de cidadão emérito e, após seu falecimento em 04 de dezembro de 1985, outras várias homenagens.
Na entrada da cidade de Passo Fundo, foi erguido um monumento de sua figura e, em dezembro de 1999, a RBS TV lhe outorgou o mérito como um dos “Vinte Gaúchos que Marcaram o Século XX”, a partir de votação popular, como um dos nomes mais ilustres do Rio Grande do Sul.
Teixeirinha, como todo ídolo, não morre. Seus sucessos como Coração de Luto, Gaúcho de Passo Fundo, Tordilho Negro, O Colono, Xote Soledade, Gaúcho Amigo, Tropeiro Velho e Querência Amada, permanecem no canto do Rio Grande do Sul e além fronteiras.

(texto fornecido pela Fundação Vitor Mateus Teixeira)

Discos, Músicas e Filmes

Lista de discos:

  • 1961 – O Gaúcho – Coração do Rio Grande
  • 1961 – Assim é nos pampas
  • 1961 – Um gaúcho canta para o Brasil
  • 1962 – Saudades de Passo Fundo
  • 1962 – Teixeirinha, volume 4
  • 1963 – Teixeirinha Show
  • 1963 – Teixeirinha interpreta
  • 1963 – Êta gaúcho bom
  • 1964 – Gaúcho autêntico
  • 1964 – Canarinho cantador
  • 1965 – O rei do disco
  • 1965 – Bate-bate coração
  • 1966 – Disco de ouro
  • 1966 – Teixeirinha no cinema
  • 1967 – Coração de Luto – trilha sonora do filme
  • 1967 – Mocinho aventureiro
  • 1967 – Dorme Angelita
  • 1968 – Doce coração de mãe
  • 1968 – Última tropeada
  • 1969 – O rei
  • 1969 – Volume de prata
  • 1970 – Carícias de amor
  • 1971 – Fora de série
  • 1971 – Entre a cruz e o amor
  • 1971 – Chimarrão da hospitalidade
  • 1972 – Ela tornou-se freira – trilha sonora do filme
  • 1972 – Minha homenagem
  • 1973 – O internacional
  • 1973 – Sempre Teixeirinha
  • 1974 – Última gineteada / Menina que passa
  • 1975 – Pobre João – trilha sonora do filme
  • 1975 – Aliança de ouro
  • 1975 – Lindo Rancho
  • 1977 – Norte a Sul
  • 1977 – Canta meu povo / Fronteira gaúcha
  • 1978 – Amor de verdade / Inseparável violão
  • 1978 – Menina da gaita / O Centro-Oeste brasileiro
  • 1979 – 20 anos de glória
  • 1980 – Menina Margareth / Vida e morte
  • 1981 – Iemanjá – trilha sonora do filme
  • 1982 – Que droga de vida / Infância frustrada
  • 1982 – Dez desafios inéditos – Teixeirinha e Mary Terezinha
  • 1983 – Chegando de longe / Apenas uma flor
  • 1984 – Guerra dos desafios – Teixeirinha e Nalva Aguiar
  • 1984 – Quem é você agora / Amor desfeito
  • 1985 – Amor aos passarinhos

(lista de discos obtida no site da Clic Music )

Algumas músicas:

Nome Letra Arquivo em MP3 Origem
Coração de Luto clique 60 seg (706 kb) site oficial
Querência Amada clique 31 seg (370 kb) Col. Raízes do Pampa
Gaúcho de Passo Fundo clique 73 seg (864 kb) site oficial
O Colono   29 seg (348 kb) Col. Raízes do Pampa
Tropeiro Velho   29 seg (349 kb) Col. Raízes do Pampa
Desafio de Grenal   29 seg (342 kb) Col. Raízes do Pampa
A Volta do Tordilho Negro   29 seg (348 kb) Col. Raízes do Pampa
Saudades da Minha Terra   27 seg (326 kb) Col. Raízes do Pampa
Chofer de Táxi   38 seg (454 kb) Col. Raízes do Pampa
Doce Coração de Mãe   29 seg (348 kb) Col. Raízes do Pampa

 

Lista de filmes:

  • Ela Tornou-se Freira (Teixeirinha Produções)
  • Teixeirinha 7 Provas (Teixeirinha Produções)
  • A Quadrilha do Perna Dura (Teixeirinha Produções)
  • Carmen A Cigana (Teixeirinha Produções)
  • Pobre João (Teixeirinha Produções)
  • Na Trilha da Justiça (Teixeirinha Produções)
  • Gaúcho de Passo Fundo (Teixeirinha Produções)
  • Meu Pobre Coração de Luto (Teixeirinha Produções)
  • Tropeiro Velho (Teixeirinha Produções)
  • A Filha de Iemanjá (Teixeirinha Produções) 35mm
  • Coração de Luto (Leopoldis Som)
  • Motorista Sem Limites (Itacir Rossi)

(lista de filmes obtida no site oficial)

OUTRA BIOGRAFIA

VITOR MATEUS TEIXEIRA, Teixeirinha, nasceu na cidade de Rolante, distrito de Mascaradas, Rio Grande do Sul, em 03 de março de 1927. Filho de Saturno Teixeira e Ledurina Mateus Teixeira, teve um irmão e duas irmãs.
Aos seis anos de idade perdeu o pai e aos nove anos a mãe. Ficando órfão foi morar com parentes, mas estes como não tinham condições de sustentá-lo, saiu pelo mundo fazendo de tudo um pouco, como: trabalhou em granjas do interior e quando veio para Porto Alegre carregou malas em portas de pensões, vendeu doces como ambulante, entregador de viandas, vendeu jornais, enfim fazia qualquer atividade para poder sobreviver.
Com Dezesseis anos se auto-registrou como Cidadão Brasileiro. Aos dezoito anos se alistou no Exército, mas não chegou a servir, quando nesta ocasião foi trabalhar no DAER (Departamento de Estradas de Rodagem), como operador de máquinas durante seis anos. Dali saiu para tentar a carreira artística cantando nas rádios das cidades do interior, tais como: Lajeado, Estrela, Rio Pardo, Santa Cruz do Sul, nesta última conheceu sua esposa Zoraida Lima Teixeira. Casaram-se em 1957 e foram morar em Soledade, em seguida mudaram-se para Passo Fundo, onde compraram um “Tiro ao Alvo” que era cuidado por ele e sua esposa e a noite Teixeirinha se apresentava na Rádio Municipal de Passo Fundo.
Em 1959 foi convidado para gravar em São Paulo. Viajou na segunda classe de um trem. Gravou seu primeiro 78RPM, de um lado a música “Xote Soledade” e do outro lado “Briga no Batizado”.
Segundo depoimento de um dos membros da Gravadora Chantecler, Dr. Biaggio Baccarin, o sucesso assim aconteceu:
“A sigla PTJ, no 78 RPM, abrigava três nomes: Palmeira, Teddy e Jairo, então diretores da Chantecler e fundadores do selo sertanejo. Como se constata, “Coração de Luto” ocupou o lado “B” do quarto disco gravado por Teixeirinha, o qual foi lançado sem qualquer preocupação de sucesso, no entanto aconteceu espontaneamente após seis meses de seu lançamento. As primeiras reações vieram de Sorocaba/SP e em pouco tempo já era sucesso nas demais cidades da região. Foi nessa ocasião que a gravadora Chantecler resolveu trazer o cantor para São Paulo a fim de trabalhar o disco, cujo trabalho teve início com um show na cidade de Sorocaba/SP e, posteriormente, nas demais cidades do Estado de São Paulo, até o triângulo mineiro.
O sucesso aconteceu em todo o Brasil, com venda superior a um milhão de cópias no ano de 1961. Um acontecimento inédito na história da música popular brasileira. Para se ter idéia deste fato, o disco Coração de Luto chegou a ser vendido no câmbio negro em Belém do Pará, havia fila para comprá-lo. A gravadora não tinha condições de atender os pedidos e era obrigada a distribuir cotas para cada loja. O fato de Belém do Pará foi registrado pelo saudoso Edgard Pina, então agente da Chantecler naquela capital”.
Teixeirinha voltou a Passo Fundo, vendeu o “Tiro ao Alvo” e se mudou para Porto Alegre. Foi chamado novamente pela Chantecler, desta vez para morar na capital paulista e continuar a divulgação do sucesso de Coração de Luto, no entanto, recusou domiciliar-se em São Paulo , voltando para Porto Alegre.
Com o que ganhou na excursão em São Paulo , comprou uma casa, no bairro da Glória em Porto Alegre , onde viveu toda sua vida e uma Kombi para viajar por todo o Brasil. Então, definitivamente Teixeirinha assumiu a carreira artística, passando a trabalhar em circos, parques, teatros, cinemas e demais casas de espetáculos. Como o próprio cantor relatou em uma de suas últimas entrevistas à imprensa: “… onde o povo me pediu para estar, eu fui…”(RBS/TV- julho/1985).
Teixeirinha começou a viajar para todo o Brasil como o “Gaúcho Coração do Rio Grande”. Em 1963, ganhou o troféu “Chico Viola” outorgado pela TV Record de São Paulo, no programa “Astros do Disco”, um programa de gala da televisão brasileira e tinha por objetivo premiar os melhores dos disco de cada ano e Teixeirinha ganhou por ter sido o cantor campeão de vendagem por dois anos consecutivos, 1962/1963.
Internacionalmente ganhou o troféu “Elefante de Ouro” como maior vendagem de discos em Portugal.
A música Coração de Luto, até hoje, vendeu mais de vinte e cinco milhões de cópias, a única no mundo mais vendida, superando cantores como Michael Jackson, Julio Iglesias, cantores contemporâneos de grande vendagem de discos, mas não de uma única música, como o caso de Coração de Luto, que continua na cotação de uma das músicas mais vendidas.
Em 1964, Teixeirinha escreveu a história do filme “Coração de Luto”, que foi produzido pela Leopoldis Som, em 1966, outro recorde de bilheteria. Em 1969, encenou no filme “Motorista sem Limites” juntamente com Valter D’Avila, produzido por Itacir Rossi.
Em 1970 criou sua própria produtora “Teixeirinha Produções Artísticas Ltda, pela qual escreveu, produziu e distribuiu dez filmes, quais sejam: “Ela Tornou-se Freira” (1972); “Teixeirinha 7 Provas”(1973); “Pobre João” (1974); “A Quadrilha do Perna Dura” (1975); “Carmem a Cigana (1976); “O Gaúcho de Passo Fundo”(1978) ; “Meu Pobre Coração de Luto”(1978); Na trilha da Justiça (1978); “Tropeiro Velho” (1980); “A Filha de Iemanjá” (1981).
Durante vinte anos, apresentou programas de rádio diariamente com duas edições: “Teixeirinha Amanhece Cantando” (de manhã) e “Teixeirinha Comanda o Espetáculo” (a noite) e “Teixeirinha Canta para o Brasil”(domingos, pela manhã) em diversas rádios da capital, com transmissão para o interior e outros estados brasileiros.
Recebeu nove discos de ouro, foi cidadão emérito de vários municípios como: Passo Fundo, Santo Antônio da Patrulha, Rolante e etc.
Em 1973 foi contratado para fazer quinze apresentações nos Estados Unidos da América. Em 1975 foi para o Canadá, onde realizou dezoito espetáculos. Fez shows na maioria dos países da América do Sul.
Teve nove filhos: Sirley Marisa; Líria Luisa; Victor Filho; Margareth; Elizabeth; Fátima Lisete; MárciaTeve Bernadeth; Alexandre e Liane Ledurina.
Durante vinte e dois anos Mary Terezinha lhe acompanhou com acordeon em shows, rádio e cinema.
Gravou 49 Lps inéditos, com mais de 70 Lps, incluindo regravações, atualmente sendo todos reeditados em disco laser, gravando mais de 700 músicas de sua autoria, deixando um acervo superior a 1200 composições de sua lavra.
Teixeirinha faleceu dia 04 de dezembro de 1985 e está sepultado no Cemitério da Santa Casa, quadra n.4, túmulo n.4, na capital gaúcha.

 

 

– TELMO DE LIMA FREITAS

Nasceu em São Borja (RS), em 13/01/1933. Filho de Francisco de Freitas e Mariana de Lima Freitas. Vencedor de vários festivais, sua principal temática é a vida campeira. Respeitado poeta e compositor, é autor do clássico “Esquilador” que recebeu a Calhandra de Ouro na IX Califórnia da Canção Nativa interpretada por Edson Otto e os Cantores dos Sete Povos, grupo do qual foi integrante.
Tem uma forma de compor semelhante aos gaúchos platinos. Possuiu quatro discos gravados. Entre suas composições gravadas por outros artistas está o bugio “Resto de baile”, parceria com José Antônio Hann e gravada pelo grupo “Os Serranos”.

– TELMO DE LIMA FREITAS , o Pagé Segundo Nico Fagundes

O Telmo nasceu na Para-boi, bairro tradicional de São Borja, ali no que sai do cemitério, filho de seu Leonardo Francisco de Freitas, militar do exército, e de dona Mariana de Lima Freitas, dona de casa. Com os seus sete irmãos e irmãs, o menino Telmo se criou nessa chácara que era na realidade uma estanciola com todas as possibilidades de brinquedo para um guri campeiro. Ele é sobrinho de um famoso gaiteiro, Cantalício Pires de Lima, conhecido como Três Bugios, por ser o inventor desse ritmo autenticamente gaúcho. A mãe do Telmo, dona Mariana, também beliscava um violão.
Telmo guri foi aprendiz de sapateiro e meia colher de pedreiro, além de ser exímia foice na lavoura de arroz. Serviu no famoso regimento João Manoel de São Borja, de onde deu baixa como cabo apto à promoção de terceiro sargento. Em Nhu-Porã, no interior de São Borja, fez amizade com Cláudio Oraindi Rodrigues, o lendário tio Manduca, e graças a ele conheceu um moço contador que viera de Porto Alegre para trabalhar no bolicho dos Pozueco – seu nome era Aparício da Silva Rillo, que logo se revelaria um grande poeta e pesquisador das coisas do pago. Telmo entra para o serviço federal, mas a sua vocação era mesmo o combate às drogas. Criada a Polícia Federal, o gaúcho entra nela como agente e faz especialização em Brasília e nos Estados Unidos. Exímio atirador, torna-se monitor de tiro. Aposenta-se na Polícia Federal com notável folha de serviços e é até hoje um verdadeiro ídolo entre essa elite da nossa polícia: seu nome foi escolhido para dar título ao Galpão Crioulo da Polícia Federal em Porto Alegre.
Telmo toca violão e cordeona. Exímio compositor, é prêmio certo em muitos festivais como a Califórnia da Canção. Excelente poeta e cantor, interpreta muito bem os seus poemas e canções, declamando e cantando. É o orgulhoso pai do Kiko Freitas, hoje o maior baterista do Brasil. Telmo de Lima Freitas, a quem eu chamo carinhosamente de Jundiá, meu companheiro de grandes pescarias, é também mestre de panelas e espetos, absoluto na beira do fogo. O seu galpão aqui em Cachoeirinha é uma Salamanca do Jarau, onde tem seus cavalos e seus cachorros, onde divide amor e hospitalidade com sua esposa, a dra. Iara Peres Cardoso Freitas, advogada. Telmo gravou cinco LPs e quatros CDs, publicou um livro de poemas e está escrevendo um livro de contos gauchescos. Mestre de truco, com sua melena grisalha e sua barba patriarcal, sério e solene, é o próprio pajé missioneiro, referência obrigatória do gauchismo.
Grande e querido Jundiá, que Deus te abençoe sempre e te conserve muitos anos entre nós, com tua gaita, com teu violão e com teu autêntico gauchismo!
Fonte: nico.fagundes@zerohora.com.br – em 28/05/2007

– TIO BILIA – ANTÔNIO SOARES DE OLIVEIRA

Antônio Soares de Oliveira, o “Tio Bilia”, nasceu em 05 de agosto de 1906, em Serra de Cima, no município de Santo ângelo (RS). Desde menino teve a vocação pela música, autodidata, consagrou-se como um dos melhores intérpretes da musica regionalista criola. Sua 8 baixos traduzia o estilo guapo da região missioneira.
Teve como incentivadores o Major Maximiano Bogo e Oneide Bertussi. Gravou seu primeiro LP, o “Baile Gaúcho”, com Virgilio Pinheiro e seu conjunto. Foi um marco de autenticidade musical do legítimo baile tradicional gaúcho, com melodias criolas, conservadas pelos próprios executantes, característica que preservou em toda a sua obra.
Tio Bilia faleceu aos 85 anos de idade, tendo gravado 111 músicas.

 

– VALDOMIRO MAICÁ

 

Nasceu em Tucunduva (RS) em 17/10/1953, filho do Sr. iniciou sua carreira musical em 1984, participando do festival Chimarrão da Canção Missioneira, realizado em Coronel Bicaco (RS), com a música Gana Missioneira.
Gravou 12 discos: O Cantor das Águas (Acervo); Missioneiro Marca Touro; Da Marca Antiga; Missioneiro Cantador; Missioneiro, um Tesouro Guarani; Laços Culturais; Raiz Costeira; Vozes da Terra; Alma Missioneira; Família Maicá; Valdomiro nos Festivais; O Canto das Missões. Recentemente também lançou um DVD.
Valdomiro reside em Três Passos (RS). Casado com Dna. Carmem, tem três filhos: Atahualpa, Anahi e Márcio (o Maicazinho).
Telefone para contato: (55) 9977.3108

 

– VALMOR MARASCA, o Gringo Puro por Nico Fagundes
02/07/2007

Valmor Marasca é só assim, não tem outro nome ou outro sobrenome. É Valmor Marasca, no mais. Filho e neto de colonos, nasceu e se criou na roça, gringo puro pelos quatro costados, que falou “talian” antes de falar português – o que só foi aprender na escola.
Na colônia, o gringuinho pega na enxada muito cedo, criança ainda e essa foi a vida do Marasca, ajudando os pais na roça. Mas sempre gostou de música, aprendendo do folclore gringo as canções mais populares, como Mérica Mérica, La Bella Polenta , Quatro Cavai que Trotano e tantas outras canções. Canções, sim, porque na colônia italiana não se dançava, o padre proibia, era coisa do diabo.
Mas o pequeno Marasca sonhava cantar e tocar gaita. Aos 16 anos, com a venda de umas cascas de acácia, conseguiu comprar um violãozinho, mas não conseguiu tocar porque os dedos eram muito grossos. Aos 17 anos, sempre na roça, uma surpresa: o pai lhe deu de presente uma bela gaita Hohner, maravilha das maravilhas. O amigo Ibanor Pessim, que era músico, lhe deu os primeiros galopes, e em pouco tempo o Marasca já estava se apresentando na Rádio Difusora de Garibaldi, no famoso programa Sábado Alegre, de Vanderlei Carlos de Oliveira. No começo, ele cantava apenas canções gauchescas de sua autoria, mas quando cantou canções do folclore gringo, o mundo veio abaixo!
Valmor Marasca sentiu que estava no caminho certo. Aquele era o seu mundo, a sua vida, a vida dos seus na terra que era sua. Encarnou definitivamente o gringo típico, cantando e tocando gaita. Dotado de uma alegria infantil, de uma pureza de alma que transparece ao primeiro encontro, Marasca se apresenta em qualquer palco, em qualquer cenário, vestido como o colono que nunca deixou de ser. Ele quer ser percebido como um homem autêntico de sua terra, de sua gente, do seu tempo. Valmor Marasca é um homem fiel, cheio de ingenuidade e talento e por isso faz o sucesso que faz. Gravou três LPs e sete CDs e foi descoberto pelos meios de comunicação da Itália, que viram nele o gringo puro, fruto da colonização italiana no Rio Grande do Sul. Aí, claro, chegou o convite para a primeira viagem à Itália e lá se foi o Marasca com sua roupa de colono, o seu chapéu de palha, o seu sorriso de guri grande e a sua gaita. Foi um sucesso! Nunca mais pararam de convidá-lo. Já esteve oito vezes na Europa, no norte da Itália, espantando o público com o seu Vêneto antigo, encantando a todos com as canções originais da colonização que só os mais velhos recordavam mal-e-mal na região das três Venezas.
Agora Marasca está convidado para uma viagem ao Canadá, onde é grande a presença de descendentes de colonizadores italianos. E há de fazer sucesso, abrindo uma nova frente de trabalho na América do Norte. Depois, já programada tem uma nova viagem para o norte da Itália. Lá ele gosta de se apresentar em praça pública e se emociona quando os italianos mais velhos cantam com ele canções que embalaram o seu berço aqui no Rio Grande do Sul, na região colonial.
“Merica Merica Mérica. Cosa sara nostra América…”

Fonte: Coluna do nico.fagundes@zerohora.com.br

– VOLMIR COELHO .
Volmir Coelho, compositor e interprete Santanense premiado em alguns dos maiores festivais do RS, está lançando de forma independente no final deste mês de maio, seu primeiro trabalho intitulado “De Campo e Raiz”, sendo todas as composições de sua autoria (letra e música).
Participaram da gravação deste trabalho além do próprio Volmir Coelho (violões e guitarron), Robson Garcia (violões e baixo-acústico), Zeca Alves (cajon) e a participação especial de Aluísio Rockembach (acordeon em loco de Mau), traz apresentações de dois dos maiores compositores do RS, Zeca Alves e Martin César Gonçalves além de Carlinhos Fernanades, um dos incentivadores deste trabalho. As músicas do cd são: Semaneiro, Passo das Catacumbas, A Porta, A Moldura do Meu Rancho, O Guri do Seu José, O “M” das Mãos, De Campo e Raiz, Ritual de Tropa Larga, Bibiana, O Guri e o Medo, Cativos, Bolicho do Passo, Mala Suerte e Loco de Mau.