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jun 19

A Mulher semeadora de sonhos para as Gerações

– Dilmar Paixão –

(professor, escritor e poeta)

 

Sabem aquela pergunta que você jamais imaginou lhe seria feita? Bem assim, aconteceu comigo. Não sei precisar a data, porque não é essa das minhas melhores habilidades. Bueno, se eu não me lembro dessa vez inaugural na data exata, pelo menos posso confirmar que foram incontáveis as ocasiões para responder à mesma interrogação: – como é conviver direto com pessoas da intelectualidade dentro da família, como o teu pai e a tua irmã? Vagamente, acredito que tenha sido logo que o Seu Paixão e a Dinara assumiram as suas Cadeiras nº 14 e 15 na Academia de Letras.

Ora, se viver é uma efeméride, conviver tem contornos de uma indisfarçável comemoração a cada passo por mais longa que possa ser a viagem pela existência. Alongado, o trajeto, não se pode ser sempre principiante, posto que seja preciso se aprender muito nos caminhos. Isso não é passatempo. Por mais íngreme que possa ser o terreno, por inúmeras que sejam as releituras e os requisitos sob o poder da resiliência, há que se desbravar o horizonte.

Defender ideias, eleger e seguir princípios, escolher diretrizes, elaborar planos e persegui-los são mais do que requisitos: exigências. Aprende-se isso. Treina-se. E, por mais acalorados que possam ser os debates, ainda assim, pode-se encontrar um mínimo múltiplo comum ou um denominador para aproximar os pensamentos e atividades. Sim, as discussão não são fáceis quando se precisa contrapor argumentos. Maior a dificuldade, mais ganhos se têm desde o preparo ao aprendizado posterior. Aprende-se a viver, a pensar e a conviver também nos coletivos, mesmo que seja na família.

 # Fique em Casa.

– Será ?

Das tantas provocações ocasionadas pela pandemia, a questão do que fazer adiantou-se às demais: o como, o porquê, com qual objetivo, o cronograma do quando e com quais meios. Para nós na faixa cronológica inicial do grupo de risco, a situação foi mais cruel, porque tirou-nos o contato e, sem ele, ficamos órfãos e isolados dos recursos humanos mais qualificados e competentes do que nós com as mídias digitais. Bolsas, monitorias acadêmicas, grupos de estudos transportam ajudas indisfarçáveis. Porém, de uma hora para a outra, tem-se a quarentena e o dualismo do escolher se apresenta na sua interrogação mais pertinente: – parar e não fazer nada, usando-se o tempo para outras ocupações triviais ou reinventar-se, reorientar os direcionamentos e enfrentar as contingências.

Semialfabetizados digitais – em imensa maioria – mesmo que acusasse o duro golpe nos planos e intenções partiu-se a novas descobertas, a procurar novos compromissos, a fazer novas lições de casa ( e em casa).

Se aqueles que voam sozinhos têm asas mais fortes, mudanças visíveis e invisíveis mudanças prenunciaram outros mapeamentos e pulsações emergentes. Os meios digitais, que aproximam e afastam, exigiam reconfigurações no seu uso. Muita gente restou parada ou em marcha lenta e até desorientada, com inconformismo negativista. Aliei-me ao imediato conforto de usufruir e organizar melhor o aproveitamento do tempo, aplicando-o a inovações e iniciativas. Busquei a alfabetização digital. Tive companhia. Equipes de trabalho e muitas histórias movidas de paixão. Pontos de vista nem sempre coincidentes, contudo muita informação, comunicação e dialogicidade coletiva, humana e com amorosidade. Afetos e afagos. Afetuosidades.

A semeadora de sonhos revelou-se mais uma vez. Ideias e iniciativas, atitudes corajosas, participações e enfrentamentos e uma profunda capacidade de renovar energias e se dedicar ao trabalho profissional e à convivência humana, no círculo de amizades e familiar. Homenageada na Semana Farroupilha, uma faixa do Departamento de Tradições Noel Guarani, DTG da Universidade Federal de Santa Maria-UFSM, definia-a com a significância de ser uma mulher semeadora de sonhos para as gerações. Inegável, sem dúvida.

O que se referia ao tradicionalismo e à idealização criadora de uma nova profissão no Brasil com o curso de graduação em engenharia acústica na UFSM rendeu-lhe tecer novas providências de vanguarda. Partiu a abrir picadas nas dificuldades quarentenadoras e a pavimentar novos caminhos. Aliás, reuniu seus passos e caminhares em Caminhos: percorridos, construídos e vislumbrados.

A sua primeira publicação digital reeditou em mídia específica de e-book o percurso de um grande idealista muito à frente do seu tempo: o Padre Ignácio Valle, o mesmo da devoção e da Romaria à Medianeira. A experiência qualificadora foi alcançada no isolamento e praticamente sem ajuda alguma. Aquilo que seria facilitado pela proximidade presencial ficou ausente, todavia a vontade ferrenha e destemida formatou-se exitosa de pleno.

Pouco dias depois, o novo livro eletrônico. Este é mais carregado de emoções, revelador da sua paixão idealista e da semeadura de sonhos criadores de oportunidades. Como coparticipante da sua trajetória, sinto-me, mais uma vez, privilegiado. Recordei-me muito, transportado por lembranças boas e outras nem tanto, nos seus caminhos percorridos.

Estou a recomendar, em primeira mão, com muita alegria, satisfação e reconhecimento o livro da Dinara, disponível desde a madrugada de hoje na plataforma Amazon (www.amazon.com.br). Basta acessar “Livros” e digitar o nome dela (Dinara Paixão). Em seguida, estarão disponíveis esses seus dois primeiros livros no formato de e-book.

O preço? Ora, nem é preço de ocasião. São 269 páginas com o valor apenas simbólico (?) de R$ 10 reais, a ser baixado em qualquer plataforma digital. Só o registro do livro no ISBN (International Standard Book Number ou Número Internacional Padrão do Livro, em português) custou mais caro.

Proseamos mais, de outra feita.

Partenon, Porto Alegre, 19 de junho de 2020.

 

 

 

 

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