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ago 08

A Heroína de dois Mundos – ANITA GARIBALDI – morria em 4/08/1849 – parte V (última)

MESMO GRÁVIDA E DOENTE, ANITA CAVALGOU E LUTOU CONTRA OS AUSTRÍACOS

Durante todo este trajeto, Anita não sentia -se muito bem, mas continuou tributando seu mal estar à manifestação rotineira de sua avançada gravidez. Mesmo assim não desistia de estar ao lado do marido nas marchas e combates. Garibaldi tentou convencê-la a ali ficar, até restabelecer-se.
Alguns dias após encontrariam-se novamente, disse-lhe. De nada adiantou o seu apelo. Agora perseguidos pelos austríacos, e verificando que a Toscana seria impossível de atravessar em virtude da maciça presença inimiga, obrigaram-se a cruzar os montes Apeninos, cujo travessia era a única alternativa viável para atingirem Veneza. Alguns quilômetros antes de chegaram a San Marino, a retaguarda da Legião, que descansava de sua exaustão enquanto Garibaldi negociava o
asilo político, foi atacada por uma tropa avançada austríaca, que surpreendeu os legionários. Exaustos e esfomeados, os soldados republicanos fugiram em desabada correria, sem oferecer combate e resistência. Anita, que tinha ficado um pouco mais adiante, vendo a covardia com que fugiam seus soldados, tentou fazê-los parar e voltarem para enfrentarem o inimigo, dando-lhe ordens de comando e estimulando-os a resistirem. Vendo que sua voz e seu comando não eram obedecidos, arrancou de um chicote e com ele estalando contra os fugitivos passou a bradar “-Lutem e não fujam, corja de covardes!”
Dos companheiros que estavam próximos, ninguém teve coragem de segui-la. Todos acovardaram-se. Ficou sozinha, disparando sua arma e retendo momentaneamente o avanço da vanguarda austríaca pelo estreito caminho. Bem mais adiante da estreita coluna que serpenteava o caminho, do alto de outra montanha, Garibaldi assistiu ao inusitado ato de covardia de seus
soldados e de extrema coragem de sua companheira. Vendo Anita completamente só, lançou-se com diversos homens em seu socorro, travando ali uma rápida batalha, homem contra homem, que resultou em um ferimento em Garibaldi, feito por uma lança, que atingiu-lhe a camisa e riscou-lhe o peito. Anita saiu ilesa da pequeno confronto, mas sua oportuna e corajosa resistência impediu um massacre que os tedescos iriam fazer na retaguarda da coluna garibaldina em retirada.

EM S.MARINO, GARIBALDI DISSOLVEU SUA LEGIÃO MAS RECUSOU-SE EMBAINHAR A ESPADA

Neste mesmo dia 31 as forças remanescentes de Garibaldi chegaram a San Marino. A diminuta República havia atravessado pelos séculos com sua reconhecida autonomia, e de acordo com sua concepção e tradição democrática, concedeu asilo a Garibaldi e aos seus homens, que foram
instalados em um convento dos padres capuchinhos. Na verdade os sanmarinenses eram fervorosos defensores da unidade italiana, e viam a luta de Garibaldi com muita simpatia. Muitos haviam-se voluntariado e desde os primeiros momentos estavam engajados nas legiões garibaldinas. Rapidamente, o exército austríaco, que os estava seguindo há diversos dias, alcançou a pequena República, cercando-a, cujos domínios estendiam-se pouco além dos limites da cidade. Deram um ultimatum, mas logo a seguir passaram a usar mediadores para negociar a deposição de armas, evitando a invasão e inviolabilidade de San Marino. Garibaldi decide deixar a San Marino. Novamente Garibaldi tentou deixar Anita para restabelecer-se, desta vez aos cuidados da senhora Giuditta, esposa do proprietário do Café Simoncini, Sr. Lorenzo Simoncini, que anos mais tarde escreveria um livro intitulado “Giuseppe Garibaldi e Ugo Bassi in San Marino”. Esta obra foi importante documento legado por uma testemunha ocular daquelas derradeiras horas que Anita ali passou. Em trecho de sua obra, narrou:
“… Anita estava gravemente enferma, deitada no varandão do
Convento dos Capuchinhos. Encarreguei meu filho Ludovico de
trazê-la junto aonde estava seu marido, tratando de suas
estratégias. Ele a encontrou estendida e padecendo no chão, mas
ainda forte de espírito. Meu filho a trouxe apoiada em seus braços
para minha casa, onde lhe havia sido preparado uma boa cama e
tudo o que nos tivéssemos de melhor de alimentos e remédios para
oferecer-lhe. Minha mulher e minha filha não a abandonaram um
instante sequer, oferecendo-lhe o melhor conforto…

BASTANTE DOENTE, ANITA INSISTIU EM ACOMPANHAR GARIBALDI

Como vimos, a saúde de Anita preocupou Garibaldi seriamente, pois imaginava que era impossível que a acompanhasse em tão perigosa marcha, penhascos abaixo. Esta nova fuga seria muito mais vigiada e policiada do que até então haviam sido as anteriores. Pacientemente suplicou para que permanecesse em San Marino, até seu restabelecimento. A insistência de Garibaldi irritou Anita, que fulminou dura e seca resposta: “-Tu queres é deixar-me! Te contraria minha presença?”
A resposta dobrou a insistência de Garibaldi, que nada mais pode fazer. Mesmo doente e febril, Anita já estava decidida e ele compreendeu que nenhum outro argumento adiantaria.
Sem dinheiro para comprar roupas adequadas, mais leves para o calor que estava fazendo, Anita ofereceu à sua anfitriã o belo vestido que havia ganho das senhoras de Cetona, em troca de uma roupa mais adequada ao clima quente daqueles dias. Pouco após a meia noite, Garibaldi ergue-se de uma rodada com seus oficiais e conclamou:
” -A quem quiser seguir-me ofereço novas lutas, sofrimento e exílio. Pactos com o inimigo, jamais.”

ANITA DITOU SUA ÚLTIMA CARTA

Durante aquela madrugada, a febre a prostrou ainda mais. Recostada em cordas e madeiras existentes no cais do porto, sem qualquer conforto ou medicação, sofreu dores. A única atenção lhe foi devotada pelo Padre Ugo Bassi, que com ela conversou demoradamente, que sem outra coisa pudesse fazer, limitando-se a ampara-la e a escrever uma carta que ela lhe ditou. Foi
sua última carta! A despeito deste enorme sofrimento, na noite que ficou no cais de Cesanatico, encontrou forças para ditar ao Padre Ugo Basi sua derradeira carta, endereçada à sua irmã: “Cesanatico, 2 de agosto de 1849. Querida irmã: Estou estendida no chão,exausta, no cais do porto de Cesenatico, com as costas apoiadas em sacos de tela e quem está lhe escrevendo por mim é o padre Bassi, em italiano. De
algum jeito você vai conseguir entender, talvez com a ajuda de algum exilado no Rio. Preciso de ajuda para lhe escrever porque, pela primeira vez na vida, estou tão fraca que a minha vista ficou nublada. Estou com medo, sim, acho mesmo que meu fim está próximo…

COMPANHEIROS FORAM PRESOS E FUZILADOS

A região do Delta do Rio Pó era formada por terrenos alagadiços, repleto de pântanos e de canais, que formavam incontáveis ilhas e lagoas interligadas, muito semelhante a região do Camacho, onde Anita havia nascido, nas proximidades de Laguna, no Brasil Prevendo que aquela orla litorânea logo estaria repleta de soldados inimigos para os prenderem, Garibaldi ordenou aos seus trinta patriotas que com ele ali tinham aportado, que se dispersassem, o que foi feito. Em Ariano, poucas horas após, eram presos 16 companheiros de Garibaldi, alguns dos quais foram fuzilados uma semana após em Tiepolo. Em Comachio, outros onze garibaldinos foram presos, que no dia 8 de agosto foram fuzilados em Bolonha, entre eles o Padre Ugo Bassi.

ULTIMAS FUGAS DO CASAL GARIBALDI

Junto a Garibaldi e Anita ficou apenas o major Leggero, que recusou-se a abandoná-los, oferecendo sua mão e braços para ajudar a transportar Anita para local seguro. Foram abrigados em uma velha cabana. Como ainda não era um lugar seguro, seguiram a pé para um outro local. Enquanto descansavam o fiel Leggero saiu a procura de algum tipo de ajuda, encontrando-se com o Coronel Gioachino Bonet, conhecido de Garibaldi, que o ajudou a retirar daquele local infestado de militares à caça de Garibaldi. Acabaram refugiando-se na sede da fazenda do seu amigo Coronel Bonet. Este plano de fuga ficou conhecido como “Trafila”. A primeira providência foi remover o casal para outro local, por caminhos não usuais, quase que intransitáveis, mesmo a pé, porém mais seguro. O novo esconderijo ficava distante aproximadamente dois mil metros. Anita não tinha mais forças para caminhar, motivo pelo qual foi improvisada uma maca, revezando-se Garibaldi, Leggero e Bonet nas pontas. Após o percurso o grupo chegou a casa de Giovanni
Feletti, onde permaneceram das 10 horas da manhã até às 11:30 horas de 3 de agosto. Foram atendidos e cuidados pelas mulheres da casa, que desdobraram-se em gentilezas e atenções com Anita, dando-lhe remédios caseiros e muita atenção.

GARIBALDI PRECISAVA SEGUIR EM FUGA E RELUTAVA EM DEIXAR ANITA

Nino Bonett estava tentando levar Garibaldi em direção oeste, e Garibaldi queria prosseguir para o norte, em direção à Veneza. Bonet o tirou de perto de Anita e num compartimento contíguo da casa, disse-lhe que Veneza estava para cair em mãos dos austríacos a qualquer instantes, motivo pelo qual seria inviável dirigir-se para lá naquele momento. Além do mais, toda a costa norte, de Comachio até Veneza estava sendo vasculhada, a procura de Garibaldi. Propôs à Garibaldi separar-se de Anita, que não resistiria aos desgastes e esforços que teriam que fazer para continuar na fuga. Garibaldi ouviu as ponderações e julgou-as procedentes, mas condicionou sua aceitação a aprovação de Anita, que gradativamente colocada a par da situação, concordou com o plano de Bonet. Sabia e tinha consciência de que sua moléstia colocava em risco não apenas a si própria, mas também a Garibaldi. Para disfarçar a dor de sua separação, antes de concordar definitivamente, fez Bonet jurar que salvaria Garibaldi. E Bonet jurou!

AS ÚLTIMAS HORAS DE VIDA DE ANITA

Ao que resgatou-se dos depoimentos de Garibaldi, estes foram os últimos momentos de lucidez e consciência contínua de Anita. A partir de então, passou a ter ataques e convulsões, alternando entre desfalecimentos e momentos de lucidez. O Plano previa retirarem-se em direção oeste. Após deixarem Anita em Comachio, Garibaldi prosseguiria. Anita foi instalada deitada em um carro de
boi. Bonet foi na frente para fazer os preparativos da chegada. Além de Leggero, Felippo Patrignani acompanhou o casal. Após duas horas de incessante calor, em uma marcha bastante lenta para ser mais confortável para Anita e por temerem encontrar forças inimigas, chegaram à casa Zanetto. Anita estava deitada em um leito, mas seu estado havia piorado consideravelmente, chegando a delirar em determinados momentos. Alí Bonet queria efetuar a separação do casal. Anita que inicialmente havia concordado em separar-se, para salvar a ambos, refluíu e nos momentos que voltava dos delírios, passou a implorar que Garibaldi não a deixasse morrer
sozinha. Sensibilizado, respondeu: “Bonet você não pode imaginar quanto serviço esta mulher me prestou! Quanto e qual ternura ela nutre por mim Eu tenho para com ela um imenso débito de reconhecimento e amor!… deixe que me siga!” O amor e a gratidão falaram mais alto do que a
própria razão e Bonet acabou também concordando, sensibilizado com a cena que testemunhou, que mais tarde seria reproduzido na obra escrita e impressa em Bolonha intitulada “O desembarque de Garibaldi em Magnavacca”.

A ULTIMA VIAGEM A ABORDO AO LADO DE GARIBALDI

Legerro, Garibaldi e Anita embarcaram na canoa, com dois remadores por volta das 20:30 horas e durante quase toda a noite remaram pelos canais e lagoas, em direção a sua fuga, agora infletindo em direção sul, com objetivo de confundir e despistar ainda mais os austríacos, que os julgaram percorrendo direção norte. Mais adiante trocaram de remadores e de canoa e por fim até serem abrigados em uma cabana rústica coberta de capim. Somente a uma hora da tarde concluíram a
complicada travessia das intrincadas e interligadas lagoas. Porém havia um novo problema: a charrete planejada pela Trafila, que os deveria estar esperando na Chiavica Di Mezo não estava no local indicado. Nova espera, que durou três longas e angustiantes horas. Às 17:30 horas Anita é colocada sobre uma charrete, que dirige-se para a Feitoria de Mandriole, enquanto outra a charrete, que havia -se retardado é mandada a cidade de Santo Alberto, ali próximo, para chamar o Dr. Pietro Nannini, que deveria ser conduzido à Fazenda Guiccioli, sob o pretexto de atender a grave enfermidade da proprietária do estabelecimento para onde Anita estava sendo conduzida. Nos três quilômetros faltantes, Garibaldi seguiu a charrete a pé, fazendo sombra a Anita com um guarda-chuva, protegendo-a do fustigante sol.

AS ÚLTIMAS PALAVRAS DE ANITA

Naquele lento trajeto, por terreno que não era estrada de carruagem, Anita balbuciou suas últimas palavras à Garibaldi. Falhou-lhe sobre os filhos. Disse-lhe que não tinha medo, mas que sabia que seu fim estava próximo. Pediu para que Giuseppe falasse com os filhos, que gostaria de estar com eles, que os amava muito, mas que tendo prenunciado a hora derradeira, escolheu estar perto do seu homem, lutando pela mesma causa. Implorou que a justificasse perante aos filhos de como era difícil para ela ser mãe, esposa de um homem como ele e compelida pelo dever de consciência
a ter que lutar por um ideal.

“NÃO, NÃO ELA NÃO ESTÁ MORTA”

Logo em seguida, momentos antes de chegar à Fattoria Guiccioli Anita não mais falou, já agonizava e uma leve espuma vertia de seus lábios, que Garibaldi insistia em limpar a todo o instante com um lenço que mantinha nas mãos. Quando chegaram finalmente ao sobrado da Fazenda, já estava presente o médico Dr. Nannini, que atendendo as súplicas de Garibaldi (-“por amor a Deus, salvai-a!”), ordenou que fosse transportada para dentro de casa. Garibaldi, Leggero, Manetti e Nannini, cada um pegou em um dos cantos do colchão onde estava deitada e a transportaram para o andar superior do casarão da Feitoria, deitando-a em uma cama de ferro de um pequeno quarto. A resistência de Anita havia atingido os limites humanos e seu combalido corpo não havia resistido a tamanhas provações. Ao ser transportada para o interior da casa poucos minutos de vida ainda restavam-lhe. O médico, após examiná-la, resignado, sentenciou que nada mais podia ser feito, que sua vida agonizava, que estava prestes a expirar.
Em suas memórias, Garibaldi escreveu: “Ao depor minha mulher no leito, me pareceu descobrir em seu rosto a expressão da morte. Tomei-lhe o pulso… já não batia. Eu tinha diante de mim o cadáver da mãe de meus filhos, que eu tanto amava.”
Quando convenceu-se que o manto negro da morte havia sobreposto sua escuridão sobre as irradiantes luzes que sua companheira irradiou durante àqueles dez anos, Garibaldi não mais conteve o pranto, dobrou-se sobre a moribunda e extravasou tudo o que sentiu naquele doloroso momento.
Ajoelhou-se ao lado da cama, segurou com as duas mãos a face de Anita e
exclamou: ” – Não, não, ela não está morta! Não é senão um novo ataque. Muito teve
que sofrer, mas ela vai ficar boa! Não está morta! Anita! É impossível! Olha para mim Anita! Fala comigo! Quanto eu perdi!” (95) Anita acabara de expirar! Eram 19:45 horas de sábado, dia 4 de agosto de 1849.

ANITA FOI SEPULTADA SETE VEZES 

NO PRIMEIRO SEPULTAMENTO FOI ARRASTADA POR CORDA AMARRADA NO PESCOÇO

Garibaldi sentiu em sua alma a maior e mais triste de todas as suas derrotas, e culpou-se amargamente por não tê-la deixado entregue aos cuidados das senhoras de Cetona ou em San Marino. De nada tinha adiantado todo o esforço e o sacrifício da penosa fuga. Tinham restadas infrutíferas as dores e os temores daqueles últimos dias em fuga, que ela mesma havia imposto a si própria e ao seu companheiro. A fatalidade e a morte venceram a ambos!
Não foi somente Garibaldi que pranteou tão lastimável e insubstituível perda. Os compatriotas italianos, os liberais uruguaios, os farrapos brasileiros e os republicanos dos dois continentes, que não puderam pranteala no derradeiro instante de sua vida, prantearam-na depois, cujas lágrimas foram convertidas em milhares de placas e monumentos que ergueram-se nos diversos países do Novo e do Velho Mundo. Passados os instante iniciais do trágico acontecimento, o fiel Leggero tentou retirar Garibaldi do local, pois tinha sido informado que um destacamento austríaco andava pelas proximidades de onde encontravam-se. Garibaldi recusou-se a retirar-se do local, não queria abandonar o corpo inerte de sua amada esposa e companheira de tantas lutas. Queria dar-lhe um sepultamento digno. Fez com que os presentes e responsáveis pela Fattoria assim prometessem. Mesmo assim, permaneceu ao lado do inerte corpo de Anita, enquanto o Major Leggero a todo instante implorava para ambos retirarem-se do local, pois a presença colocava em risco não apenas a si próprio, mas também a todos da Fattoria:B”-Pela Itália, pelos teus filhos, devemos partir…” Uma hora após a morte de Anita, derrotado e contrariado, Giuseppe Garibaldi foi retirado do local e conduzido por uma charrete para a localidade de Santo Alberto, dando prosseguimento a Trafila, que o levaria salvo ao exílio na América. Transportaram o cadáver, displicentemente jogado sobre um carro de duas rodas, até meio quilometro
afastado da Fattoria. Como encalhou na areia o rústico veículo, completaram o percurso até o local previsto arrastando a morta pelo chão, por meio de uma corda que lhe amarraram ao pescoço! No local até hoje conhecido Landa Pastorara, formado por um areal coberto por vegetação rasteira, sepultaram-na em cova rasa, às pressas e escondidos pela escuridão da noite.
Poucos dias após o secreto sepultamento, uma mão feminina, já dilacerada por animais, foi descoberta pela menina Pasqua Dal Pozzo, aflorando do pasto ressequido. O fato foi informado aos pais e estes comunicaram à polícia. Rapidamente correu a notícia do achado de cadáver de “mulher desconhecida”…

SEGUNDO SEPULTAMENTO DE ANITA

No dia 11 de agosto, após a autópsia, embora em adiantado estado de decomposição, o Juiz encarregado do inquérito, ainda desconhecendo a identidade do cadáver, chamou o padre Burzatti e confiou-lhe o cadáver de Anita. Estava despido e duplamente mutilado pela ação dos animais e pela ação do bisturi da necropsia. Imediatamente o padre solicitou autorização do Bispo para o enterro dos restos mortais da “mulher desconhecida” no cemitério local, localizado nos fundos da Igreja de Mandriolle. Devidamente autorizado, foram realizadas as exéquias e sepultado em cova simples, com uma cruz de madeira.

TERCEIRO SEPULTAMENTO DE ANITA

Dez anos após, ainda era grande a peregrinação que a população fazia ao cemitério para reverenciar à memória da heroína. Exaltando-se novamente os ânimos da população contra o Papa, alguns garibaldinos remanescentes, liderados por Francesco Manetti, alguns dos quais tiveram participação e colaboraram para o êxito da trafila, seqüestraram os restos mortais de Anita, colocando-os em uma urna, sepultando-a escondida, em lugar seguro. Tinham o receio de que a sepultura fosse violada pelos adversários da unidade italiana, para serem dispersados e impedir que seus despojos fossem usados para reacender o sentimento unitário italiano.

QUARTO SEPULTAMENTO DE ANITA

Algumas semanas após, descoberto o seqüestro indevido, o padre Francesco Burzatti envidou esforços para recuperar os restos mortais, no que logrou êxito, tendo recebido em devolução a féretra caixa, mediante a promessa de enterrá-los no interior da Igreja, ao lado do altar. A promessa foi efetivamente cumprida.

QUINTO SEPULTAMENTO DE ANITA

Em 22 de setembro de 1859, tão logo voltou de seu longo exílio, Giuseppe Garibaldi, acompanhado pelos filhos Menotti, Riciotti e Teresita, esteve em Mandriolle e novamente desenterrou os restos mortais da Heroína, fazendolhe um cortejo fúnebre, com o intuito de conduzi-los para serem sepultos em Nizza, junto a sua mãe, que havia falecido em 1852. No caminho, uma verdadeira consagração garibaldina em romaria cívica, passou por diversas
cidades, parando-se para homenagens e exaltações diante de seus restos mortais nas cidades de Ravena, Bolonha, Livorno, Gênova e Nizza. Com este cortejo fúnebre Garibaldi atingiu dois propósitos: pagou a promessa feita à memória de Anita no dia de seu falecimento, além de motivar e exaltar as populações por onde passou a retomarem e prosseguirem com a interrompida luta pela unidade italiana.

SEXTO SEPULTAMENTO DE ANITA

A cidade de Nizza e região foram transferidas aos domínio da França, em pagamento dos empréstimo de guerra que este País tinha feito à Itália, durante o segundo período da campanha da unificação. Sob o domínio francês, Nizza passou a ser conhecida como Nice, fazendo com que Anita ficasse sepulta em território francês. Em 1931, por solicitação do Governo de Mussolini, a França consentiu no traslado dos restos mortais para Roma. Como as obras da Praça Anita Garibaldi, no Gianículo, ainda não estavam pronto para recebê-la, foi transportada e sepultada provisoriamente para Gênova, junto ao Cemitério de Staglieno.

SÉTIMO SEPULTAMENTO DE ANITA

Finalmente, em 2 de junho de 1932, estando concluído o monumento erigido em sua memória no Gianículo, o Governo italiano para lá a transportou, patrocinando e promovendo um gigantesco traslado, transformado em um dos maiores atos cívicos da história da Jovem Itália. Até a presente data seus despojos ali encontram-se.

MORRE GARIBALDI

Trinta e três anos após, em 2 de junho de 1882, em uma sexta-feira, faleceu José Garibaldi, às 18:22 horas, na Ilha de Caprera – na Sardenha, Itália, com honras de herói. Ali mesmo foi sepultado!

HOMENAGEM A ANITA NO BRASIL

Disposto na lei 11.597/07, o Livro dos Heróis da Pátria, depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília/DF, registra perpetuamente nomes de brasileiros ou de grupos de brasileiros “que tenham oferecido a vida à pátria, para sua defesa e construção, com excepcional dedicação e heroísmo”.

O LIVRO DE AÇO DOS HERÓIS DA PÁTRIA
LEI Nº 12.615, DE 30 DE ABRIL DE 2012

Inscreve o nome de Anita Garibaldi – Ana Maria de Jesus Ribeiro – no Livro dos Heróis da Pátria.

compilação de pesquisa: Cesar Tomazzini.
fonte: Anita Garibaldi A Guerreira das Repúblicas– Adílcio Cadorin.

 

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