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set 12

Seu Paixão, o homenageado de Santa Maria-RS

 

 

Dilmar Paixão –

(professor, escritor e poeta)

 

            Com a gentileza do espaço propiciado pelo patrão deste sítio campeiro e cultural, o comunicador tradicionalista Paulo Guimarães, compartilho com os leitores duas manifestações feitas à comunidade de Santa Maria pela escolha do meu pai Darcy Paixão, Conselheiro Benemérito do Tradicionalismo, como Homenageado desta Semana Farroupilha em 2017.

            O primeiro poema redigi no momento em que fui comunicado da distinção conferida ao meu pai e o segundo escrevi durante a viagem para ser a manifestação oficial em nome dele na Solenidade de Distribuição das Centelhas da Chama Crioula às Entidades Tradicionalistas da 13ª Região que comemora seus 50 anos de criação e de destaque na cultura rio-grandense.

AGRADECIMENTO !

 

 

Aos fazedores da História !

Aos contadores do tempo !

Aos tropeiros do talento !

À quem reponta a trajetória !

Aos que se valem da memória !

Aos que vivem por amores

e a quem, costeando corredores,

lembra, também, a sua História.

 

A cada um e a todos,

à todas e a cada uma:

com a idade, a gente acostuma a ser tratado com respeito.

E, para quem já andou um eito, receber tanta homenagem,

vem, sim, da camaradagem e estufa a gente no peito.

 

Certamente, é assim,

repleto de emoção, que Darcy Pereira da Paixão 

agradece a lembrança e reza, com esperança,

fazendo o agradecimento às pessoas e ao Movimento que destacam a sua presença.

 

Está aqui o Seu Paixão, tropeiro p´ra mais de Oitenta,

que, ainda, o repucho aguenta, porque veio da Fortaleza.

Entre os Valos, a beleza do campo, das invernadas,

dos matos, da terra alagada e do amor à natureza.

 

A Fortaleza dos Valos pertencia à Cruz Alta,

duas querências que ele exalta por sua Naturalidade.

Uma, a da infância e mocidade; a outra, do conhecimento

que lhe acrescentou talento, experiência e amizade.

 

E para quem varou o mundo cruzando muitas fronteiras

noutras plagas hospitaleiras conviveu com alegria.

E conheceu a Geografia,

desenhou mapas de vida

e elegeu a sua preferida:

mora em Santa Maria.

 

 

Nem precisava essa escolha de Homenageado Local,

porque mesmo, ao natural, já estaria participando.

São amigos se reencontrando como Farroupilhas, Idealistas,

Revolucionários, Tradicionalistas, convivendo e desfilando.

 

Os Festejos Farroupilhas não celebram quem morreu,

nem interessa quem venceu, porque o Acordo foi firmado.

Causas e questões do passado importam para as pesquisas.

O sangue, que riscou divisas, precisa ser lamentado.

 

 

Se não foi possível, outrora,

que agora se pense bem,

se derramar sangues convém e espalhar mortes compensa.

Afinal, de quem é a crença num mundo melhor e humano ?

Que o diálogo seja soberano e a cultura nos convença !

 

 

Pois, esta Chama Crioula aqui está por gestos atrevidos

de oito piazotes crescidos: os Bombachudos do Julinho.

E, depois, seguiu caminho nas Rondas pelos galpões.

Hoje, mantém as tradições, como os bichos guardam o ninho.

 

 

A Chama, a Bandeira, o Hino e toda a simbologia

já garantiam a energia deste guri bonachão,

que chamam de Seu Paixão,

por sobrenome e sentimento.

Em seu nome, mais este Agradecimento à Cidade Coração !

 

 

 

EM NOME DO SEU PAIXÃO, O HOMENAGEADO !

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Uma das atribuições mais frequentes a um professor, além das suas aulas, é fazer questões. Eu estava elaborando uma prova, quando recebi a notícia de que meu pai Darcy Paixão fora indicado e aprovado como o Homenageado Local da Semana Farroupilha de Santa Maria-RS.

Agora, corrigia a prova, quando o telefonema dele me convocou para estar aqui neste momento e para que falasse em nome dele.

Das minhas convivências com o Pe. Paulo Aripe, aprendi que “melhor se entende o verso quando se conhece o autor”. Vim, pessoalmente, por isso, e para dizer-lhes mais alguns versos meus…

__________________

Fiz questão de estar aqui.

Por isso, apeei do pingo.

Me receberam sorrindo junto às varas da porteira.

Disseram-me: “seja bem-vindo na cidade coração”.

E eu vejo o Seu Paixão rodeado de gente faceira.

 

A Semana Farroupilha o escolheu de homenageado.

Ele, um escritor agauchado da Academia de Letras.

O avô, o pai, a família, taura tradicionalista,

Coordenador, Conselheiro, idealista, lá dos tempos da caneta.

 

– O que é ser homenageado? Eu vinha pensando na estrada.

Quase na linha de chegada, lembram dele, as pessoas.

“Cultuar amigos e o trabalho”: outra lição que aprendemos

e, portanto, agradecemos aos patrões, peonada, patroas.

 

A Chama relembra os feitos e o peito de quem lutou,

mas o pampa preservou usos, costumes, História.

“A cultura não tem dono”!

“0 gauchismo é atual, de valor universal”!

“O resto é tese simplória”!

 

Que “os Farroupilhas perderam”, se encontra gente dizendo.

Mesmo os Imperiais reconhecendo e assinando o Tratado de Paz?

Por que fariam o Acordo?

Por que dia 20 é feriado?

Ora, “há um povo ensanguentado mostrando do que é capaz”!

 

Na Cruz, onde se atam os lenços, um Chimango, outro Maragato,

há, também, um Cristo Farrapo, destemido, Filho de Deus.

Por isso, a Chama Crioula aquece os nossos corações,

desfila bênçãos em comunhões e ilumina fiéis e ateus.

 

Como na Semana da Pátria, o fogo é força e poder.

Cada Centelha nos faz ver as lutas, as causas, a essência

e as pelejas de antes e de agora.

A alma da sociedade em batalhas por liberdade nas Rondas da convivência.

 

Esta é a Tradição Gaúcha, que está na crista da onda

e mantém pujante essa Ronda de amor e patriotismo.

Tantas vezes, Benemérito, o vosso Homenageado

é o mesmo Paixão fardado com as vestes do Tradicionalismo.

 

Seu lugar de nascimento, o progresso alagou.

E a família se mudou dos Valos para Cruz Alta.

Diplomou-se no colégio e, trocando continências,

jurou amor à querência que, hoje, Santa Maria exalta.

 

Aqui, na Cidade Cultura,

ele firmou o itinerário de pesquisador e literário,

definiu a sua moradia e, na roda do chimarrão, reparte o que aprendeu.

Semeou, plantou e colheu as suas melhores companhias.

 

Filho e Filha, professores, o Neto universitário

e ele, quase centenário, hoje, cavalga mais lento.

Presta atenção nas cantigas;

de perto, vê o horizonte, mas conta causos e dá a fonte e ensina pelo exemplo.

 

É um velho entre os mais idosos, um veterano da guerra,

que, entre o céu e a terra, une os povos em oração.

Reza terços, vai à missa, dita textos por não escrever.

E eu vim aqui para agradecer, a Homenagem ao meu pai, o Seu Paixão.

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