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ago 25

A FAMÍLIA AGRADECE

 

– Dilmar Paixão –

(professor, escritor e poeta)

Chasque  Pampeano é a denominação deste site, sítio campeiro e cultural que nos cede espaço o comunicador tradicionalista Paulo Guimarães, a quem sempre incentivo e agradeço pela gentil parceria de saberes e convívio comunitário e social compartilhados.

Andei compromissado com as vicissitudes e atribulações da vida cotidiana, com o que fiquei ausente desses escritos que, mais do que diálogos propositivos de reflexões, são satisfações comungadas das minhas andanças, proferidas em voz alta, com o direito de dizer a palavra, no melhor estilo do educador e alfabetizador brasileiro Paulo Freire. Ah, sim, há quem apresente restrições a algumas das suas ideias, principalmente, por lê-lo em recortes ou pelo método nada acadêmico e irresponsável da transversalidade. A esses pseudo-intelectuais, por equívoco ou intenções nem sempre aclaradas, posso contentar e citar outros autores, na mesma linha desse raciocínio anterior.

Bem, o direito à palavra vem da pronúncia constitucional vigente no Brasil. Isso, por si só, já bastaria. Mas, ao gosto de quem cultiva, estuda e defende a responsabilidade cultural herdada pela tradição, posso me dirigir a você leitor pela autoria do meu pai em tantos dos seus escritos que ficaram disponíveis na literatura de quem, analfabeto até os quinze anos de idade, tornou-se autodidata e literato a ponto de ser membro da Sociedade Partenon Literário e da Academia Santa-Mariense de Letras.

Ainda se essa autoria possa parecer muito particular e caseira, remeto-me a uma terceira citação, de quem admirei e fui honrado com a convivência intelectual e artística. Refiro-me ao autor de canções como Veterano (vencedor da Califórnia da Canção Nativa), Pago Perdido, Entardecer, Alma de Poço, Sol de Maio e uma infinidade de obras primas da sensibilidade humana, física e artística. Cito Antônio Augusto Ferreira, no texto-canção de Fio de Bigode que eu aplaudi desde a Coxilha de Cruz Alta, na apresentação da primeira vez, com transmissão, ao vivo e por quatro noites, que eu coordenei pela Rádio Medianeira com a Rádio da Universidade:

Vem do meu pai, o direito,

mais claro que a cor do lenço:

de querer, o que acho certo;

dizer, as coisas que penso.[1],[2]

………………………………………..

Desta exposição de motivos, a inaugurar o pensamento oferecido neste Chasque Pampeano, para valer-me de um bom nome, quero resgatar notícias e agradecimentos. O noticiário contém coisas boas e, amplia como costume complicado, as notícias ruins. E nada é tão triste quanto o Obituário – e como tem havido registro necrológico veiculado nos meios de comunicação social, por isso, em formato jornalístico do gênero utilitário. Disso, dois posicionamentos: rezar e ser solidário com os familiares e amigos. Esta lista de grande nominata, não vem ao caso, a não ser para a referência de que inúmeros artistas, poetas e musicistas, profissionais da imprensa do nosso conviver e gente conhecida, porque familiares de nossos amigos, têm partido para a querência eterna. E tem até aquela canção, que o Paixão Cortes firmou talento: “Na gineteada da vida, a gente cai e levanta. Há sempre nova partida p´ra quem cai e não se espanta. Na gineteada da morte, é um escarcéu tão violento, que o ginete vai ao céu, se enterrando chão a dentro…”[3].

Dos amigos vaqueanos, o mais recente foi o Adão Lannes, convocado para tocar gaita no céu. Como referi antes, minha solidariedade à família. Para lembrar coisas boas, na feliz festa dos 80 anos do meu pai, o Seu Paixão, o Lannes entrou ao lado do tio Nelci Melo na procissão do Ofertório da Missa Crioula, os dois apresentando cordeonas ao Altar, na Missa celebrada pelo Padre Amadeu Canellas.

Pois, meu pai partiu no dia 18 de setembro, homenageado da Semana Farroupilha em 2017. – “Eu não vou desfilar”. E não desfilou mesmo. O parente Paixão Cortes, na Semana Farroupilha de 2018. Se a morte pode ser feliz, como eu comentei numa outra Coluna dessas do Chasque Pampeano, meu pai morreu em êxtase, no enlevo de um dos momentos da sua maior felicidade: homenageado de reconhecimento e rodeado de amigos.

Correu notícias, que eu já sabia da proposta, porque fui encarregado de assinar o Termo de Concordância da Família, mas agora em situação oficial, que o Vereador, tradicionalista, radialista e trovador Valdir Oliveira encaminhou indicação de um logradouro público com o nome Darcy Pereira da Paixão – Seu Paixão. Seguimos agradecidos e volto a fornecer informações na medida em que elas estejam disponíveis e emergindo dos trâmites legislativos. Mais uma vez, nosso reconhecimento ao Vereador Valdir Oliveira e aos demais representantes do povo santa-mariense.

O título deste Chasque Pampeano, de que A Família agradece, segue intencional e emotivo. A comunicação do Coordenador Luiz Sérgio Fassbinder, da 13ª Região Tradicionalista[4], dá conta de que a minha irmã Dinara Paixão, professora da UFSM, doutora em Acústica, idealizadora do Curso de Graduação em Engenharia Acústica, tradicionalista, folclorista e ativista cultural, integrante da Academia Santa-Mariense de Letras, será a Homenageada na Semana Farroupilha deste 2019. Com a notícia do mês de julho, desloco-me à Santa Maria em agosto para acompanhá-la na reunião dos tradicionalistas da região e, posteriormente, no Desfile do Dia 20 de Setembro. Em torno dela, a nossa família – ampliada – agradece. Queremos dar mostras disso durante o desfile: de como pode uma pessoa, de maneira concomitante, atuar em proveito da sociedade e da população em tantas frentes de atividades, acadêmicas, educativas e culturais.

Por parecer-me oportuno, retorno ao poema do Antônio Augusto Ferreira, Fio de Bigode:

… Tomara que o mundo louco,
correndo fora dos trilhos,
não mate as verdades todas,
que vou contar aos meus filhos[5].

Julgo-me abençoado: o Arthur, quando foi preciso, optou pelo pai com sabedoria, decisão, coerente, maduro e sem vacilar. Hoje, cursa Direito na Universidade.

Neste Dia dos Pais, de 2019, minha solidariedade compartilhada a todos os pais nas mais diversas situações da vida. Que o discurso humanista da pronúncia das pessoas e das legislações possa preservar essas características sociopolíticas indispensáveis da responsabilidade, mas do respeito, aos atributos e às qualidades do amor paterno, distintivos e predicados do PAI: Presente, Ativo e Integrado à vida dos filhos e filhas; Participante, Atento e Inteligente para cultuar verdades puras e sinceras a um mundo carente de autenticidades, humanismos e afetos.

Por que não citar Teixeirinha, no poema-literativo, tão educativo quanto popular e tão paterno quanto permanente: Tropeiro Velho: “…Os anos passam, também fico velho, vou esperando chegar a minha vez”. O papel e o compromisso de pai, eu tenho honrado com bênçãos e sabedoria, a ponto de poder anunciá-lo e saudar a todos os pais pelo Dia dos Pais de cada um. Que Deus nos abençoe a todos !

Proseamos mais, de outra feita.

Partenon, Porto Alegre, 11 de agosto de 2019.

[1] Poema Fio de Bigode, Antonio Augusto Ferreira, trecho extraído do seu livro Sol de Maio (Porto Alegre: Renascença, 2007, 3ª edição, p. 69).

[2] http://festivaisnativistas.blogspot.com/2008/05/1-coxilha.html

[3] Ascenção e queda de um ginete. De Luiz Martino e Marco Aurélio Vasconcellos, interpretações de Paixão Cortes, Leopoldo Rassiê e do próprio Marco Aurélio Vasconcellos.

[4] https://13regiaotradicionalista.com.br/destaque/festejos-farroupilhas-2019-dinara-xavier-da-paixao-sera-a-homenageada-local/

[5] Op. cit.

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