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Chasque Pampeano:AINDA SOBRE BAILE DE COLA ATADA...

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03/06/2008

AINDA SOBRE BAILE DE COLA ATADA
 

BAILE DE COLA ATADA

 

No tempo de antanho existiu,

o baile de cola atada.

De literatura quase nada,

e o procedimento sumiu.

Por ser insocial sucumbiu,

com outros procedimentos.

A História tem argumentos,

sem divulgar a façanha.

Quem fala nele se acanha,

do chulo comportamento.

 

                          Nos bailes de cola atada,

                          gente “direita” não dançava.

                          Nem esse local freqüentava,

                          por ser lugar de chinfrinada.

                          Terminavam em chavascadas,

                          quando não em coisa pior.

                          Sem moradias ao redor,

                          por ser a choldra  incivil.

                          Todos demonstram ardil,

                          em qualidade  menor.

 

Com discrição de local,

e muita bebida alcoólica.

Em acasalação simbólica,

praticavam esse ritual.

Um procedimento usual ,

pelo baixo meretrício.

Sem  praticar armistício,

desde o começo até o fim. 

Com púrpura de carmesim,

quase chegava ser vício.

 

Entrava só quem pretendia,

se entreverar com a ralé.

Ambiente de algum cabaré,

freqüência de pouca valia.

A má iluminação confundia,

as mulheres despidas total.

Os homens  quase igual,

só com a camisa amarrada.

Nas  costas ás pontas atadas,

assim que dançava o casal.

 

Sem família e mulherengo,

foi a estampa do gaudério.

Vivia em constante adultério,

por ser errante andarengo.

Cavalgando um maturrengo,

garras pendentes ao arreio.

Proceder de escasso asseio,

e bailando de cola atada.

Assim completava a jornada,

vivendo as custas do alheio.

 

A socialização do gaudério,

extinguiu com o cola atada.

Não serviu pra gauchada,

por não ser assunto sério.

Desvendado o impropério,

a civilização não tolera.

O que será que se espera,

de quem vive nesse ambiente.

Alcoolatra, imoral e indecente,

agregado a patologia severa.

 

                       Existem algumas canções,

                       de compositor dicionarista.

                       Impremeditado nativista,

                       colecionador de frustrações.

                       Comprando suas gravações,

                       de produção independente.

                       Estendereteando o vivente,

                       pretende insuflar cultura.

                       Remexendo sepulturas,

                       em busca de termo bifronte.

 

Aquelas pendengas de antanho,

contadas pelos ancestrais.

Não são os fandangos atuais,

sadios e de bom tamanho.

Onde não dança  estranho,

por ser restrito a famílias.

O som invade as coxilhas,

desta Querência bendita.

É dança de quem acredita

do vanerão a quadrilha,

 

                       Evolução é a realidade presente,

                     transmigrando hábitos sadios.

                     Aprimorando nossos brios,

                       formando cultura consciente.

                    Com este caráter insolente,

                       e o estigma do bem-me-quer.

                       Gaúcho  valoriza a mulher,

                       por isso a chama de prenda.

                       Talvez  alguém não entenda,

                       por ter uma origem qualquer.

Esta pujança taurina,

é xucra por excelência

Não  vive de aparência,

quem traz a marca sulina

O horizonte que determina,

o encontro de cada coxilha.

Não meço distância por milha,

nem “tomo mate” em ramada.

Quem baila de cola atada,

é insipiente ou sem família.

 

MINGUANTE DE MAIO DE 2008.

CALTARS – “TO”

 

FONTE: JOSÉ ALDOMAR DE CASTRO

 


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