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Chasque Pampeano:Liliana Cardoso, a poesia por Nico Fagundes...

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24/03/2008

Liliana Cardoso, a poesia por Nico Fagundes
 

A grande declamadora usa a voz como um instrumento musical para reproduzir nos poemas que interpreta a polifonia do Rio Grande do Sul. Sua voz às vezes é um gorjeio da calhandra, mas pode ser também o alerta do quero-quero. Às vezes é o sussurro suave das casuarinas, mas pode ser também o frio cortante do minuano ou o ribombar dos ventos de tormenta. Se algumas vezes parece adormecer como a garoa nos galpões de zinco, também pode ser o aguaceiro furioso das tempestades. Ou o suave murmúrio dos arroios, que se transformam em maretas iradas nas enchentes. Um compositor erudito poderia compor uma sinfonia com a voz de Liliana Cardoso usando apenas flauta, violino ou oboé - e por que não? - , clarim e bombo-leguero.

No palco, a Liliana Cardoso declama com todo o corpo. Dança sinuosa como a teniaguá. Ergue-se com olhos faiscantes. Diana guerreira e caçadora. Lança flechas e dardos para um público cativo e impressionado. Não por acaso, já ganhou todos os maiores troféus de declamação nativista no Estado e fora dele.

Já se disse que Liliana Cardoso dança a poesia. Mas é mais do que isto. Ela é a poesia integral, cantada e dançada. Ela declama com a voz, os olhos, as mãos e o corpo todo. Favorecida por uma suave mistura étnica, encarna com facilidade vários tipos de mulher gaúcha. Que sangues correm em suas veias? Que miscigenação harmônica engendrou uma prenda assim, mestiça e total? Os poetas escrevem muitas vezes pensando nela. Ao receber um poema para interpretar, não diz sim no primeiro momento. Procura conhecer os versos a fundo, entrar na alma do poeta, conhecer as circunstâncias espirituais da composição, entrar no poema. E ficar. Aí, aceitando a missão, já senhora da poesia, quer escolher o acompanhamento ideal, que considera a moldura do poema - não basta o retrato ser bonito, tem que ser bem emoldurado. Emotiva, chega às lágrimas, emocionando e emocionando-se. Já vi, em Dourados (MS), Liliana Cardoso parar um congresso barulhento para ouvi-la. Quando entrou em cena, tinha 1,60m de altura. Quando saiu, ovacionada de pé pela multidão, tinha 3m de altura ...

A declamação é uma arte cênica especial, e o tradicionalismo gaúcho lhe deve muito. Nos seus primórdios (e até antes do surgimento formal do tradicionalismo, a 24 de abril de 1948), nosso movimento se propagou através da declamação de Paixão Côrtes e Darcy Fagundes, eram guris no Colégio União de Uruguaiana quando se reuniam para declamar Vargas Neto. E Glaucus Saraiva vai se juntar a Lessa e a Paixão exatamente como poeta autor dos poucos poemas que a rapaziada declamava então.

Honra e glória aos teus declamadores, Rio Grande! Faltava uma sacerdotisa nesse culto. Agora, não falta mais.

Fonte: ZH

 

 


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