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Chasque Pampeano:O Assertanejamento da Música Regional dos Gaúchos!...

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15/01/2008

O Assertanejamento da Música Regional dos Gaúchos!
 
A música regional gaúcha sul-brasileira, herança cultural recebida por tradição dos antepassados sulistas, é um patrimônio que deve ser mantido, defendido e preservado para as novas e futuras gerações, pelo Povo Gaúcho do Brasil. Por isso, as influências que o mercado a impinge constituem-se em grave atentado cultural. A música sertaneja -mesclada na regionalista gaúcha, por conveniências mercadológicas -, é uma cultura musical de massa com pouca referência à temática rural. Está mais afeita a um sentimentalismo melancólico comumente derivado do tema das infidelidades conjugais. Portanto, muito diferente da música caipira de raiz, do interior e da viola, esta considerada um grande patrimônio cultural brasileiro. É o grande mercado sertanejo-country, controlado pelas multinacionais sem fronteiras, que passou a influenciar o meio artístico gaúcho. Nessa ampliação de nichos de mercado também estimularam o Sul ao consumo da indústria dor de cotovelo sertanista-texana. O estilo musical ofertado, no entanto, carece de fundamento regionalista. Estribado em um sentimento relacionado à traição, onde o seu consumidor apresenta um estado comparado ao dos chamados psicóticos maníacos-depressivos, a chamada música sertaneja sempre terá público fiel em qualquer lugar do mundo, diante do eternamente explorado drama sentimental amoroso. Porém, não é razoável que grupos musicais que se intitulam gaúchos, vivendo do mercado gauchesco, tragam em seus trabalhos essas influências patrocinadas pelo Mercado de Barretos e as executem nos espaços tradicionalistas, nos Centros de Tradições Gaúchas. É público e notório que não é da natureza da autêntica música regional gaúcha os duetos próprios do estilo sertanejo que esses artistas gaúchos tentam impor, goela a baixo, aos gaúchos tradicionalistas, ainda que com a conivência de alguns Calaveras da Tradição presentes no Tradicionalismo Gaúcho Brasileiro. A música regional gaúcha é, ao contrário da sertaneja, vinculada às coisas simples do cotidiano do gaúcho campeiro. Mas se não bastasse essa ofensiva para mudar a tradicional música regional gaúcha, os mercados texano-brasileiro-mercosurista há muito vêm interferindo também no antigo e igualmente tradicional jeito de vestir dos gaúchos sul-brasileiros. E para satisfazer aos seus ávidos interesses mercadistas tentam confundir o povo, fazendo-o crer que o processo de integração econômica abarca ou estende-se à integração cultural. Na verdade, o que apregoam ao povo gaúcho brasileiro é uma grande e criminosa falácia. O Mercado Comum do Sul, Mercosul, não inclui nenhuma integração cultural. O que pode haver no âmbito desse Bloco Econômico, como acontece com a União Européia, é o instituto do intercâmbio cultural, onde o respeito às naturais diversidades existentes entre as culturas dos países integrantes do bloco devem ser respeitadas. Começa-se a ver, então, no lugar dos antigos e tradicionais Conjuntos Gaúchos, os agora corrompidos grupos ou bandas. Alguns, após as patrocinadas visitas à América do Norte, seus novos meios de transporte e contratos vultuosos com as grifes, trocaram a tradicional pilcha gaúcha sul-brasileira pelas coloridas e descaracterizadas indumentárias do modismo imposto. Regravações de músicas sertanejas; massificação dos Sertanejos em todos os eventos gaúchos; vê-se em Barretos a presença dos lencitos estampados, bombachitas enfiadas, cintas, rastras e botas à meia canela; os suportes às novas tendências musicais dos grupos Tchês – que de tchês não têm nada, e cujo termo music do estilo musical criado não por acaso está expresso em uma língua estrangeira -, são conseqüências dos interesses privados de alguns diante de um bem cultural público pertencente a todo o Povo Gaúcho Brasileiro. Dessa forma, por conta desses e outros interesses escusos, a música regional dos gaúchos vai se assertanejando, assim como vai, de forma criminosa, se texanizando e se mercosurizando a mundialmente conhecida Pilcha Gaúcha dos Gaúchos Campeiros do Brasil. Por questões de lógica mercadista, a cultura regional gaúcha segue subjugada, aviltada, corrompida, assassinada. Políticos, folcloristas, instituições tradicionalistas; mídia impressa, falada, televisiva; personalidades da cultura, pretensos programas culturais; autoridades de governo, todos, sem exceção, compartilham com a mesma leniência desse modelo neoliberal globalizante. Compactuam, todos, com esse visível assassinato cultural, com a perniciosa desnaturação da autêntica e tradicional música da região sul-brasileira, especialmente nos eventos tradicionalistas. No entanto, se depender dos gaúchos que honram o patrimônio cultural sulista-brasileiro, constituído pela música regional dos Centauros das Coxilhas, o peculiar estilo musical gaúcho não morrerá jamais. A música regional sul-brasileira, em que pese essa inescrupulosa e indevida ação dos exploradores da cultura gaúcha, continuará tendo a importância que sempre teve na caracterização da Identidade Cultural dos Gaúchos do Sul do Brasil!
Fonte: Bombacha Larga

 


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