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Chasque Pampeano:Alencar Feijó, o Cavaleiro por Nico Fagundes...

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08/10/2007

Alencar Feijó, o Cavaleiro por Nico Fagundes
 
Ele é grande, gordo e forte. Parece ter uma saúde invejável e seguramente não aparenta a idade que tem. Vendo-o tão corpulento ninguém o imagina a cavalo, mas é exatamente no trono dos arreios que Alencar Feijó se sente mais à vontade, num desfile tradicionalista ou numa cavalgada - hoje é impossível determinar em quantas cavalgadas ele tomou parte, sendo de se salientar que Alencar Feijó é integrante do grupo Cavaleiros da Paz, onde é estimado e querido por todos.

Sim, Alencar Feijó é o paizão educado e gentil de toda uma geração de tradicionalistas desde que se aquerenciou no velho e glorioso 35 CTG. Fazer um favor para um amigo, fazer uma gentileza para uma prenda, conseguir um cavalo encilhado para um visitante, dar carona a uma autoridade tradicionalista, nada disso é difícil para ele. Pelo contrário, seu rosto bondoso e severo, de poucos sorrisos, nessas ocasiões se ilumina, feliz. É fato notável que a peonada jovem e as moças prendas encontram sempre em Alencar Feijó uma palavra amiga, um conselho, um gesto de carinho. Assim, muitos e muitas chamam esse gauchão de "Tio", de "Paizão", e até de "Bolinha". Nada mais natural que, sendo a gentileza em pessoa e um cavaleiro experiente, tenha recebido tantas distinções e honrarias dentro do tradicionalismo e em órgãos oficiais.

Mas nem sempre foi assim na vida desse querido companheiro. Ele nasceu em Videira, no Estado de Santa Catarina, filho de agricultores, gente trabalhadora que tirava da terra o próprio sustento. Muito cedo perdeu o pai e ele, dois irmãos e uma irmã tiveram que encarar em plena infância a dura tarefa de prover o sustento da casa e ajudar a mãe em suas tarefas. Mas o trabalho nunca assustou Alencar Feijó: cortou pedra, foi carroceiro, entregador de leite, mas sem abandonar nunca seu amor pelo cavalo. Ainda guri, meio magrote, foi inclusive corredor de carreira. Aos 15 anos se mudou para Porto Alegre, trabalhando em bar e restaurante. Ao conseguir carteira de motorista, tornou-se caminhoneiro profissional e fez muita viagem até para o Norte e o Nordeste do Brasil. Com o estado precário das estradas à época, levava 30 dias para ir de Porto Alegre ao Recife... Os tempos duros haviam passado. Em 1959, entrou para o Juizado de Menores, onde fez um curso especializado de Direito na área. Em 1962, entra para o Tribunal de Justiça, onde vai se aposentar em 1989. Para alegria de dona Ivone, sua dedicada esposa desde 1968, parou com as correrias e ficou só se dedicando às suas grandes paixões: o lar, as amizades e os cavalos. Ah, e há uma ave famosa entre nós, o papagaio Lucas, com o qual trava diálogos interessantes, chegando ao requinte de ensinar ao Lucas o hino do glorioso Grêmio.

Alencar Feijó não sabe quantas medalhas recebeu, nem quantos diplomas de honra ao mérito, nem de quantos CTGs é sócio benemérito, frutos das amizades que semeou ao longo do tempo. Nenhum desfile de cavalaria gauchesca, nenhuma cavalgada estará completa se não estiver lá na frente Alencar Feijó empunhando a bandeira do Brasil, saudado por todos ao longo das ruas e estradas com carinho e respeito. Não é por acaso que hoje é o respeitado presidente da Ordem dos Cavaleiros do Rio Grande do Sul. É impressionante a resistência física desse gaúcho. Uma vez, na Bahia, com os Cavaleiros da Paz, nós estávamos em dificuldade nos grandes areais nos arredores da Lagoa do Abaeté. As dunas estavam derrubando alguns companheiros costa abaixo. Então eu meti o meu saudoso colorado velho no rastro do Alencar, que ia bem na frente com a bandeira do 35 CTG. Pensei comigo mesmo: "onde o Alencar passar com o seu cavalo, eu passo de atrás". E assim foi, até chegarmos incólumes às águas do Abaeté...

Grande e querido companheiro Alencar Feijó! Que Deus lhe dê muitos anos de vida e dê saúde, para que continue referência e inspiração para a gauchada mais jovem


Fonte: ZH coluna do Nico Fagundes 

 


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