Deprecated: mysql_connect(): The mysql extension is deprecated and will be removed in the future: use mysqli or PDO instead in /home/chasquepampeano/public_html/Connections/Connection.php on line 18
Chasque Pampeano:Loma, a pantera por Nico Fagundes...

Visitante Nº:
contador de visitas

  Aqui as últimas matérias do meio tradicionalista...

 

 

 

17/05/2008

Loma, a pantera por Nico Fagundes
 
Jaguaruna. Pantera negra. Felina flexível, elástica e lasciva. Mas, em vez do miado cruel, seu canto é um gorjeio de pássaros na primavera. Ela não canta apenas com a voz, mas com o corpo todo, com as mãos expressivas, às vezes dramáticas. Com a cabeça, onde os olhos gateados às vezes hipnotizam, com a boca sensual, com o torso, com as pernas esguias, com os pezinhos que estão sempre batucando no chão como se fossem atabaques. Rum, lé, rumpi. Ogum iê!

Loma Berenice Gomes Pereira está no palco como as ondas na praia que ela tanto ama. Volta os olhos para as montanhas da serra e dança languidamente. Como canta essa menina que já é avó. Às vezes, os olhos despedem chispas esverdeadas, outras se entrecerram quando os braços parecem embalar uma criança ou abraçar o homem amado.

Loma é assim e tudo isso. Tem gosto de serra e mar. A cachaça de Santo Antônio da Patrulha, azulada com casca de bergamota, não embriaga tanto quanto o seu canto de sereia. Mas ela não é dali. De onde, então? Mais cantora gaúcha que ela não pode haver. Então, nasceu onde? Pasmem: essa autêntica gauchinha nasceu em... Pernambuco, onde o pai, oficial da marinha mercante, andarengueava em assuntos da profissão. Por isso a Loma viajou tanto na infância, descobrindo e amando estes Brasis mágicos.

Aos 12 anos, se descobre em Porto Alegre como cantora de coral do colégio. E nunca mais parou: era o repertório da jovem guarda, da bossa nova, coisas de uma adolescente sonhadora. Cantava nos programas de rádio e televisão. Mas, então, o grupo Pentagrama, com Ivaldo Roque e Jerônimo Jardim, trouxe a Loma para fazer um conjunto maravilhoso, que explodiu na Califórnia da Canção Nativa.

Loma já gravou com sucesso dois LPs e dois CDs, além é claro de participação dos discos que resultam dos festivais da Canção Nativa. Estudiosa e atenta, ela lê tudo o que lhe cai às mãos sobre a cultura musical gaúcha, especialmente o que diz respeito ao folclore do Litoral, aos açorianos e aos negros do Rio Grande do Sul.

Muito poderia se falar sobre a Loma, mas muito mais ainda se falará sobre essa intérprete extraordinária, sobre esta mulher guerreira, sobre essa menina África, sobre essa sereia negra das praias gaúchas do Litoral Norte. Loma é assim. Deus te abençoe, irmãzinha querida, de todos nós de bota e de bombacha.

Fonte: ZH
 

 


Você também pode publicar um artigo de sua autoria no Jornal Virtual Chasque Pampeano. Mande seu texto e/ou foto, Cliques aqui para enviar:CHASQUES

Volta para página inicial